O Banco Safra mantém a recomendação de compra para a ação do Itaú Unibanco (ITUB4) “devido à execução de alta qualidade”. Embora a avaliação deixe menos espaço para decepções à medida que se aproxima de 2,0x do preço em relação ao valor patrimonial (P/VP), o Safra não espera que o Itaú entregue nada diferente de sua tradicional execução de excelência, continuando a gerar retornos excedentes e sustentando um atrativo componente de carry.
O Safra destaca os impressionantes níveis de lucratividade que o banco tem conseguido manter (24% no Brasil; 25% no consolidado ao ajustar o CET1 pelo limite de gestão de riscos de 11,5%).
Mesmo sem expectativa de redução nos investimentos voltados ao fortalecimento do posicionamento do negócio, ainda há amplo espaço para ganhos de eficiência, e estimamos que o índice de eficiência atinja 35,8% até 2030.
Considerando as aspirações de longo prazo reveladas no Itaú Day (incluindo dobrar a carteira de crédito), o índice poderia cair para 30%, gerando expressivo upside para os níveis sustentáveis de ROE.
Como resultado, o Itaú deve continuar se beneficiando de um ambiente top-down favorável como um dos principais destinos de fluxos entre as alternativas de ações brasileiras.
Potencial pagamento de dividendos de ITUB4 até o fim do ano
Com o custo efetivo total (CET1) do banco em 13,5%, o Safra vê um potencial de 150bps para distribuição até atingir o nível de apetite por risco da gestão, de 12%, que considera um buffer de 50bps acima dos 11,5% considerados adequados pelo conselho.
Como cálculo aproximado, cada aumento de 10bps no capital representa R$ 1,5bi ou R$ 0,14/ação. Considerando a iminente implementação no Brasil de uma retenção de 10% na fonte sobre dividendos mensais acima de R$ 50.000 (a partir do próximo ano), o Safra acredita que o conselho do Itaú deve avaliar a possibilidade de declarar e pagar dividendos antes do fim do ano, em função de suas responsabilidades fiduciárias.
Assim, o Safra acredita que o banco poderia distribuir 150bps, ou seja, R$ 22,5 bilhões em dividendos (R$ 4bi em IoE + R$ 18,5 bi em dividendos) até 2025, um aumento significativo A/A em comparação aos extraordinários R$ 15bi anunciados em 2024.
Além disso, o Safra vê possibilidade de anúncio de um programa de recompra de cerca de R$ 4bi para manter o buffer e demonstrar sua robusta geração de capital. No total, isso representaria R$ 2,5 por ação, ou um dividend yield de 6%.