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Inflação de alimentos tem carne em alta e cerveja mais fraca

Preços da carne bovina aceleram em abril no Brasil, enquanto cerveja e outras proteínas perdem força na inflação de alimentos


A carne bovina foi o principal destaque de alta no índice de preços de abril. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o item subiu 2,1% em relação a março e acumulou alta de 9,2% em 12 meses.

O movimento contrastou com o comportamento das demais proteínas e também superou a alta média de 1,3% do grupo de alimentos e bebidas no mês. Na avaliação do Safra, esse desempenho favorece companhias com maior exposição ao segmento bovino, como Minerva (BEEF3) e JBS (JBSS3).

Suínos e frango perdem força

Enquanto a carne bovina acelerou, os preços de outras proteínas recuaram em abril. Os preços da carne suína caíram 1,9% no mês, enquanto os cortes de frango recuaram 2,1%. Os processados também mostraram leve baixa, de 0,2%.

Para o Safra, o comportamento sugere um ambiente doméstico de consumo mais pressionado, apesar do desempenho ainda robusto das exportações de aves e suínos. Nesse contexto, a leitura do banco para o mês é negativa para o segmento de suínos, representado por Marfrig (MRFG3) e JBS, e neutra para aves.

Spreads mostram quadro misto entre proteínas

Os spreads domésticos das proteínas também trouxeram sinais diferentes entre os segmentos. Em aves, houve melhora mensal. Em bovinos, o indicador ficou praticamente estável. Já em suínos, o desempenho foi mais fraco, com queda de 11% na comparação mensal.

Esse quadro reforça a leitura de que a cadeia bovina atravessa um momento relativamente melhor no mercado doméstico, enquanto suínos seguem mais pressionados.

Cerveja desacelera em abril

Entre as bebidas, a cerveja mostrou perda de força em abril. Os preços médios subiram 4,2% em 12 meses, abaixo dos 5% registrados em março, o que indica desaceleração.

No consumo dentro de casa, houve leve deflação de 0,4% no mês, embora o acumulado em 12 meses ainda mostre alta de 5,1%. Fora de casa, os preços ficaram praticamente estáveis no mês e acumulam avanço de 3% em 12 meses.

Na prática, abril marcou uma reversão da tendência de aceleração observada nos meses anteriores. Para o Safra, a leitura para bebidas segue neutra, com impacto limitado para Ambev (ABEV3).

Refrigerantes mantêm tendência de alta

Os refrigerantes continuaram a mostrar inflação mais estável e disseminada. Em abril, os preços subiram 5,4% em média na comparação anual.

No consumo no domicílio, a alta foi de 5,6% em 12 meses, com avanço de 0,4% no mês. Fora do domicílio, os preços subiram 4,6% em 12 meses e 0,9% em relação a março.

Assim, diferentemente da cerveja, os refrigerantes mantiveram trajetória de aumento semelhante à observada nos meses anteriores.

Feijão segue pressionado e arroz sobe no mês

Entre os alimentos básicos, o feijão continuou a pressionar a inflação. Os preços do item subiram 3,5% em abril e acumulam alta de 29,1% em 12 meses.

O arroz também avançou no mês, com alta de 2,5%, embora ainda registre queda expressiva de 21,6% na comparação anual. Já itens como biscoitos e margarina seguem entre os componentes com maior inflação acumulada em 12 meses.

Para o Safra, o efeito sobre empresas de alimentos básicos e indulgentes, como M. Dias Branco (MDIA3), permanece neutro.

O que abril sinaliza para o setor

Na visão do Safra, os dados de abril trazem leitura positiva para bovinos, neutra para aves, negativa para suínos e neutra para bebidas e alimentos básicos.

O principal ponto do mês foi a mudança de comportamento da carne bovina, que voltou a acelerar e se destacou das demais proteínas. Ao mesmo tempo, a perda de força de cerveja e a queda de preços em suínos e frango indicam um ambiente de consumo doméstico mais seletivo.


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