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JBS busca ampliar margens nos Estados Unidos

Companhia vê espaço para ampliar margens nos Estados Unidos, acelerar ganhos com tecnologia e fortalecer operações de frango e alimentos processados


A JBS (JBSS3) mantém foco em execução operacional e iniciativas internas para enfrentar o ambiente desafiador da indústria global de proteína animal. Em reunião com investidores em São Paulo, executivos da companhia destacaram medidas para mitigar o impacto dos custos elevados do gado nos Estados Unidos e ampliar a rentabilidade das operações.

O encontro contou com a participação de Christiane Assis, diretora de Relações com Investidores, e Felipe Cruz, coordenador de Relações com Investidores da companhia.

Segundo a administração, a demanda global por proteína segue resiliente, o que sustenta oportunidades de crescimento mesmo em um cenário de pressão sobre margens no segmento de carne bovina.

Mercado dos Estados Unidos ainda enfrenta pressão

A demanda por carne bovina no varejo norte-americano continua firme. Por outro lado, o segmento de alimentação fora do lar apresenta sinais de desaceleração.

A pressão sobre as margens da indústria decorre principalmente da alta nos preços do gado nos Estados Unidos. Ainda assim, a JBS avalia que o movimento de racionalização de capacidade no setor tende a aliviar parte desse cenário ao longo dos próximos trimestres.

A companhia citou o fechamento de uma planta na Pensilvânia como parte desse processo. Além disso, o setor acompanha a possível reabertura da fronteira entre Estados Unidos e México para o fluxo de gado.

Caso a medida avance, cerca de 1,5 milhão de cabeças de gado poderiam retornar ao sistema norte-americano. O volume equivale a aproximadamente 5% do abate realizado nos últimos 12 meses e pode amenizar a restrição de oferta no curto prazo.

Mesmo assim, a recomposição mais consistente do rebanho bovino nos Estados Unidos não deve ocorrer antes de 2028.

JBS vê espaço para ampliar margens

A administração da JBS avalia que a divisão JBS Beef North America ainda possui espaço relevante para elevar margens operacionais.

A estratégia envolve mudanças estruturais e ganhos de eficiência comercial. Entre as iniciativas, a companhia consolidou operações ligadas ao gado de corte e leiteiro para otimizar compras e comercialização.

A empresa também ampliou o uso de inteligência artificial em unidades industriais. O objetivo é reduzir a rotatividade de funcionários, melhorar o rendimento da desossa e otimizar incentivos de mão de obra.

Segundo a companhia, essas medidas devem contribuir para margens acima da média da indústria até 2027.

Pilgrim’s Pride muda mix de produtos

A Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS nos Estados Unidos, acelera uma mudança estrutural no portfólio de produtos.

Os investimentos priorizam produtos de maior valor agregado e menor volatilidade de margens. A estratégia reduz a exposição a aves grandes e produtos com osso, enquanto amplia a participação de cortes desossados, aves menores e produtos prontos para exposição no varejo.

O movimento acompanha tendências de consumo no segmento de redes de alimentação rápida nos Estados Unidos.

Seara mantém desempenho resiliente

A Seara segue apresentando resultados sólidos, apoiada pela demanda resiliente por carne de frango e alimentos processados.

Embora a queda nos preços da carne suína tenha pressionado parte do setor, a companhia avalia que o impacto sobre as margens da Seara tende a ser limitado.

A integração vertical da operação ajuda a reduzir riscos ligados ao custo de matérias-primas e preserva a rentabilidade do negócio.

Operação australiana sustenta crescimento

Na Austrália, a JBS continua se beneficiando do atual ciclo pecuário favorável e de condições climáticas positivas.

A companhia também vem ampliando participação de mercado em países asiáticos, com destaque para Japão e Coreia do Sul, além de continuar atendendo à demanda dos Estados Unidos.

Geração de caixa segue no radar

Em relação à alocação de capital, a administração reforçou que o nível de EBITDA necessário para equilíbrio do fluxo de caixa permanece em US$ 5,3 bilhões.

O cálculo considera despesas financeiras de US$ 1,1 bilhão, leasing de US$ 400 milhões, investimentos de US$ 2 bilhões e aproximadamente US$ 800 milhões relacionados a ativos biológicos.

Na avaliação do Safra, a combinação entre disciplina operacional, diversificação geográfica e investimentos em eficiência deve continuar sustentando a resiliência da JBS em um cenário global ainda desafiador para o setor de proteína animal.


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