A visita dos especialistas em investimentos do Banco Safra aos principais ativos da Lundin reforçou a visão de que a mineradora combina execução operacional consistente com crescimento relevante de longo prazo no cobre, metal estratégico para a transição energética e a eletrificação da economia global.
A Lundin Mining, com sede em Toronto, no Canadá, é uma empresa de exploração mineira sueco-canadiana, dona de minas em vários países: Brasil (Mina de Chapada), Suécia, Finlândia, Espanha, Portugal, Irlanda, República Democrática do Congo, Mauritânia e Rússia. A Lundin Mining está cotada nas bolsas de Estocolmo e de Toronto.
O foco da análise esteve nos projetos Vicuna e Caserones, que, juntos, posicionam a companhia como uma exposição alavancada à expansão futura da oferta do metal.
Vicuna: distrito de classe mundial com desenvolvimento faseado
Projeto integrado reduz riscos e amplia escala
O distrito de Vicuna, que integra os ativos Josemaría e Filo del Sol (óxidos e sulfetos), é descrito pelos analistas como um sistema de cobre-ouro-prata em larga escala, com potencial para se tornar o maior novo projeto de cobre desenvolvido na próxima década.
A Fase 1, ancorada no depósito de Josemaría, prevê um grande concentrador com capacidade aproximada de 175 mil toneladas por dia, produzindo concentrado de cobre-ouro por meio de um circuito convencional de flotação. Já as Fases 2 e 3, que envolvem os óxidos e sulfetos de Filo del Sol, ainda carecem de maior definição, mas fazem parte de uma estratégia de crescimento gradual.
Segundo o Safra, a abordagem faseada reduz o risco de execução, permite o financiamento progressivo do projeto e viabiliza o aproveitamento da infraestrutura existente e do conhecimento geológico acumulado ao longo do tempo.
Execução segue desafiadora, mas com sinais positivos
Apesar do potencial, o risco de execução permanece elevado. A localização remota, em alta altitude, somada às complexidades logísticas e tributárias transfronteiriças entre Argentina e Chile, impõe desafios relevantes. Ainda assim, a visita aos ativos aumentou a confiança dos analistas na capacidade de execução da primeira fase, com equipamentos-chave da planta já armazenados em San Juan, na Argentina.
Parceria com a BHP fortalece capacidade técnica e financeira
O avanço do projeto é sustentado por uma joint venture 50/50 com a BHP, além da criação de um conselho dedicado exclusivamente a Vicuna. Para o Safra, essa estrutura adiciona robustez técnica e financeira ao empreendimento, essencial para um projeto intensivo em capital e de múltiplas etapas.
O cronograma prevê o início das obras de terraplenagem em larga escala no segundo semestre de 2026, o primeiro concreto em 2027 e o início da produção de minério por volta de 2031. Paralelamente, a companhia busca cotações junto a fornecedores e parceiros para diferentes pacotes de infraestrutura, incluindo a possibilidade de um parceiro dedicado para essa frente.
Caserones: eficiência operacional sustenta produção estável
Em Caserones, no Chile, a administração destacou uma série de iniciativas operacionais voltadas ao aumento de throughput, recuperação metalúrgica e eficiência de custos. Melhorias na moagem, otimização do moinho SAG e maior automação vêm sustentando ganhos de produtividade na planta.
Na frente hidrometalúrgica, avanços na lixiviação e uma classificação mais precisa do minério têm elevado a recuperação de cátodos. A operação de SX-EW segue expandindo a cobertura de irrigação e ajustando a adição de ácido sulfúrico de acordo com a mineralogia, contribuindo para a estabilidade das taxas de recuperação de cobre.
Essas iniciativas, segundo o Safra, já se traduzem em melhora do desempenho operacional e oferecem upside incremental por meio de maior utilização da capacidade instalada.
Potencial exploratório amplia opcionalidade de longo prazo
Além da operação atual, o distrito de Caserones mantém potencial exploratório relevante, com múltiplos alvos próximos à mina, como Angelica, Centauro, Cordillera e Caserones SW. O alvo Angelica se destaca após perfurações que confirmaram mineralização de brecha cobre-molibdênio, com interceptações robustas de sulfetos.
Com cerca de 36 quilômetros de perfuração planejados ao longo de 2026, o distrito pode evoluir para um campo de cobre mais amplo. O Safra ressalta, contudo, que descobertas relevantes exigiriam novos investimentos em infraestrutura, como plantas de processamento, correias transportadoras e tubulações.
Visão estratégica: exposição alavancada ao cobre
Na avaliação final, a combinação entre opcionalidade exploratória em Caserones e o crescimento estrutural de Vicuna posiciona a Lundin como uma das companhias mais bem colocadas para capturar o ciclo de expansão da oferta global de cobre na próxima década. Para investidores, trata-se de uma tese com elevado potencial de retorno, ainda que acompanhada de riscos relevantes de execução e capital.