O Inter & Co (INBR32) reportou lucro líquido controlado de R$ 421 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7% em relação ao trimestre anterior e de 34% na comparação anual.
O resultado ficou 4% acima da estimativa do Safra. O retorno sobre o patrimônio líquido alcançou 16,3%, reforçando a melhora da rentabilidade no período.
O lucro antes das provisões também veio ligeiramente acima do esperado, com avanço de 1% em relação à projeção do banco.
Na avaliação do Safra, o desempenho positivo do lucro foi relevante. No entanto, a piora dos indicadores de qualidade da carteira de crédito limita uma leitura mais construtiva do balanço.
Receita avança no trimestre
A receita líquida do Inter somou R$ 2,64 bilhões, alta de 8% no trimestre e de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número ficou 2% acima da estimativa do Safra.
A margem financeira também avançou, beneficiada pela contabilização de instrumentos de proteção ligados aos empréstimos imobiliários. Esse efeito adicionou R$ 175 milhões ao resultado do trimestre.
No primeiro trimestre, esse mesmo fator havia pressionado os números. Agora, passou a contribuir de forma positiva.
Por outro lado, as receitas de serviços ficaram abaixo das expectativas, principalmente por causa de menores receitas com cartões, corretagem e investimentos.
Clientes seguem em expansão
A base de clientes do Inter cresceu 3% em relação ao trimestre anterior e 15% na comparação anual.
Além do aumento da base, a companhia também registrou avanço da receita média por cliente. O custo de atendimento por cliente permaneceu estável, em R$ 13.
Esses indicadores mostram ganho de escala e reforçam a evolução operacional da plataforma.
A melhora da eficiência também apareceu no resultado. O índice de eficiência avançou 117 pontos-base no trimestre, impulsionado pela alavancagem operacional.
Crédito desacelera
A carteira de crédito do Inter cresceu 4% no trimestre e 29% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 51,9 bilhões.
O avanço ficou em linha com a estimativa do Safra. Os principais motores foram crédito imobiliário, pequenas e médias empresas e cartão de crédito.
Apesar do crescimento, o banco reduziu o ritmo de concessão em segmentos de maior risco, como cartão de crédito e consignado privado.
A carteira de consignado privado adicionou R$ 300 milhões no trimestre, abaixo do ritmo usual de cerca de R$ 600 milhões.
Para o Safra, essa desaceleração mostra postura mais seletiva em um ambiente de crédito mais desafiador.
Inadimplência preocupa
A qualidade dos ativos foi o principal ponto de atenção do trimestre.
A inadimplência acima de 90 dias subiu 19 pontos-base e atingiu 5,3% da carteira. Já os atrasos entre 15 e 90 dias avançaram 20 pontos-base, mesmo em um período que costuma ter sazonalidade mais favorável.
Além disso, os créditos classificados em estágio de maior risco cresceram 11% no trimestre e passaram a representar 7,2% da carteira total.
O índice de cobertura desses créditos caiu para 98,8%, recuo de 4,32 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
Esse movimento indica aumento do risco de crédito e sugere que as provisões podem continuar pressionando os resultados nos próximos períodos.
Provisões sobem, mas seguem controladas
As despesas com provisões cresceram 10% em relação ao trimestre anterior e ficaram em linha com as estimativas do Safra.
O custo de risco subiu 33 pontos-base, para 5,9%.
Ainda assim, a margem financeira ajustada ao risco avançou 7 pontos-base no trimestre, para 5,7%. Como resultado, o lucro bruto cresceu 7% em relação ao primeiro trimestre e superou a projeção do Safra em 3%.
O desempenho mostra que a operação ainda conseguiu compensar parte da pressão vinda da piora da carteira.
Capital permanece adequado
O Inter encerrou o segundo trimestre de 2026 com índice de Basileia de 14,4%, alta de 42 pontos-base em relação ao trimestre anterior.
O capital principal ficou em 11,5%, com leve queda de 4 pontos-base no período.
Os indicadores permanecem em patamar confortável, embora a piora da qualidade dos ativos exija acompanhamento mais próximo.
O que esperar do Inter
Na visão do Safra, o resultado do Inter traz sinais mistos.
O lucro veio acima do esperado, a receita cresceu em ritmo forte e a eficiência operacional melhorou. Além disso, o lucro por ação e o lucro bruto superaram as estimativas.
Por outro lado, a deterioração da qualidade do crédito segue como principal risco. A alta da inadimplência, a queda da cobertura e o aumento dos créditos de maior risco indicam um cenário mais exigente para os próximos trimestres.
Ainda assim, o Safra avalia que parte relevante dessa piora já pode estar refletida no preço das ações, após o movimento recente dos papéis.
Diante desse cenário, o Safra mantém recomendação neutra para Inter & Co (INTR), com expectativa de reação equilibrada do mercado ao balanço.