O Safra elevou a recomendação para as ações da Lundin Mining de neutra para compra e manteve o preço-alvo em CAD 41,5 por ação. A revisão ocorre após uma melhora no perfil de risco e retorno da companhia, impulsionada pela valorização do cobre, resultados operacionais consistentes e perspectivas mais positivas para os próximos anos.
Mesmo diante desse cenário mais favorável, as ações da mineradora acumulam desempenho inferior ao de outras empresas acompanhadas pelo banco. Desde o início da cobertura, os papéis recuaram cerca de 3%, enquanto o grupo comparável avançou, em média, 6%.
Segundo o Safra, essa performance mais fraca reduziu parte do prêmio de valuation da companhia e abriu um ponto de entrada mais atrativo para investidores.
Cobre fortalece perspectivas para a mineradora
O banco destaca que a Lundin Mining apresenta atualmente um dos maiores potenciais de valorização dentro do setor de cobre. Em cenário que considera o metal a US$ 5,8 por libra até o fim de 2026, o preço implícito das ações poderia chegar a CAD 48, o equivalente a um potencial de alta de cerca de 42% sobre os níveis atuais.
Além disso, o Safra avalia que o mercado ainda subestima fatores importantes do case da empresa, como a resiliência operacional no curto prazo, a qualidade dos ativos e o potencial de geração de valor do projeto Vicuña no médio e longo prazo.
Embora a companhia ainda negocie com prêmio em relação aos pares em alguns múltiplos, o banco considera que esse diferencial é sustentado pela qualidade dos ativos e pela perspectiva de crescimento da produção.
Resultados devem continuar fortes
O Safra também vê melhora no momento operacional da Lundin Mining. As estimativas do banco para o segundo trimestre de 2026 apontam EBITDA de US$ 650 milhões e lucro por ação de US$ 0,39, acima das projeções do mercado.
Na avaliação da instituição, outras empresas do setor podem enfrentar revisões negativas de expectativas, o que favorece o posicionamento relativo da Lundin Mining.
A mineradora mantém execução operacional considerada consistente. Segundo o Safra, não há expectativa de revisão relevante no guidance de volumes e custos para 2026. A companhia revisou recentemente suas projeções antes do Capital Markets Day e manteve praticamente todas as premissas operacionais.
Projeto Vicuña ganha importância no longo prazo
O principal vetor de crescimento da Lundin Mining segue sendo o projeto Vicuña. A companhia passou a definir a próxima etapa de expansão como a “Era Vicuña”, reforçando a relevância estratégica do ativo para os próximos anos.
A primeira fase do projeto mira produção superior a 300 mil toneladas de cobre por ano, enquanto a decisão final de investimento deve ocorrer até o fim de 2026.
O Safra afirma que o mercado ainda não precifica totalmente a opcionalidade de longo prazo do projeto. Pelas estimativas do banco, a produção média de cobre entre 2027 e 2036 pode superar as projeções atuais, principalmente a partir de 2031, quando Vicuña deve ganhar maior participação no portfólio da companhia.
Os maiores desvios positivos devem ocorrer entre 2033 e 2034, impulsionados por maiores volumes em ativos como Candelaria, Chapada, Caserones e o próprio Vicuña.
Quais são os principais riscos para a tese
Apesar da visão mais positiva, o Safra destaca riscos relevantes para a tese de investimento na Lundin Mining.
Entre os principais fatores de atenção estão uma eventual queda nos preços do cobre, desaceleração da demanda chinesa, desafios operacionais em minas relevantes e possíveis atrasos regulatórios ou aumento de custos no desenvolvimento de Vicuña.
O banco também cita riscos de execução ligados ao processamento mineral do projeto Filo del Sol e ao valuation da companhia, que ainda negocia acima de concorrentes em alguns indicadores financeiros.