O Japão abriu seu mercado para a importação de carne bovina da Argentina após um período de restrição de 20 anos. A decisão ocorreu após os dois países estabelecerem novos requisitos sanitários para o comércio da proteína.
A estrutura regulatória necessária para as exportações já está definida. Agora, o início dos embarques comerciais depende das inspeções das autoridades sanitárias japonesas. Elas precisam aprovar e licenciar oficialmente as unidades argentinas de processamento.
Para o Banco Safra, a abertura do mercado japonês tem impacto marginalmente positivo para a Minerva (BEEF3). O efeito sobre a MBRF (MBRF3) tende a ser positivo em grau bem menor.
Minerva pode se beneficiar
A Argentina responde por cerca de 9% das receitas da Minerva. Dessa forma, a abertura de um novo destino para a carne produzida no país amplia as alternativas comerciais da companhia.
O mercado japonês costuma demandar cortes de carne bovina de maior valor. Por isso, o acesso ao país pode ajudar na diversificação das exportações e permitir uma combinação mais rentável de destinos e produtos.
Segundo a avaliação do Safra, as companhias poderão ampliar a capacidade de buscar margens mais atrativas nos segmentos de maior valor agregado quando as unidades argentinas receberem as autorizações necessárias.
No caso da MBRF, a Argentina representa entre 1% e 2% da receita. Além disso, essa exposição está concentrada principalmente em hambúrgueres destinados ao mercado doméstico.
Por esse motivo, o Banco Safra considera que os benefícios da abertura japonesa serão significativamente menores para a MBRF do que para a Minerva.
Argentina diversifica exportações
O acordo também permite à Argentina reduzir a concentração de suas exportações de carne bovina.
Atualmente, a China responde por 63% dos volumes exportados pelo país. Os Estados Unidos aparecem em seguida, com participação de 13%. União Europeia e Israel representam 8% cada.
Nesse cenário, o Japão surge como um destino adicional para os frigoríficos argentinos. Além da diversificação geográfica, o perfil do mercado japonês abre espaço para vendas de cortes de maior valor.
Assim, a abertura pode contribuir para uma distribuição mais eficiente da produção entre diferentes mercados e melhorar as oportunidades comerciais das empresas que operam no país.
Japão busca novos fornecedores
Para o Japão, a decisão amplia o número de fornecedores autorizados de carne bovina em um cenário de demanda global robusta.
O país é o terceiro maior importador de carne bovina do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, segundo a análise.
A diversificação dos fornecedores ganha relevância diante das restrições severas na oferta de gado nos Estados Unidos. Historicamente, o país está entre os principais fornecedores de carne bovina para o mercado japonês.
Esse cenário tem levado compradores japoneses a procurar fontes alternativas de carne de alta qualidade. A Argentina passa a integrar esse grupo de potenciais fornecedores.
Embarques ainda dependem de aprovação
Apesar da abertura do mercado, as exportações argentinas não começam automaticamente.
O próximo passo envolve as inspeções conduzidas pelas autoridades sanitárias japonesas nas unidades de processamento da Argentina. Somente após a aprovação e o licenciamento oficial dessas plantas poderão começar os embarques comerciais.
Portanto, a oportunidade para Minerva e MBRF depende da conclusão dessa etapa.
Ainda assim, o Banco Safra avalia que a abertura oferece maior flexibilidade para as exportações. Para a Minerva, que possui exposição mais relevante à Argentina, a notícia tem impacto marginalmente positivo. Para a MBRF, o efeito positivo tende a ser mais limitado.