A Lavvi (LAVV3) apresentou resultados amplamente em linha com as estimativas do Banco Safra no segundo trimestre de 2026.
O lucro líquido somou R$ 83 milhões, queda de 30% em relação ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o número ficou 2% acima da projeção do banco.
A retração refletiu uma base de comparação mais exigente e o aumento das despesas no período. Mesmo assim, o desempenho comercial ajudou a preservar uma leitura equilibrada do balanço.
Vendas ganham força
O desempenho de vendas foi um dos principais pontos positivos do trimestre.
A companhia registrou melhora em relação ao trimestre anterior, impulsionada principalmente pelo lançamento do Jardim da Hípica, maior projeto da história da Lavvi.
Na avaliação do Safra, o bom desempenho desse empreendimento deve continuar contribuindo para os resultados nos próximos períodos.
O estoque atingiu 15,5 meses de vendas. Apesar do avanço, o indicador ainda permanece entre os menores dentro do universo de cobertura de companhias de média e alta renda acompanhado pelo banco.
Despesas pressionam margens
O lançamento do Jardim da Hípica também trouxe aumento das despesas comerciais no segundo trimestre.
Além disso, a Lavvi registrou crescimento das despesas gerais e administrativas, o que reduziu a alavancagem operacional em relação ao mesmo período do ano anterior.
Como consequência, a margem operacional medida pela geração de caixa recuou para 24,7%, queda de 3,3 pontos percentuais na comparação anual. Ainda assim, o indicador ficou acima da estimativa do Safra.
A margem líquida ficou em 16,7%, com queda de 7,9 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025.
Ganho com projetos compensa parte da pressão
A Lavvi registrou ganho de R$ 28 milhões com participações em empreendimentos, avanço de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado veio principalmente do reconhecimento do desenvolvimento Eden conforme o avanço das obras.
Esse ganho ajudou a compensar parte da pressão causada pelas despesas mais elevadas e pelas margens menores no trimestre.
Por outro lado, despesas financeiras mais altas e maior participação de minoritários limitaram a expansão do lucro.
Caixa e dividendos entram no radar
A companhia registrou consumo de caixa de R$ 28 milhões no segundo trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, anunciou R$ 70 milhões adicionais em dividendos, o que representa retorno estimado de cerca de 3,4% aos acionistas.
A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido encerrou o trimestre em 30,6%. O número avançou 1,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e 27,9 pontos percentuais na comparação anual.
Apesar do aumento, o Safra avalia que o nível de endividamento ainda permite à companhia manter sua estratégia de crescimento.
O que esperar da Lavvi
Na visão do Safra, a Lavvi entregou um trimestre razoável e em linha com o esperado.
A queda do lucro reflete principalmente uma comparação mais difícil com o ano anterior, além do aumento de despesas ligadas ao novo lançamento.
Ainda assim, o bom desempenho de vendas do Jardim da Hípica deve sustentar os resultados nos próximos trimestres. O nível de estoque também segue competitivo dentro do segmento de média e alta renda.
Após a queda de 34% das ações no ano, o Safra vê a Lavvi negociando a um múltiplo atraente para 2027. Esse cenário reforça uma leitura construtiva para o papel, apoiada em vendas sólidas, dividendos adicionais e potencial de recuperação das margens.