O EBITDA ajustado da JBS (JBSS3) ficou 16% abaixo da estimativa do Safra e 11% abaixo do consenso. Segundo a análise do banco, o trimestre foi marcado por deterioração de margens em várias unidades de negócio, com destaque negativo para JBS Beef North America, Austrália, Pilgrim’s Pride e Seara.
Parte dessa pressão foi compensada pela melhora da JBS USA Pork, que foi o principal destaque positivo do período. Ainda assim, o desempenho consolidado ficou aquém do esperado e deve levar a revisões para baixo nas projeções de lucro, o que pode pesar sobre a ação no curto prazo.
Carne bovina nos Estados Unidos segue sob pressão
A operação de bovinos da JBS na América do Norte continuou a enfrentar um ambiente difícil. A oferta limitada de gado nos Estados Unidos, somada às restrições para importação de animais vivos do México, elevou os custos da matéria-prima.
Com isso, os preços do gado avançaram mais rapidamente do que os preços da carne, o que reduziu os spreads da operação. Mesmo com demanda resiliente e crescimento das vendas, a unidade encerrou o trimestre com margem operacional negativa.
A receita líquida da JBS Beef North America somou US$ 7,167 bilhões, alta de 12% na comparação anual. Já a margem EBITDA ajustada ficou em -3,7%.
Austrália cresce em receita, mas perde margem
Na Austrália, a JBS mostrou avanço forte de receita, apoiado por demanda robusta nos mercados doméstico e externo, além de preços mais altos. Ainda assim, o aumento do custo do gado comprometeu a rentabilidade da operação.
A receita líquida da unidade alcançou US$ 2,145 bilhões, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, o EBITDA ajustado caiu 17%, para US$ 133 milhões, enquanto a margem recuou para 6,2%.
Para o Safra, esse desempenho trouxe surpresa negativa, já que a pressão de custos foi maior do que o esperado.
Seara e Pilgrim’s Pride também perdem força
A Seara apresentou crescimento sólido de receita, impulsionado por volumes e preços. No entanto, a margem caiu na comparação anual e ficou abaixo da expectativa do Safra.
A receita líquida da divisão somou US$ 2,379 bilhões, alta de 11%. Já a margem EBITDA ajustada ficou em 15,5%, com retração relevante em 12 meses.
Na Pilgrim’s Pride, o trimestre também foi fraco. A operação foi impactada por fundamentos menos favoráveis em commodities, clima adverso e paralisações temporárias de plantas. A receita líquida atingiu US$ 4,529 bilhões, alta de 2%, enquanto a margem EBITDA ajustada caiu para 9,9%.
JBS USA Pork é o destaque positivo
Em contraste com as demais unidades, a JBS USA Pork entregou resultado melhor do que o esperado em rentabilidade. Embora a receita tenha ficado ligeiramente abaixo da estimativa do Safra, a operação mostrou execução comercial e operacional mais forte.
A receita líquida ficou em US$ 2,032 bilhões, com alta de 1% na comparação anual. A margem EBITDA ajustada alcançou 13,5%, acima do esperado e superior ao nível do mesmo período do ano anterior.
JBS Brasil cresce, mas não alcança projeção
A operação brasileira da JBS também apresentou crescimento de receita e expansão de margem em relação ao ano anterior. Ainda assim, os números vieram abaixo da expectativa do Safra.
A receita líquida atingiu US$ 3,789 bilhões, com alta de 20% na comparação anual. A margem EBITDA ajustada ficou em 4,4%, levemente acima da registrada um ano antes, mas ainda inferior à projeção do banco.
Geração de caixa livre piora
Outro ponto de atenção no trimestre foi a geração de caixa. O fluxo de caixa livre da JBS ficou negativo em US$ 1,5 bilhão, pior do que o resultado negativo de US$ 917 milhões no primeiro trimestre de 2025.
Segundo o Safra, o movimento reflete necessidades sazonais maiores de capital de giro, além de um EBITDA mais fraco. Esse quadro reduz a qualidade do resultado e reforça a leitura mais cautelosa para o curto prazo.
O que muda para a ação
Na visão do Safra, o resultado da JBS foi negativo. A combinação de margens mais fracas em bovinos e aves, pressão de custos e piora na geração de caixa tende a provocar revisões para baixo nas estimativas de lucro.
Com isso, a ação pode permanecer pressionada no curto prazo. O principal foco do mercado deve seguir sobre a recuperação das margens, especialmente nas operações de bovinos nos Estados Unidos, onde o ambiente continua mais desafiador.