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JBS tem leve surpresa positiva no resultado do 2T26

Resultado operacional supera as estimativas, enquanto o fluxo de caixa livre volta ao campo positivo, apesar da maior alavancagem


A JBS (JBSS3) apresentou um conjunto misto de resultados no segundo trimestre de 2026. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado, segundo o padrão contábil internacional, somou US$ 1,429 bilhão.

O valor ficou 3% acima da estimativa do Banco Safra, mas recuou 18% na comparação anual. O resultado também superou em 1% a projeção de consenso.

A geração de fluxo de caixa livre foi o principal destaque positivo do trimestre. Por outro lado, o lucro líquido ajustado ficou bem abaixo da expectativa, enquanto a dívida e a alavancagem aumentaram.

De forma geral, os resultados ficaram próximos das projeções do Safra e do consenso. Por isso, a avaliação é de impacto neutro para as ações.

Carne bovina nos Estados Unidos melhora

A operação de carne bovina da JBS na América do Norte apresentou resultado melhor do que o esperado, apesar de um ambiente ainda desafiador.

A disponibilidade limitada de gado manteve os diferenciais entre os preços da carne e dos animais pressionados. No entanto, a demanda dos consumidores nos Estados Unidos permaneceu resiliente e sustentou o crescimento da receita.

A receita líquida alcançou US$ 7,770 bilhões, alta de 14% em um ano e 4% acima da estimativa do Safra.

A margem operacional ajustada ficou negativa em 1%, mas melhorou 2,59 pontos percentuais na comparação anual. O resultado também ficou 1,44 ponto percentual acima da projeção.

Austrália apresenta desempenho positivo

A operação australiana foi outro destaque do trimestre. A receita líquida cresceu 30% em um ano, para US$ 2,565 bilhões, superando em 13% a estimativa do Safra.

O desempenho foi sustentado por preços mais altos da carne bovina nos mercados doméstico e de exportação.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado somou US$ 218 milhões, queda de 13% na comparação anual. A margem ajustada ficou em 8,5%, recuo de 4,19 pontos percentuais em um ano, mas 1,50 ponto percentual acima da expectativa.

Seara cresce apesar de desafios

Os resultados da Seara ficaram ligeiramente acima das estimativas. A receita líquida atingiu US$ 2,560 bilhões, alta de 18% em um ano e 2% acima da projeção do Safra.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelos mercados de exportação. O desempenho ocorreu apesar do ambiente operacional mais difícil no Oriente Médio.

A margem operacional ajustada ficou em 12,3%, queda de 3,12 pontos percentuais na comparação anual e 0,13 ponto percentual abaixo da estimativa.

Pilgrim’s Pride pressiona margens

A Pilgrim’s Pride já havia divulgado seus resultados antes do balanço da JBS. A operação foi afetada por preços mais fracos em segmentos de produtos com menor diferenciação.

A receita líquida alcançou US$ 4,623 bilhões, recuo de 3% na comparação anual. A margem operacional ajustada ficou em 7,8%, uma redução de 6,66 pontos percentuais em um ano.

Carne suína é principal ponto negativo

A JBS USA Pork foi o principal ponto negativo entre as unidades de negócio, segundo a análise do Safra.

A companhia informou que a demanda doméstica por carne suína enfraqueceu nos Estados Unidos, em um cenário no qual a inflação pressionou o consumo.

A receita líquida chegou a US$ 2,079 bilhões, alta de 1% em um ano, mas 1% abaixo da estimativa do Safra.

A margem operacional ajustada ficou em 8,9%. Apesar da alta de 2,38 pontos percentuais na comparação anual, o indicador ficou 2,76 pontos percentuais abaixo da projeção.

JBS Brasil mantém crescimento

A operação brasileira apresentou crescimento sólido da receita e resultado operacional acima do esperado.

A receita líquida somou US$ 4,585 bilhões, alta de 28% na comparação anual e 4% acima da estimativa do Safra.

O desempenho foi impulsionado pela forte demanda nos mercados de exportação, principalmente para atender à cota chinesa. O mercado doméstico também apresentou bom desempenho, apoiado por iniciativas de marketing relacionadas à Copa do Mundo.

A margem operacional ajustada ficou em 5,9%, praticamente estável em relação à estimativa do Safra e 0,29 ponto percentual abaixo do segundo trimestre de 2025.

Lucro ajustado recua

O resultado financeiro líquido piorou 85% na comparação anual e ficou 57% acima da estimativa do Safra.

A deterioração foi explicada principalmente pelo aumento das despesas financeiras, incluindo custos com instrumentos derivativos e juros mais altos.

Um resultado positivo de imposto de renda compensou parcialmente os efeitos negativos sobre o lucro.

Após os ajustes relacionados a despesas de reestruturação, acordos antitruste, pagamentos de parcelamentos fiscais e tributários, fechamento de plantas e outras despesas operacionais, o lucro líquido ajustado somou US$ 25 milhões.

O resultado representa queda de 96% em um ano e ficou 92% abaixo da estimativa do Safra.

Fluxo de caixa livre volta ao positivo

O fluxo de caixa operacional alcançou US$ 1,242 bilhão, alta de 61% na comparação anual.

O desempenho foi impulsionado pela melhora do capital de giro. Os recebíveis contribuíram com uma melhora de US$ 600 milhões, refletindo o maior desconto de recebíveis e os adiantamentos de clientes chineses relacionados às exportações da JBS Brasil.

As contas a pagar também aumentaram US$ 390 milhões, principalmente por causa dos preços mais altos do gado e do crescimento dos volumes de abate, especialmente no Brasil.

Com isso, o fluxo de caixa livre ficou positivo em US$ 130 milhões. No segundo trimestre de 2025, o indicador havia sido negativo em US$ 55 milhões. A estimativa do Safra apontava fluxo de caixa livre negativo em US$ 154 milhões.

O resultado foi parcialmente compensado por um resultado operacional ajustado menor, pelo aumento de 36% nos investimentos e pela alta de 49% nas despesas de juros pagas em dinheiro.

Alavancagem aumenta

A dívida líquida cresceu 15% na comparação anual. Com isso, a alavancagem subiu para 3,1 vezes.

No segundo trimestre de 2025, a relação estava em 2,3 vezes. No primeiro trimestre de 2026, o indicador era de 2,8 vezes.

O aumento da alavancagem limita parte dos efeitos positivos da geração de caixa no trimestre e permanece como um ponto de atenção para os próximos períodos.

JBS vê recuperação do ciclo nos Estados Unidos

Após a divulgação dos resultados, os executivos da JBS apresentaram uma visão otimista para a recuperação do ciclo pecuário nos Estados Unidos.

A administração mencionou sinais de estabilização do rebanho bovino e um possível impulso adicional com a reabertura da fronteira com o México. O efeito seria mais relevante no segundo semestre de 2027.

Safra vê impacto neutro nas ações

O Safra avalia que o balanço deve ter impacto neutro para as ações da JBS.

A leve surpresa positiva no resultado operacional e o fluxo de caixa livre positivo foram compensados pelo lucro líquido ajustado abaixo do esperado e pelo aumento da alavancagem.

Entre os segmentos, as operações de carne bovina nos Estados Unidos e na Austrália foram os principais destaques positivos. A operação de carne suína nos Estados Unidos representou a maior decepção em relação às estimativas.


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