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Intelbras registra avanço e supera expectativas de lucro no segundo trimestre

A Intelbras (INTB3) superou as expectativas de lucro e rentabilidade no segundo trimestre, com destaque para a forte expansão das margens


A Intelbras (INTB3) reportou receita líquida de R$ 1,149 bilhão no segundo trimestre, queda de 8% na comparação anual, mas em linha com as estimativas do Safra e ligeiramente acima do consenso de mercado.

Apesar da retração anual, influenciada pela forte base de comparação do mesmo período de 2025, a companhia acumulou crescimento de 4% na receita do primeiro semestre de 2026.

O principal destaque ficou para a rentabilidade. O EBITDA alcançou R$ 169 milhões, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a margem EBITDA avançou para 14,7%, superando as expectativas do mercado.

A margem bruta também apresentou forte expansão e atingiu 33,1%, beneficiada principalmente por um efeito temporário relacionado aos estoques.

O que impulsionou a rentabilidade

Segundo a avaliação do Banco Safra, a melhora das margens foi resultado de três fatores principais.

O primeiro foi o efeito de custo de reposição dos estoques. Os preços de venda já refletem custos mais recentes, enquanto parte dos produtos vendidos ainda carregava custos históricos mais baixos. Como consequência, o custo dos produtos vendidos recuou 13% na comparação anual, ampliando a rentabilidade.

O segundo fator foi a melhora no mix de vendas. A companhia reduziu sua exposição aos segmentos de energia solar e redes GPON, que possuem margens mais pressionadas, aumentando o peso de linhas mais rentáveis.

Além disso, o impacto negativo do ajuste a valor presente foi menor no período, contribuindo para o avanço da lucratividade.

No entanto, o Safra avalia que parte relevante desse benefício deve perder força nos próximos trimestres, à medida que estoques adquiridos a custos mais elevados forem reconhecidos no resultado.

Tecnologia lidera crescimento da receita

O desempenho das unidades de negócio foi misto no trimestre.

A divisão de Segurança registrou receita de R$ 690 milhões. Embora tenha apresentado queda anual de 11%, o resultado ainda reflete uma base de comparação elevada após a normalização operacional observada em 2025. No acumulado do primeiro semestre, o segmento segue acima dos níveis registrados um ano antes.

A área de Tecnologia da Informação e Comunicação foi o principal destaque. A receita atingiu R$ 283 milhões, com crescimento de 7% na comparação anual e de 13% frente ao trimestre anterior.

O avanço foi impulsionado principalmente pelos negócios de cabeamento estruturado e redes corporativas. Além disso, medidas antidumping implementadas no fim de 2025 continuam favorecendo a demanda por cabos ópticos produzidos localmente. A fábrica de Tubarão opera próxima da capacidade máxima.

Já o segmento de Energia registrou receita de R$ 175 milhões. O resultado ficou abaixo do observado um ano antes devido à saída dos projetos solares de grande escala, mas mostrou recuperação em relação ao trimestre anterior.

Expansão das margens ocorreu em todas as divisões

Todas as unidades de negócio apresentaram melhora na margem bruta.

O segmento de Segurança alcançou margem de 35,8%, enquanto Tecnologia da Informação e Comunicação registrou 28,2%. Já a divisão de Energia atingiu 30,1%, beneficiada pelo aumento da participação de produtos como nobreaks e carregadores para veículos elétricos.

Além do efeito dos estoques, a mudança no portfólio de vendas contribuiu para o avanço da rentabilidade em toda a operação.

Por outro lado, as despesas com vendas, gerais e administrativas permaneceram praticamente estáveis em valores absolutos, mas passaram a representar uma parcela maior da receita líquida.

Resultado financeiro reforça crescimento do lucro

O lucro líquido da Intelbras somou R$ 158 milhões no trimestre, avanço de 16% em relação ao mesmo período de 2025 e resultado superior às expectativas do mercado.

A margem líquida permaneceu em 13,8%, mantendo um patamar elevado para a companhia.

O resultado financeiro também contribuiu para o desempenho. As receitas financeiras cresceram de forma expressiva, impulsionadas pelo maior rendimento das aplicações financeiras da empresa.

Esse efeito compensou parcialmente o aumento da alíquota efetiva de impostos observada no período.

Perspectivas

O resultado do segundo trimestre reforça a capacidade da Intelbras de capturar ganhos de rentabilidade mesmo em um ambiente de crescimento moderado da receita.

Na avaliação do Safra, o desempenho operacional foi sólido e superou as expectativas do mercado. Ainda assim, parte relevante da expansão das margens decorre de fatores temporários relacionados ao custo dos estoques.

Com a normalização desse efeito ao longo dos próximos trimestres, a evolução da rentabilidade dependerá cada vez mais da estratégia de mix de produtos, da disciplina operacional e da capacidade da companhia de expandir seus negócios de maior valor agregado.


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