A Klabin (KLBN11), empresa brasileira, produtora e exportadora de papéis, atravessa um momento de transição estratégica. Em mesa-redonda com o diretor financeiro da companhia, o Banco Safra discutiu as principais prioridades da empresa em um ambiente de mercado ainda desafiador. A agenda inclui desalavancagem, eficiência de custos, disciplina de capital e monetização seletiva de ativos, agora que o ciclo de investimentos de grande porte se aproxima do fim.
Segundo a administração, a empresa entra em uma fase de colheita. O foco passa a ser a geração de caixa operacional e a redução da alavancagem, apoiadas pelo ramp-up dos principais projetos industriais e por iniciativas estruturais de eficiência.
Geração de caixa deve liderar a desalavancagem
A Klabin espera reduzir sua alavancagem principalmente por meio da geração de caixa operacional ao longo dos próximos 18 a 24 meses. A administração deixou claro que não trabalha com uma melhora relevante de preços como principal vetor desse movimento.
Os volumes avançam com a continuidade do ramp-up das máquinas MP27 e MP28. O processo, no entanto, ocorre de forma mais lenta do que o inicialmente previsto, reflexo da fraqueza no mercado de papelcartão. Ainda assim, a companhia projeta operar próxima da capacidade total de seus ativos, o que tende a diluir custos fixos e fortalecer o fluxo de caixa.
A empresa não vê a venda de ativos industriais como caminho para acelerar a desalavancagem. Pelo contrário. O modelo integrado é considerado estratégico, e a alienação de fábricas não geraria valor ao acionista. A estrutura de capital alvo segue em torno de 2,5 vezes dívida líquida sobre Ebitda, com expectativa de queda mais relevante entre o fim de 2025 e 2026.
SPVs florestais seguem no radar
As estruturas de SPVs florestais continuam a desempenhar papel relevante na otimização da estrutura de capital da Klabin (KLBN11). O modelo permite expansão florestal sem aumento de endividamento e a um custo inferior ao equity.
Ainda assim, a administração reconhece limitações. O banco de terras remanescente é mais fragmentado, e algumas áreas apresentam elevada carga tributária em caso de monetização. A venda de terras não estratégicas deve continuar, mas sem repetir a magnitude observada em operações recentes de maior escala.
Capacidade próxima do limite reduz espaço para expansão
A companhia opera próxima da capacidade máxima na maior parte de seus ativos. O volume incremental tende a se concentrar na conclusão do ramp-up das máquinas mais recentes. Há possibilidade de reativação de máquinas de reciclado anteriormente desligadas, mas esse movimento depende das condições de mercado e da disponibilidade de fibra reciclada, ainda incertas.
A KLBN11 também mantém flexibilidade no mix de produtos. A substituição de kraftliner segue como alternativa para atender à demanda por embalagens quando o mercado externo se mostra mais fraco.
O período entre 2024 e 2026 marca a primeira vez, em mais de uma década, sem grandes projetos de expansão de capacidade. Esse intervalo abre espaço para maximizar a geração de caixa e acelerar a desalavancagem antes de um novo ciclo de investimentos.
Eficiência de custos sustenta margens
Em um ambiente de preços pressionados, a disciplina de custos ganha protagonismo. A Klabin executou cerca de R$ 200 milhões em iniciativas de redução de custos no último ano e continua mapeando oportunidades em otimização de despesas fixas, eficiência operacional e compras.
A administração adota premissas conservadoras de preços em seu plano estratégico. Embora uma eventual recuperação cíclica em celulose e kraftliner possa trazer ganhos adicionais, a competitividade estrutural de custos permanece como pilar central. A integração entre celulose, papel e embalagens contribui para maior resiliência em cenários adversos.
Alocação de capital segue cautelosa
A KLBN11 mantém postura conservadora na alocação de capital. A empresa não pretende lançar novos projetos industriais sem a combinação adequada de retorno, condições de mercado e solidez do balanço.
Embora avalie continuamente a viabilidade econômica de projetos sob as premissas atuais de capex e preços, a prioridade segue clara. O foco permanece na desalavancagem e no fortalecimento financeiro antes de qualquer novo movimento relevante de expansão.