A JBS (JBSS3) apresentou resultados do quarto trimestre de 2025 acima das estimativas do Safra e do consenso de mercado. O EBITDA ajustado ficou 12% acima da projeção do banco e 7% acima da expectativa média dos analistas, em um trimestre marcado por desempenho operacional mais forte do que o previsto.
O principal destaque veio da operação de carne bovina nos Estados Unidos. Embora o ambiente continue pressionado pela oferta restrita de gado, a companhia conseguiu entregar margem positiva, contrariando a expectativa de resultado operacional negativo no período. Ao mesmo tempo, Seara e JBS Brasil também contribuíram para o desempenho consolidado, enquanto a operação na Austrália manteve trajetória sólida de crescimento de receita e expansão de margens.
Por outro lado, a divisão de carne suína nos Estados Unidos teve resultado abaixo do esperado. Ainda assim, a leitura do trimestre segue construtiva. Além do avanço operacional, a JBS melhorou a geração de caixa livre, que somou US$ 990 milhões, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse contexto, o Safra mantém recomendação de compra para JBS. A visão positiva reflete o desconto em relação a pares nos Estados Unidos, a diversificação do portfólio e da atuação geográfica, além da forte capacidade de execução da companhia. A empresa também anunciou a distribuição de US$ 1,00 por ação em dividendos, o equivalente a um dividend yield de 6,3%, com pagamento previsto para 17 de junho de 2026.
Resultado acima do esperado reforça leitura positiva
A JBSS3 entregou um trimestre melhor do que o esperado em várias frentes. O EBITDA ajustado superou as projeções, impulsionado sobretudo pelo desempenho da operação de carne bovina nos Estados Unidos, segmento que vinha cercado por maior cautela por causa do custo do gado.
Além disso, a companhia mostrou força em negócios relevantes para sua estratégia. Seara e JBS Brasil registraram números acima das estimativas do Safra, enquanto a Austrália sustentou crescimento robusto de receita. Com isso, o resultado consolidado ganhou qualidade, mesmo com a fraqueza observada em JBS USA Pork.
Carne bovina nos Estados Unidos surpreende com margem positiva
A divisão de carne bovina na América do Norte foi o principal fator de surpresa no trimestre. A demanda seguiu firme nos Estados Unidos e sustentou o avanço da receita. Em paralelo, a oferta limitada de gado continuou pressionando a rentabilidade do setor.
Ainda assim, a JBS conseguiu entregar resultado melhor do que o esperado. A receita líquida do segmento alcançou US$ 7,662 bilhões, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior e 9% acima da estimativa do Safra. Já a margem EBITDA ajustada ficou em 0,7%. O número representa recuo de 100 pontos-base na comparação anual, mas ficou 223 pontos-base acima da projeção do banco, que previa margem negativa de 1,5%.
Austrália mantém crescimento forte de receita
Na Austrália, a JBS registrou mais um trimestre de desempenho sólido. O crescimento da receita foi impulsionado pela operação de carne bovina, tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.
A receita líquida atingiu US$ 2,290 bilhões, avanço de 30% na comparação anual e 16% acima da estimativa do Safra. O EBITDA ajustado somou US$ 217 milhões, alta de 55% em um ano e em linha com a projeção do banco. A margem ficou em 9,5%, com expansão de 152 pontos-base em relação ao ano anterior. Apesar disso, o indicador veio abaixo da estimativa do Safra, pressionado pelo aumento no preço do gado.
Seara mostra execução consistente
A Seara voltou a se destacar pela execução operacional. A unidade se beneficiou de demanda robusta no mercado interno e também no mercado externo, o que favoreceu o crescimento da receita no trimestre.
A receita líquida alcançou US$ 2,493 bilhões, com alta de 10% em relação ao mesmo período de 2024 e desempenho 7% acima da estimativa do Safra. A margem EBITDA ajustada ficou em 16,6%. Houve recuo de 319 pontos-base na comparação anual, refletindo custos mais elevados, mas o resultado ainda superou a projeção do banco em 57 pontos-base.
JBS Brasil sustenta demanda forte e margens resilientes
A operação brasileira também teve papel relevante no resultado consolidado. A demanda em carne bovina no Brasil permaneceu forte, enquanto as margens mostraram resiliência no período.
A receita líquida da JBS Brasil somou US$ 4,383 bilhões, com crescimento de 26% na comparação anual e resultado 6% acima da estimativa do Safra. A margem EBITDA ajustada ficou em 6,6%, praticamente estável em relação ao ano anterior, com leve recuo de 7 pontos-base. Ainda assim, o número ficou 8 pontos-base acima da projeção do banco.
Carne suína nos Estados Unidos pressiona parte do resultado
Se por um lado a carne bovina nos Estados Unidos surpreendeu positivamente, por outro a divisão JBS USA Pork ficou aquém do esperado. A demanda seguiu sólida e sustentou crescimento de receita, mas os custos vieram mais altos do que o previsto.
Com isso, a receita líquida atingiu US$ 2,151 bilhões, alta de 7% na comparação anual e 1% acima da estimativa do Safra. Já a margem EBITDA ajustada ficou em 8,4%, com queda de 51 pontos-base em um ano e desempenho 264 pontos-base abaixo da projeção do banco. O EBITDA ajustado da divisão ficou 23% abaixo do esperado.
Pilgrim’s Pride teve avanço de receita, mas margens menores
A Pilgrim’s Pride, empresa controlada pela JBS (JBSS3), já havia divulgado seus números anteriormente. O resultado mostrou crescimento de receita puxado pelas operações da Europa e do México.
A receita líquida alcançou US$ 4,515 bilhões, alta de 3% na comparação anual. Por outro lado, a margem EBITDA ajustada caiu para 6,5%, com compressão de 300 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior.
Geração de caixa melhora e dividendos reforçam atratividade
Além do desempenho operacional, a JBSS3 mostrou evolução na geração de caixa. O fluxo de caixa livre atingiu US$ 990 milhões no trimestre, com avanço de 9% em relação ao ano anterior. Em base acumulada de 12 meses, isso representa um rendimento de fluxo de caixa livre de 2%.
A companhia também anunciou dividendos de US$ 1,00 por ação, com rendimento estimado em 6,3%. O pagamento está previsto para 17 de junho de 2026. Para o investidor, o anúncio reforça a capacidade da empresa de combinar execução operacional, geração de caixa e retorno ao acionista.
O que fazer com as ações da JBS
Na avaliação do Safra, o resultado do quarto trimestre de 2025 reforça a tese positiva para JBS (JBSS3). Mesmo em um cenário mais desafiador para a carne bovina nos Estados Unidos, a companhia entregou números melhores do que o esperado e mostrou diversificação operacional relevante.
Por isso, o banco mantém recomendação de compra para o papel. A visão considera o desconto de valuation em relação aos pares listados nos Estados Unidos, a exposição diversificada entre proteínas e geografias e a consistência da execução operacional.