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LWSA tem novo preço-alvo e recomendação elevada para compra

Safra eleva recomendação para LWSA com preço-alvo de R$ 6 após avanço de margens, geração de caixa e potencial de valorização


O Safra elevou a recomendação para LWSA (LWSA3) de neutro para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 4,5 para R$ 6,0 por ação. A mudança reflete uma leitura mais construtiva sobre a empresa após os números do quarto trimestre de 2025 e a atualização das premissas para os próximos anos.

Além disso, o banco retirou de suas projeções os ativos já desinvestidos, como Squid e Nextios. Com isso, a análise passa a refletir de forma mais precisa a estrutura atual da companhia e o desempenho de seus principais negócios.

Na avaliação do Safra, o mercado ainda enxerga a LWSA como uma empresa sem crescimento relevante e cercada de riscos elevados. No entanto, os dados operacionais mais recentes indicam uma trajetória diferente, marcada por ganhos de eficiência, expansão de margens e aumento expressivo da geração de caixa.

Margens avançam há oito trimestres

A LWSA encerrou o quarto trimestre de 2025 com oito trimestres consecutivos de expansão da margem de lucro operacional. Esse indicador saiu de cerca de 19% no primeiro trimestre de 2024 para aproximadamente 25% no fim de 2025.

Esse movimento foi impulsionado sobretudo pela evolução do segmento de comércio, que ampliou escala e rentabilidade ao longo do período. A margem da divisão subiu de 12,9% em 2022 para 20,9% em 2025. Ao mesmo tempo, a companhia manteve disciplina de custos e avançou na simplificação do portfólio, com foco em ativos considerados estratégicos.

Embora haja debate sobre o limite dessa expansão, o Safra avalia que a direção da melhora tem sido clara e consistente. Em um cenário de crescimento de receita entre 10% e 12%, o banco vê espaço para margens consolidadas entre 24% e 25% em 2026.

Geração de caixa ganha força

A geração de caixa se tornou um dos principais pilares da tese de investimento para LWSA. O fluxo de caixa livre após investimentos somou R$ 225 milhões nos últimos 12 meses até o quarto trimestre de 2025. Um ano antes, esse valor era de R$ 33 milhões.

Na prática, isso representa uma alta de quase sete vezes em 12 meses. Segundo o Safra, essa inflexão ocorreu à medida que compromissos ligados a aquisições chegaram ao fim e a alavancagem operacional passou a se traduzir de forma mais visível em caixa.

Nos níveis atuais, a companhia negocia com rendimento de fluxo de caixa livre de cerca de 11% em 2025. Para 2026, a estimativa do banco aponta para cerca de 9%, refletindo uma normalização temporária do capital de giro. Ainda assim, a expectativa é de retorno a patamares de dois dígitos em 2027.

Mercado ainda precifica uma visão antiga

Para o Safra, a ação de LWSA3 ainda carrega uma percepção defasada, mais próxima do momento vivido pela empresa em 2022 do que da estrutura atual do negócio. Hoje, a companhia combina maior foco operacional, melhoria de rentabilidade e geração de caixa mais robusta, mesmo em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Além disso, o ciclo de corte de juros tende a beneficiar empresas com perfil de crescimento e geração de valor no longo prazo. Nesse contexto, a LWSA3 aparece como um ativo que pode capturar esse movimento de forma relevante.

O Safra também avalia que o risco ligado à inteligência artificial parece concentrado principalmente no negócio BeOnline, que representa parcela limitada do valor patrimonial estimado. Em um cenário de estresse com queda de 10% da receita dessa unidade, o impacto no preço-alvo seria inferior a 5%.

Preço-alvo indica potencial de alta

O novo preço-alvo de R$ 6 por ação foi calculado a partir de um modelo de fluxo de caixa descontado. Esse valor implica potencial de valorização de cerca de 45% em relação aos níveis avaliados pelo Safra no momento da revisão.

Como referência adicional, o banco também aplicou uma análise por soma das partes. Nessa abordagem, o intervalo de valor encontrado varia de R$ 4,2 a R$ 7,1 por ação, a depender do cenário considerado. O resultado reforça a leitura de que a assimetria segue favorável para o papel.

Mesmo no preço-alvo, a ação ainda negociaria com desconto em relação a empresas comparáveis do setor de software, tanto no Brasil quanto no exterior, segundo a análise do banco.

Quais são os riscos para a tese

Apesar da recomendação mais positiva, o Safra ressalta que a tese para LWSA envolve riscos importantes. O primeiro deles é uma piora do ambiente macroeconômico no Brasil, com juros mais altos e desaceleração da atividade, o que pode reduzir os gastos de pequenas e médias empresas com tecnologia.

Além disso, a companhia enfrenta concorrência de empresas especializadas em programas de gestão e de competidores internacionais. Também pesa a visibilidade ainda limitada sobre a evolução da receita de BeOnline após a reestruturação iniciada em 2021.

Outro ponto de atenção está no avanço da inteligência artificial, que pode acelerar pressões competitivas justamente no segmento mais sensível da companhia. Por fim, a execução segue no radar, já que a manutenção da trajetória operacional depende da continuidade dos ganhos de eficiência e da disciplina estratégica.

O que sustenta a visão mais construtiva

A elevação da recomendação para compra de LWSA3 se apoia em três vetores principais. O primeiro é a expansão consistente das margens. O segundo é a forte melhora da geração de caixa. O terceiro é a avaliação de que o mercado ainda não incorporou totalmente essa nova fase da companhia.

Por isso, o Safra entende que a ação oferece uma combinação mais atrativa entre preço e fundamento. Em outras palavras, a leitura do banco é que a LWSA já mudou, mas a bolsa ainda não refletiu integralmente essa transformação.


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