O Banco Safra elevou a recomendação para as ações do IRB Brasil Resseguros (IRBR3) de uma posição anterior para Compra. O preço-alvo para os próximos 12 meses passou de R$ 61 para R$ 66.
A nova projeção indica potencial de valorização de 25% em relação à cotação atual.
A mudança considera quatro fatores principais. Primeiro, as ações do IRB ficaram para trás no movimento recente de redução da percepção de risco no setor financeiro.
Segundo, a alíquota zero prevista na reforma tributária para as operações de resseguro e retrocessão deve se tornar um fator relevante para os resultados a partir de 2027.
Terceiro, a expansão internacional deixou a fase de planejamento e passou a contar com um executivo dedicado.
Por fim, o negócio principal voltou a crescer de forma consistente. Excluindo as operações de Vida e Rural, os prêmios emitidos avançaram 13% na comparação anual no primeiro trimestre de 2026.
Recuperação deve levar anos
Na avaliação do Safra, a tese de investimento do IRB envolve uma recuperação gradual da rentabilidade.
As novas estimativas indicam lucro líquido praticamente estável em 2026. Em bases ajustadas, no entanto, o resultado deve crescer 20%.
Para 2027, a projeção aponta alta de 46% no lucro líquido, ou 22% em bases ajustadas. Até 2030, o resultado pode quase dobrar.
A recuperação deve ser sustentada pela melhora do negócio principal, pela normalização das operações de Vida e Rural, pela expansão internacional e pelo benefício da reforma tributária.
Vida e Rural entram em nova fase
O resultado consolidado de 2025 ainda refletiu a pressão de duas operações específicas.
A carteira de Vida foi reduzida de forma planejada, com os prêmios recuando de R$ 856 milhões para R$ 310 milhões. No segmento Rural, os prêmios caíram de R$ 714 milhões para R$ 491 milhões, afetados pela deterioração das condições de crédito no setor.
Excluindo essas duas frentes, o negócio principal do IRB cresceu 11% na comparação anual no primeiro trimestre de 2026. Esse foi o melhor desempenho em seis trimestres.
A operação de Vida passou a ser liderada por Ricardo Siquieri. Já a área Rural está sob o comando de Glaucio Toyama e pode se beneficiar dos programas federais de renegociação de dívidas rurais a partir do segundo semestre de 2026.
O IRB detinha aproximadamente 48% do mercado facultativo de riscos no Brasil em 2025. Essa participação serve de base para a construção da nova seguradora voltada a grandes riscos.
Expansão internacional avança
A expansão internacional do IRB também ganhou uma nova estrutura.
A companhia passou a contar com um executivo dedicado às plataformas da Suíça e de Malta. Daniel Castillo será responsável por liderar essa etapa e explorar a presença internacional da empresa.
Na visão do Safra, a nova liderança pode acelerar a execução da estratégia e transformar a expansão internacional em uma fonte adicional de crescimento.
A operação, no entanto, ainda depende da aprovação regulatória para as atividades de resseguro na Suíça e em Malta.
Reforma pode acelerar o lucro
A Lei Complementar 214/2025 prevê alíquota zero da Contribuição sobre Bens e Serviços e do Imposto sobre Bens e Serviços para operações de resseguros e retrocessões.
Esses tributos substituem cobranças anteriores que custaram R$ 127,4 milhões ao IRB em 2025.
O Safra considera 2026 um ano de transição. A projeção aponta lucro líquido de aproximadamente R$ 506 milhões, praticamente estável na comparação anual.
A despesa tributária deve atingir o pico de 9% em razão de efeitos não recorrentes relacionados ao reconhecimento antecipado de créditos fiscais sobre provisões de sinistros.
A partir de 2027, a alíquota projetada cai para zero. Esse movimento deve reduzir o índice combinado, que mede a relação entre sinistros e despesas e os prêmios recebidos, de 98,6% para 92,1%.
Como consequência, o lucro líquido estimado para 2027 chega a R$ 740 milhões, crescimento de 46,3%. O retorno sobre o patrimônio líquido ajustado deve alcançar 14%.
O Safra mantém uma visão conservadora sobre a operação. A estimativa considera que o índice de sinistralidade se normalize para 58,9% em 2027, com o fim dos efeitos de reversões de sinistros observados anteriormente.
Assim, a reforma tributária, e não fatores pontuais de subscrição, deve ser o principal motor da expansão do lucro no próximo ano.
Parte do benefício tributário, contudo, pode ser repassada aos preços ao longo do ciclo, à medida que a concorrência no setor se ajuste.
Ação negocia com desconto
O preço-alvo de R$ 66 foi calculado com base em um custo de capital próprio de 15% e em uma taxa de crescimento de longo prazo de 6%.
As ações do IRB negociam a 7,1 vezes o lucro estimado para 2026 e a 5,8 vezes o lucro projetado para 2027.
O múltiplo preço/lucro previsto para 2027 é inferior ao de outras seguradoras listadas. A BB Seguridade (BBSE3) negocia a 9,3 vezes, enquanto a Caixa Seguridade (CXSE3) apresenta múltiplo de 11,8 vezes. A Porto Seguro (PSSA3) está avaliada em 8,6 vezes o lucro estimado.
O forte crescimento esperado para o lucro entre 2027 e 2028 também resulta em um múltiplo de aproximadamente 6,1 vezes o lucro dos próximos 12 meses no preço-alvo do IRB.
Na prática, o cenário projetado não exige uma reavaliação significativa das ações para que o preço-alvo seja alcançado.
Riscos permanecem no radar
Apesar da melhora da recomendação, a tese de investimento do IRB ainda envolve riscos relevantes:
- Desempenho fraco dos prêmios emitidos até 2027, em um ambiente de maior competição no mercado de resseguros.
- Riscos de execução nas novas seguradoras e na expansão internacional.
- Dificuldades na reconstrução das operações de Vida e Rural, que contam com novas equipes e bases de comparação mais baixas.
- Eventos catastróficos, incluindo possíveis secas associadas ao fenômeno El Niño na região Centro-Oeste, embora a administração indique exposição limitada.
- Resultados financeiros abaixo das expectativas.
- Demora ou impedimentos nas aprovações regulatórias para as operações na Suíça e em Malta.
Para o Safra, a combinação entre recuperação operacional, benefício tributário e expansão internacional melhora a relação entre risco e retorno do IRB. Por isso, a recomendação para as ações passa a ser Compra.