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Itaú entrega rentabilidade elevada e mantém recomendação de compra

O Itaú Unibanco entregou resultados em linha com as expectativas, com lucro robusto, inadimplência controlada e crescimento da carteira de crédito


O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou resultados do segundo trimestre de 2026 sem grandes surpresas para o mercado. O banco apresentou lucro em linha com as estimativas do Banco Safra, manteve indicadores de qualidade de crédito sob controle e preservou uma das maiores rentabilidades do setor bancário brasileiro.

Embora os números não tenham trazido catalisadores relevantes para uma reavaliação das ações, também não mostraram sinais de deterioração operacional ou financeira. Em um momento de maior preocupação dos investidores com a qualidade dos ativos do sistema financeiro, o desempenho reforçou a postura conservadora adotada pelo banco nos últimos trimestres.

Lucro permanece em patamar elevado

O Itaú reportou lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, resultado praticamente estável em relação ao trimestre anterior e em linha com as projeções do Safra.

O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 24,3%, mantendo o banco entre as instituições financeiras mais rentáveis do país.

O resultado foi sustentado principalmente pela expansão da margem financeira, que superou as estimativas e compensou parcialmente a desaceleração observada em algumas linhas de receita.

Margem financeira avança

A margem financeira total cresceu 4% na comparação trimestral e 5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O desempenho foi favorecido principalmente pelo resultado das operações de tesouraria e mercado, que apresentaram contribuição acima do esperado.

Ao mesmo tempo, as despesas com provisões para perdas de crédito vieram ligeiramente abaixo das estimativas, contribuindo para a melhora da margem financeira ajustada ao risco.

Receitas de serviços desaceleram

As receitas com tarifas e prestação de serviços cresceram 2% na comparação anual, mas apresentaram ritmo inferior ao observado em períodos anteriores.

Diante desse cenário, o banco revisou para baixo sua projeção para essa linha em 2026. A expectativa agora é de crescimento entre 2% e 5%, ante a faixa anterior de 5% a 9%.

Por outro lado, a operação de adquirência continuou apresentando forte evolução. O volume transacionado pela Rede avançou 24% em relação ao mesmo período de 2025, indicando ganhos consistentes de participação de mercado.

Carteira de crédito continua crescendo

A carteira de crédito no Brasil cresceu 2,7% na comparação trimestral e 9,6% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Os principais destaques foram as operações de crédito consignado e financiamento imobiliário, que registraram expansão de 4% e 3,5%, respectivamente.

As carteiras voltadas para pequenas, médias e grandes empresas também cresceram, embora em ritmo mais moderado.

Já as operações na América Latina avançaram 3% na comparação trimestral.

Qualidade dos ativos segue sob controle

Um dos pontos mais observados pelos investidores foi a evolução dos indicadores de inadimplência.

O índice de atrasos superiores a 90 dias permaneceu praticamente estável em 1,9%, reforçando a capacidade do banco de preservar a qualidade da carteira mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.

A inadimplência de curto prazo apresentou leve aumento, mas o movimento esteve concentrado principalmente nas operações da América Latina e não indicou deterioração relevante no mercado brasileiro.

O Safra destaca que o banco segue demonstrando disciplina na concessão de crédito, estratégia que ajudou a limitar o avanço da inadimplência observado em parte do sistema financeiro.

Capitalização permanece sólida

Os indicadores de capital continuaram confortáveis.

O índice principal de capital permaneceu em 12%, enquanto os demais indicadores regulatórios registraram avanço na comparação trimestral.

Esse nível de capitalização oferece ao banco flexibilidade para sustentar o crescimento da carteira, distribuir dividendos e enfrentar eventuais oscilações do ciclo econômico.

Visão do Safra

Na avaliação do Safra, o resultado reforça a consistência operacional do Itaú, mas não trouxe elementos suficientes para alterar significativamente a percepção do mercado sobre a ação.

O banco continua apresentando rentabilidade elevada, qualidade de crédito controlada e crescimento saudável da carteira. Por outro lado, a desaceleração das receitas de serviços e o cenário mais cauteloso para o setor financeiro limitam o potencial de revisões positivas para as estimativas de curto prazo.

O Safra mantém recomendação de compra para Itaú Unibanco. Ainda assim, o banco adota uma postura mais seletiva em relação ao setor financeiro e vê oportunidades mais atrativas em empresas brasileiras ligadas ao mercado de capitais.


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