A Alupar (ALUP11) anunciou que venceu um bloco (com 4 ativos) no mais recente leilão de transmissão do Peru, com uma Receita Anual Permitida (RAP) total de US$31,8 milhões (R$169 milhões, equivalente a cerca de 5% da receita líquida estimada para 2025), e investimentos esperados de US$220 milhões (R$1,2 bilhão), implicando assim uma relação RAP/capex de 14,5%. A operação comercial está prevista para começar em novembro de 2029, e o período da concessão é de 30 anos.
Primeira visão da economia do projeto da Alupar
O cenário base do Banco Safra assume:
- (i) nenhum início antecipado da operação comercial e nenhum desconto no capex em relação ao que foi orientado pela empresa;
- (ii) margem EBITDA de 86%;
- (iii) alavancagem de 85% do capex total, com curva de desembolso concentrada em 2028 e 2029;
- (iv) custo médio da alavancagem em SOFR + 2,8%.
Nas estimativas do Safra, esse projeto alcança uma TIR real alavancada implícita de cerca de 12%, em dólares, o que o banco considera atrativo quando comparado aos leilões no Brasil, onde a concorrência (e o desconto) é alta.
Em termos de impacto na alavancagem, esse novo projeto deve elevar a dívida líquida/EBITDA estimada para 3,8x em 2028 (pico de capex), ante 3,7x.
Na visão do Safra, trata-se de mais um passo para expandir operações na América Latina. Para o banco, esse foi um movimento positivo na continuidade dos esforços de diversificação do portfólio da empresa, com níveis de retorno atrativos.
O Safra continua positivos em relação à estratégia da Alupar de buscar opções alternativas para crescer no segmento de transmissão na América Latina. O banco mantém recomendação de Compra para Alupar, pois vê que os benefícios da boa estratégia de alocação de capital ainda não estão totalmente refletidos nos preços atuais.