A Log Commercial Properties (LOGG3) apresentou no Investor Day de 2026 uma visão positiva para o mercado logístico brasileiro. A companhia afirmou que a procura por ativos de melhor qualidade continua elevada e pode levar a uma expansão acima do plano original Log 2 milhões.
Na avaliação da empresa, o setor ainda tem amplo espaço para crescimento. Isso ocorre porque a participação de galpões de padrão elevado no estoque nacional permanece baixa quando comparada à de mercados mais desenvolvidos. Hoje, apenas uma parcela limitada dos imóveis logísticos no Brasil se enquadra na categoria Classe A.
Esse cenário sustenta o movimento de migração de inquilinos de ativos mais antigos para instalações modernas. Segundo a companhia, esse processo ocorre porque os empreendimentos mais novos oferecem ganhos de eficiência e menores custos operacionais, com diluição de despesas como segurança, energia e manutenção.
Nordeste concentra nova frente de crescimento
A Log ressaltou que o Nordeste deve ganhar protagonismo nos próximos anos. A região concentra cerca de 63% do pipeline do plano Log 2 milhões e deve funcionar como uma das principais alavancas de expansão da companhia.
A estratégia prevê presença em todas as capitais nordestinas até o fim de 2026. Com isso, a empresa busca ampliar cobertura geográfica em uma região que ainda oferece espaço relevante para a entrada de ativos logísticos de maior padrão.
A leitura da administração é que a combinação entre demanda crescente e baixa penetração de galpões modernos cria um ambiente favorável para novos projetos. Por isso, a região aparece como uma das prioridades da companhia no ciclo atual de crescimento.
Execução em escala ajuda a preservar competitividade
Outro ponto central do evento foi a capacidade de execução. A Log afirmou que mantém 13 obras simultâneas e deve iniciar uma 14ª frente de construção na sequência. Para a administração, esse ritmo reforça a capacidade de tocar projetos de grande porte em várias regiões ao mesmo tempo.
A companhia também destacou vantagens estruturais de custo. Entre elas estão os projetos padronizados, o modelo de construção verticalizado e práticas operacionais mais enxutas. Segundo a gestão, esses fatores ajudam a manter custos de construção historicamente entre 20% e 30% abaixo dos níveis de mercado.
Mesmo com pressões recentes em logística e insumos metálicos, a empresa espera alta de cerca de 7,3% nos custos de construção neste ano. Ainda assim, avalia que esse impacto deve ser mitigado por repasses contratuais de inflação, o que tende a preservar o retorno dos projetos em patamar próximo de 13%.
Receitas recorrentes ganham peso na estratégia
A principal novidade estratégica do Investor Day foi o lançamento da plataforma Log 360. Com ela, a Log pretende consolidar uma frente de crescimento baseada em receitas recorrentes e menor necessidade de capital próprio.
Dentro dessa estrutura, a companhia pretende ampliar a atuação da Log Adm, unidade que hoje administra cerca de 2,9 milhões de metros quadrados de área bruta locável. A meta é dobrar esse volume até 2030.
Além disso, a empresa anunciou novas verticais, como Log Capital, soluções de gestão de obras e uma corretora de seguros. A proposta é monetizar a experiência da companhia em originação, desenvolvimento e gestão de ativos por meio de taxas e outras receitas menos dependentes da venda direta de imóveis.
Uso de capital de terceiros pode elevar retorno
A Log também indicou que quer ampliar o uso de capital de terceiros para financiar projetos. A frente deve avançar por meio de fundos imobiliários e estruturas de joint venture.
Na prática, a estratégia permite à companhia crescer com menor consumo de capital próprio. Ao mesmo tempo, abre espaço para geração de receitas recorrentes com serviços de desenvolvimento, estruturação e gestão de ativos.
Segundo a administração, a plataforma Log 360 pode elevar em 500% a receita dessa frente nos próximos quatro anos. A expectativa é que sua participação no resultado operacional consolidado alcance 16%, o que pode contribuir para uma estrutura de negócios mais rentável e resiliente.
Rentabilidade deve avançar até o fim da década
Ao detalhar as novas frentes de negócio, a companhia reforçou a expectativa de melhora gradual dos indicadores de retorno. A combinação entre novas receitas, menor intensidade de capital e otimização tributária pode levar a uma expansão de cerca de 10 pontos percentuais no retorno sobre o patrimônio até 2030.
Esse ponto ajuda a sustentar a visão positiva para a tese. Na avaliação do Safra, a rentabilidade mais forte dos projetos recentes tende a continuar impulsionando as vendas futuras e a garantir recursos para a execução do plano de expansão.
Por isso, o Safra mantém recomendação de desempenho acima da média do mercado para Log. A leitura é que a companhia reúne demanda estrutural favorável, capacidade comprovada de execução e novas alavancas para aumentar retorno ao acionista.