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Iochpe-Maxion é rebaixada com novo preço-alvo

O Safra incorporou premissas macroeconômicas atualizadas e resultados trimestrais mais recentes da Iochpe-Maxion


O Banco Safra intriduziu novo preço alvo para a ação da Iochpe-Maxion (MYPK3) no final de 2026 em R$ 12,50 por ação. O preço anterior era de R$ 15,00. O Safra também rebaixou a recomendação para neutra.

O Safra incorporou premissas macroeconômicas atualizadas e resultados trimestrais mais recentes da companhia, além de refinamentos das estimativas e um novo custo de capital próprio (Ke).

O Safra vê a MYPK3 negociando a 5,7x P/L para 2026, 24% acima de sua média histórica de 3 anos, e projeta um
upside de 13%, que considera mais exigente.

O Safra justificiou que rebaixou a recomendação para neutra dado o menor potencial de valorização e levando em conta:

  • (i) demanda mais fraca nos EUA e no Brasil, que juntos representam aproximadamente 54% da receita da MYPK. Essa desaceleração deve pesar sobre o desempenho da empresa, comprimindo margens e levando a um processo de desalavancagem mais lento que o antecipado;
  • (ii) apreciação do real, que deve pressionar o crescimento da receita, já que mais de 70% da receita da empresa vem do mercado internacional.

O que mudou na avaliação da Iochpe-Maxion (MYPK3)?

Para 2026, o Safra reduziu a estimativa de receita em 8,5%, para R$ 15,7 bilhões, e ajustou a margem EBITDA para 10,3% (ante 10,6%). A queda tanto da receita quanto da rentabilidade deve resultar em desalavancagem mais lenta do que a prevista anteriormente, e o Safra estima a relação dívida líquida/EBITDA da companhia em 2,4x no fim de 2026 (ante 2,1x anteriormente).

Ventos contrários importantes no exterior

De forma geral, a fraqueza contínua do mercado norte americano deve continuar pesando nas operações da Iochpe, segundo o Safra. Barreiras comerciais — incluindo as tarifas do “Liberation Day” e medidas da Seção 232 — reforçaram uma postura cautelosa dos clientes, o que levou os volumes em 2025 a caírem 2%, enquanto a produção de veículos comerciais e pesados recuou 28%.

Olhando para 2026, o cenário permanece desfavorável: a demanda por veículos pesados na América do Norte deve cair mais 5%, refletindo a cautela contínua e uma atividade de frete mais fraca. Isso deve seguir pressionando a demanda por rodas e componentes estruturais da Iochpe na região.

Mercado doméstico desafiador

No Brasil, associações do setor também projetam um 2026 desafiador, com a produção de leves superando a de pesados. A Anfavea projeta crescimento de 3,8% para veículos leves versus 1,4% para pesados, apoiado pelo novo programa de subsídio para caminhões.

Como veículos pesados têm margens maiores, esse mix deve manter a rentabilidade doméstica pressionada. Adicionalmente, a apreciação do real frente ao dólar pode pesar ainda mais sobre o crescimento da receita, dado que mais de 70% do faturamento da companhia vem do exterior.

Principais riscos a monitorar:

  • (i) Forte dependência da indústria automotiva;
  • (ii) juros elevados no Brasil prejudicando volumes;
  • (iii) alta exposição à volatilidade dos preços de matérias primas;
  • (iv) redução de volumes no mercado dos EUA devido a tarifas de importação;
  • (v) forte dependência de um número limitado de montadoras;
  • (vi) baixo poder de barganha;
  • (vii) pressões regulatórias e ESG.

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