A ISA Energia (ISAE4) apresentou resultados operacionais próximos das expectativas no segundo trimestre de 2026, impulsionados pela entrada em operação de novos projetos de transmissão e pelo crescimento das receitas regulatórias. No entanto, despesas financeiras superiores ao esperado reduziram o lucro líquido e ficaram no centro da atenção dos investidores.
O EBITDA regulatório alcançou R$ 967 milhões, crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou 3% acima da estimativa do Banco Safra, embora tenha vindo ligeiramente abaixo do consenso de mercado.
Já o lucro líquido somou R$ 174 milhões, queda de 32% na comparação anual. O valor ficou 30% abaixo da projeção do Safra e 45% inferior à expectativa média dos analistas.
Novos projetos impulsionam crescimento da receita
A receita líquida avançou 21% na comparação anual e superou as estimativas do Safra.
O desempenho foi sustentado por uma combinação de fatores, incluindo o reajuste tarifário do ciclo 2025/2026 e a incorporação das receitas associadas a projetos energizados ao longo dos últimos 12 meses.
A companhia também passou a capturar integralmente as receitas permitidas de empreendimentos que entraram recentemente em operação, como Piraquê e Jacarandá. Além disso, os projetos Água Vermelha e Riacho Grande continuaram contribuindo positivamente para os resultados.
Segundo o Safra, a entrada em operação desses ativos foi o principal fator responsável pelo crescimento da receita no trimestre.
Custos operacionais avançam
As despesas com pessoal, materiais, serviços e terceiros cresceram 11% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O aumento refletiu reajustes salariais, encargos trabalhistas, benefícios e maiores gastos com manutenção da infraestrutura de transmissão. Também houve impacto relacionado ao reconhecimento de honorários vinculados a disputas judiciais.
Outras despesas apresentaram crescimento ainda mais expressivo, avançando 21% na comparação anual.
Entre os fatores que contribuíram para essa alta estão os custos de desativação de ativos, maiores investimentos em reforços e melhorias, além do aumento das despesas com tecnologia da informação, veículos e impostos sobre propriedades.
Apesar dessa pressão de custos, a companhia conseguiu manter um desempenho operacional considerado sólido.
Despesas financeiras pesam sobre o lucro
O principal fator por trás da queda do lucro foi o aumento das despesas financeiras.
As despesas financeiras líquidas cresceram 82% em relação ao mesmo período do ano anterior e superaram as projeções do Safra.
O movimento foi influenciado pela redução das receitas financeiras e pelo aumento dos encargos da dívida. A companhia possui uma parcela relevante de seu endividamento indexada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que ampliou o impacto da correção monetária sobre os custos financeiros.
Além disso, os juros e encargos relacionados aos empréstimos também registraram crescimento relevante.
Segundo a análise do Safra, esse desempenho mais fraco da linha financeira foi o principal responsável pela diferença entre o resultado operacional e o lucro líquido reportado.
Efeito tributário ameniza impacto negativo
Parte da pressão causada pelas despesas financeiras foi compensada por um efeito tributário positivo.
Como os maiores encargos financeiros reduziram o lucro tributável da companhia, houve reconhecimento de créditos tributários diferidos que geraram impacto positivo de aproximadamente R$ 3 milhões no trimestre.
Ainda assim, o benefício fiscal não foi suficiente para neutralizar completamente a deterioração do resultado financeiro.
Disputa com a Secretaria da Fazenda segue em negociação
A companhia também atualizou os investidores sobre a disputa em andamento com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
Durante 2026, foram realizadas audiências em fevereiro, abril e junho. Uma nova audiência está marcada para 26 de agosto.
Em junho, a suspensão do processo foi renovada por mais seis meses, ampliando o prazo para que as partes busquem uma solução negociada.
O tema segue sendo acompanhado pelo mercado devido aos potenciais impactos financeiros para a companhia.
O que esperar das ações da ISA Energia
Na avaliação do Safra, os resultados reforçam a capacidade da ISA Energia de expandir receitas por meio da entrada em operação de novos ativos de transmissão e da execução de investimentos em reforços e melhorias.
Por outro lado, o aumento das despesas financeiras continua limitando o crescimento do lucro e reduzindo parte dos benefícios gerados pelo avanço operacional.
Diante dos atuais níveis de valuation, o Safra mantém recomendação de venda para ISAE4. A avaliação considera que a ação negocia com retorno implícito inferior à média observada no setor de transmissão de energia, o que reduz a atratividade relativa do papel no momento.