O IRB Brasil Re (IRBR3) apresentou resultados acima das expectativas no segundo trimestre de 2026, apoiado principalmente pela menor sinistralidade e pelo desempenho financeiro mais forte.
O lucro líquido recorrente alcançou R$ 185 milhões, alta de 52% em relação ao primeiro trimestre e de 29% na comparação anual. O resultado ficou 56% acima da estimativa do Safra.
A companhia também registrou resultado antes dos impostos de R$ 221 milhões, avanço de 24% no trimestre. O número ficou 21% acima da projeção do banco.
Na avaliação do Safra, o desempenho reforça a visão positiva para as ações do IRB e sustenta a recomendação de compra.
Sinistralidade é destaque
O índice de sinistralidade, que mede a parcela dos prêmios destinada ao pagamento de indenizações, caiu para 41,8% no segundo trimestre.
O indicador ficou 10,2 pontos percentuais abaixo da estimativa do Safra e recuou 10,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.
A melhora foi especialmente expressiva na operação brasileira. A sinistralidade doméstica caiu para 13%, ante 36% um ano antes.
No segmento internacional, o índice ficou em 89%.
A companhia atribuiu a forte melhora no Brasil principalmente à reversão de R$ 139 milhões em provisões para sinistros ocorridos, mas ainda não avisados. Essas provisões são conhecidas pela sigla IBNR e representam valores reservados para indenizações que ainda podem ser comunicadas à seguradora.
Segundo o IRB, a reversão refletiu uma estimativa mais ajustada ao perfil atual da carteira de negócios.
Resultado operacional melhora
O resultado de subscrição, que representa o desempenho das operações de seguros e resseguros antes do resultado financeiro, também apresentou evolução.
O índice combinado consolidado ficou em 92%. Quanto menor o indicador, melhor tende a ser o desempenho operacional, já que o índice compara os custos de sinistros e despesas com os prêmios ganhos.
O resultado financeiro ficou 17% acima da projeção do Safra. A combinação entre a menor sinistralidade e o desempenho financeiro ajudou a impulsionar o resultado antes dos impostos.
O indicador alcançou R$ 221 milhões, embora tenha recuado 9% na comparação anual devido a uma base de comparação mais forte.
Prêmios ainda são desafio
Os prêmios brutos emitidos caíram 14% na comparação anual, embora tenham ficado 3% acima da estimativa do Safra.
No Brasil, a retração foi de 19%.
Entre os produtos, os prêmios rurais permaneceram como o principal ponto de pressão. Na sequência, os prêmios dos segmentos de vida e rural recuaram 47% e 35%, respectivamente, em 12 meses.
Os prêmios ganhos ficaram 8% abaixo do resultado do segundo trimestre de 2025 e 2% aquém da projeção do Safra.
O desempenho refletiu uma taxa de retenção de 68%, 2,7 pontos percentuais abaixo da estimativa. Essa taxa mostra quanto dos prêmios permanece com a companhia após as operações de transferência de riscos.
Lucro pode alcançar R$ 600 milhões
Caso o IRB consiga manter os níveis atuais de sinistralidade ao longo do ano, a companhia poderá sustentar o índice combinado consolidado próximo de 95%.
Nesse cenário, a empresa teria condições de se aproximar da expectativa média do mercado para o lucro líquido de 2026, estimada em aproximadamente R$ 600 milhões.
O principal risco está em uma possível desaceleração das reversões de provisões para sinistros. Se isso ocorrer, a companhia precisará compensar o efeito com maior crescimento dos prêmios e melhor desempenho operacional.
A expansão dos prêmios tem sido um desafio para o IRB nos últimos períodos.
Distribuição aos acionistas é retomada
O IRB retomou a distribuição de recursos aos acionistas no segundo trimestre.
A companhia já pagou R$ 127 milhões, sendo R$ 49 milhões em dividendos e R$ 78 milhões em juros sobre capital próprio.
Mesmo após os pagamentos, o índice de solvência continuou avançando. O indicador regulatório, ajustado pela relação entre patrimônio líquido e capital total de risco, encerrou o trimestre em 316%.
O índice subiu 29 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre.
A evolução reforça a expectativa de melhora do valor patrimonial por ação do IRB Brasil Re (IRBR3), além de indicar uma posição de capital mais confortável para a companhia.
Projeto de lei muda cenário
O Projeto de Lei nº 3.540/2026, aprovado pela Câmara dos Deputados em 16 de agosto de 2026 e encaminhado ao Senado, propõe mudanças relevantes para o setor de resseguros no Brasil.
O texto reduz de 15% para 9% a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidente sobre as resseguradoras.
A proposta também elimina o limite de 30% para o uso de créditos tributários diferidos originados de prejuízos fiscais. Esses créditos podem ser utilizados para reduzir impostos futuros, conforme a geração de resultados da companhia.
Regra pode beneficiar o IRB
Na avaliação do Safra, as mudanças propostas equalizam o ambiente competitivo entre resseguradoras locais e estrangeiras que atuam no Brasil.
O IRB tende a ser beneficiado porque a redução da alíquota tributária diminui a carga sobre o resultado da companhia.
A possibilidade de utilizar integralmente determinados créditos fiscais também pode acelerar o aproveitamento de ativos tributários acumulados.
A aprovação definitiva do projeto ainda depende da tramitação no Senado e das etapas seguintes do processo legislativo.
Recomendação de compra é mantida
O Safra mantém a recomendação de compra para as ações do IRB.
A avaliação considera a melhora da sinistralidade, a recuperação do resultado de subscrição, o desempenho financeiro acima do esperado e a evolução do índice de solvência.
O projeto de lei também adiciona um possível catalisador à tese de investimento, embora a companhia ainda precise demonstrar crescimento mais consistente dos prêmios.
A capacidade de manter a eficiência operacional após a redução das reversões de provisões será um dos principais pontos de acompanhamento nos próximos trimestres.