A Klabin (KLBN11) apresentou um resultado operacional mais forte do que o esperado no segundo trimestre de 2026, com Ebitda ajustado de R$ 1,962 bilhão, valor 9% acima da estimativa do Banco Safra, de R$ 1,800 bilhão, e 5% superior ao consenso de mercado, de R$ 1,870 bilhão.
A surpresa veio menos pelo volume e mais pela combinação entre receita por tonelada ligeiramente superior, custos abaixo do projetado e contribuição adicional da venda de terras. Os volumes vendidos somaram 1,018 milhão de toneladas, ficando 2% abaixo da projeção do Safra, com a diferença concentrada em celulose. Já os volumes de papel e embalagens ficaram em linha com o esperado.
A receita por tonelada alcançou R$ 5.060, 1% acima da estimativa, enquanto o custo caixa total foi de R$ 3.204 por tonelada, 3% inferior ao projetado. Como consequência, o Ebitda por tonelada atingiu R$ 1.927, superando em 11% a projeção de R$ 1.730.
Venda de terras reforça o trimestre
Um dos fatores de sustentação do resultado foi a venda de terras, que adicionou R$ 64 milhões ao Ebitda no trimestre, acima da estimativa do Safra, de R$ 54 milhões. Embora o efeito seja positivo, trata-se de uma contribuição de natureza não recorrente, o que exige cautela na leitura da qualidade do crescimento operacional.
Fluxo de caixa livre fica negativo
Apesar da performance operacional acima do esperado, a geração de caixa foi o ponto mais fraco do balanço. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 236 milhões, ante estimativa positiva de R$ 54 milhões do Safra.
A diferença foi explicada principalmente por maior consumo de capital de giro e pagamentos líquidos de juros mais elevados, que neutralizaram o efeito positivo do menor capex e do Ebitda mais robusto.
A dívida líquida permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior, em R$ 24,032 bilhões. Ainda assim, a relação dívida líquida/Ebitda em reais subiu de 3,1 vezes para 3,2 vezes, indicando leve deterioração da alavancagem.
Papel e embalagens mantêm estabilidade
Nos segmentos de papel e embalagens, os volumes vieram em linha com as estimativas do Safra. As vendas de papel totalizaram 359 mil toneladas, enquanto embalagens somaram 273 mil toneladas.
O preço realizado de US$ 1.137 por tonelada também ficou alinhado à projeção. Para os próximos trimestres, esses segmentos tendem a ganhar relevância, uma vez que a sazonalidade costuma favorecer embarques mais fortes, especialmente em embalagens.
Celulose tem menor volume, mas preço melhor
Na celulose, o Ebitda somou R$ 704 milhões, com margem de 49%. As vendas totais foram de 386 mil toneladas, 4% abaixo da estimativa do Safra.
O desempenho foi pressionado pelos volumes de fibra curta, que somaram 264 mil toneladas, 8% abaixo da projeção. Em contrapartida, os volumes de fibra longa e fluff alcançaram 121 mil toneladas, 4% acima do esperado.
O preço realizado total da celulose foi de US$ 742 por tonelada, 4% superior à estimativa, sustentado por preços internacionais mais elevados e melhora no mix de vendas.
Custos seguem no radar
O custo caixa da celulose ficou em R$ 1.397 por tonelada, alta de 5% frente ao trimestre anterior e de 8% na comparação anual. A pressão refletiu principalmente custos mais elevados de fibra e combustível, parcialmente compensados por menores custos químicos e maiores vendas de energia.
Perspectiva para o 3T26 é mais favorável
Para o terceiro trimestre de 2026, os especialistas do Safra esperam resultados sequencialmente mais fortes. A expectativa se apoia em maiores embarques sazonais de papel e embalagens e em preços mais altos nesses segmentos.
Por outro lado, o banco projeta R$ 25 milhões adicionais em despesas com paradas de manutenção no trimestre. Além disso, preços realizados menores em celulose devem compensar apenas parcialmente os fatores positivos.
Ainda assim, a manutenção do guidance de custo caixa total para 2026, entre R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil por tonelada, foi avaliada como positiva, especialmente diante de um ambiente global ainda marcado por pressões inflacionárias.
Leitura para investidores
O balanço da Klabin no 2T26 traz uma leitura mista. Do lado positivo, o resultado operacional superou as expectativas, com custo por tonelada melhor do que o projetado e bom desempenho de preços em celulose. A perspectiva de melhora sequencial no 3T26 também reforça uma visão construtiva para a operação.
O principal contraponto está na geração de caixa. O fluxo de caixa livre negativo e a leve alta da alavancagem sugerem que o mercado deve continuar atento à capacidade da companhia de converter Ebitda em caixa, sobretudo em um contexto de juros ainda relevantes e necessidade de disciplina de capital.
Em síntese, a Klabin entregou um trimestre operacionalmente forte, mas ainda precisa demonstrar maior consistência na geração de caixa para que a melhora de resultados se traduza em uma leitura mais robusta para a tese de investimento.