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Iochpe-Maxion melhora margens, apesar de receita pressionada pelo câmbio

Companhia teve lucro acima do consenso no segundo trimestre de 2026, com avanço sequencial da rentabilidade e sinais de estabilização na América do Norte


A Iochpe-Maxion (MYPK3) apresentou um resultado ligeiramente positivo no segundo trimestre de 2026.

A receita líquida somou R$ 4,01 bilhões, queda de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi pressionado pela valorização do real e por condições de mercado mais fracas no Brasil e na Europa.

Sem o efeito cambial, a receita teria crescido 6% na comparação anual, para R$ 4,35 bilhões.

A geração operacional de caixa totalizou R$ 418 milhões, queda de 7,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Ainda assim, o resultado ficou acima das estimativas do mercado e do Safra.

Margens avançam na comparação trimestral

A margem operacional reportada da Iochpe-Maxion ficou em 10,4%, queda de 0,56 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, houve melhora de 1,02 ponto percentual.

O resultado recebeu apoio de itens não recorrentes, incluindo um ganho de R$ 20 milhões com compra vantajosa. Esse efeito foi parcialmente compensado por R$ 5 milhões em custos de reestruturação e R$ 3 milhões em perda por redução de valor de ativos.

Sem esses efeitos, a margem ajustada teria sido de 10,1%, abaixo do nível registrado um ano antes, mas praticamente em linha com a estimativa do Safra.

A melhora sequencial das margens foi o principal destaque positivo do trimestre.

Custos ainda pressionam

A rentabilidade da Iochpe-Maxion continuou abaixo do nível observado no segundo trimestre de 2025.

A companhia enfrentou menor diluição de custos fixos e atraso no repasse do aumento dos custos de matérias-primas aos preços de venda.

Esses fatores pressionaram a margem bruta, que recuou 0,90 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, as despesas comerciais, gerais e administrativas caíram 12% na comparação anual. A redução refletiu iniciativas de controle de custos e o impacto da valorização do real na conversão dos resultados internacionais.

América do Norte mostra estabilização

Na América do Norte, a receita da Iochpe-Maxion caiu 0,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 1,04 bilhão. A região respondeu por 26% da receita consolidada.

O desempenho mostrou sinais iniciais de estabilização, ainda que sobre uma base de comparação mais favorável.

O crescimento em rodas de alumínio para veículos leves e em componentes estruturais para veículos comerciais compensou parte da fraqueza em rodas de aço para veículos leves e em rodas para veículos comerciais.

Esse movimento contribuiu para uma leitura mais construtiva sobre a recuperação gradual da operação na região.

Brasil e Europa pesam

Na América do Sul, a receita da Iochpe-Maxion caiu 4,6% na comparação anual, para R$ 1,14 bilhão. A região representou 28% da receita total.

O resultado foi afetado principalmente pela fraqueza em veículos comerciais. As receitas com rodas para esse segmento caíram 18,3%, enquanto componentes estruturais recuaram 13,8%.

O crescimento de 13% em rodas para veículos leves ajudou a compensar parte da pressão, mas não foi suficiente para evitar a queda da receita regional.

Na Europa, Oriente Médio, África e outras regiões, a receita recuou 6%, para R$ 1,48 bilhão. A divisão respondeu por 37% da receita consolidada.

A demanda mais fraca por rodas para veículos leves pressionou o resultado, apesar do avanço de 2% em rodas para veículos comerciais.

Ásia cresce no período

A Ásia foi o destaque positivo entre as regiões.

A receita da Iochpe-Maxion na região aumentou em relação ao segundo trimestre de 2025 e chegou a R$ 353 milhões, equivalente a 9% da receita consolidada.

O avanço foi impulsionado pelo crescimento de 41% em rodas de alumínio para veículos leves e pela alta de 12% em rodas para veículos comerciais.

Por outro lado, a receita com rodas de aço para veículos leves caiu 11%, limitando parte do crescimento regional.

Lucro supera projeções

O lucro líquido da Iochpe-Maxion somou R$ 87 milhões no segundo trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado ficou 27% acima do consenso de mercado, que previa lucro de R$ 68 milhões.

A surpresa positiva veio principalmente da melhora no resultado financeiro. A companhia registrou efeito cambial positivo de R$ 7,5 milhões, em contraste com impacto negativo de R$ 25,7 milhões no segundo trimestre de 2025.

Esse ganho compensou o menor resultado de equivalência patrimonial e o aumento da participação de minoritários.

Dívida fica estável

A relação entre dívida líquida e geração operacional de caixa da Iochpe-Maxion encerrou o trimestre em 2,52 vezes.

O indicador ficou ligeiramente acima das 2,49 vezes registradas no primeiro trimestre de 2026 e das 2,38 vezes observadas no segundo trimestre de 2025.

A estabilidade relativa da alavancagem ajuda a preservar a flexibilidade financeira da companhia, embora o cenário de demanda ainda exija atenção.

O que esperar da Iochpe-Maxion

Na avaliação do Safra, a Iochpe-Maxion apresentou melhora de resultados no segundo trimestre de 2026.

A receita ainda sofreu com o câmbio e com mercados mais fracos no Brasil e na Europa. No entanto, a melhora sequencial das margens, o controle de despesas e os sinais iniciais de estabilização na América do Norte trouxeram uma leitura mais favorável.

O lucro acima do consenso também reforçou o tom ligeiramente positivo do balanço.

Para os próximos trimestres, o mercado deve acompanhar a capacidade da Iochpe-Maxion de sustentar a recuperação das margens, repassar custos de matérias-primas e capturar uma eventual melhora na demanda global por veículos.


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