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ANÁLISE

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Inflação da construção desacelera e reduz pressão sobre construtoras

Alta de custos perdeu força no mês, com moderação em materiais e mão de obra, o que alivia parte das preocupações do mercado com o setor imobiliário


A inflação da construção desacelerou em maio, depois da alta mais intensa registrada em abril. O movimento refletiu uma acomodação parcial dos custos de materiais e uma moderação na mão de obra, embora o cenário ainda siga pressionado em 12 meses.

O Índice Nacional de Custo da Construção caiu para 0,77% em maio, com recuo de 27 pontos-base em relação a abril. Ainda assim, o acumulado em 12 meses avançou para 6,82%, o maior nível recente do indicador.

A leitura do mês sugere um ambiente mais benigno no curto prazo. Por outro lado, o setor ainda convive com pressões associadas ao petróleo mais caro, ao custo logístico e às tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Materiais seguem como principal foco

Os materiais e equipamentos continuaram como o principal fator de pressão no acumulado em 12 meses. Esse grupo representa cerca de 55% do índice e registrou alta de 1,08% em maio, abaixo de 1,40% em abril.

Com isso, a inflação desse componente em 12 meses subiu para 5,7%. Entre os itens estruturais, que respondem por parcela relevante do índice, a alta mensal desacelerou para 0,99%, depois de 1,82% no mês anterior.

Esse comportamento mostra que os custos seguem elevados, mas em ritmo menos intenso. Para o mercado, essa mudança de inclinação já ajuda a reduzir o risco de uma nova rodada de aceleração mais forte no curto prazo.

Mão de obra também traz alívio

A mão de obra, que representa cerca de 40% do índice, subiu 0,43% em maio, abaixo dos 0,61% observados em abril. Em 12 meses, a inflação desse componente recuou para 8,40%.

A moderação ocorreu mesmo com reajustes sazonais em São Paulo. Ainda assim, parte relevante desse efeito deve aparecer apenas em junho, o que recomenda cautela na leitura do dado mais recente.

De todo modo, o resultado de maio foi melhor do que o esperado. Isso porque o arrefecimento conjunto de materiais e mão de obra reduziu o temor de uma deterioração mais aguda das margens das construtoras no curto prazo.

PVC, impermeabilização e cimento lideram altas

Entre as maiores altas do mês, tubos e conexões de PVC subiram 2,82% e lideraram o avanço pelo segundo mês seguido. Na sequência apareceram impermeabilização, com alta de 2,78%, e cimento Portland comum, com elevação de 2,51%.

Na ponta oposta, fios elétricos recuaram 0,18%, enquanto dobradiças e fechaduras caíram 0,16%. Embora essas quedas tenham sido pontuais, elas reforçam a leitura de desaceleração em parte dos insumos.

Rio lidera inflação mensal

O Rio de Janeiro registrou a maior inflação mensal entre as capitais monitoradas, com alta de 0,96% em maio. Porto Alegre veio logo depois, com 0,86%, seguida por Recife, com 0,85%.

No acumulado em 12 meses, Porto Alegre mostrou a maior inflação, com 7,79%. São Paulo apareceu na sequência, com 7,38%.

Já Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte apresentaram os menores níveis em 12 meses, todos próximos de 5,9%. O quadro mostra uma pressão disseminada, mas com intensidade desigual entre as regiões.

Setor ainda encontra espaço para repasse

Apesar das pressões de custo, o ambiente para o setor de construção segue mais favorável do que no choque inflacionário de 2020 a 2022. A principal diferença está na acessibilidade do programa Minha Casa Minha Vida, que permanece em nível elevado e facilita o repasse de preços ao consumidor final.

Além disso, muitas companhias já trabalham com premissas mais conservadoras de inflação em seus orçamentos, em torno de 8%. Isso reduz o risco de revisões abruptas de expectativa ao longo dos próximos trimestres.

Nesse contexto, a recente queda das ações do setor parece ter incorporado boa parte dos riscos para os resultados. Os níveis atuais, portanto, começam a abrir uma janela mais atraente para investidores com horizonte mais longo.

Mercado pode favorecer nomes mais defensivos

Mesmo com uma visão positiva para o setor de construção, a volatilidade maior tende a estimular um movimento de busca por qualidade. Em outras palavras, o mercado pode privilegiar empresas com execução mais consistente, maior previsibilidade e mais instrumentos para enfrentar pressões inflacionárias.

Entre os nomes acompanhados, Direcional (DIRR3) aparece como a principal escolha. A companhia parece melhor posicionada em um ambiente de inflação mais alta, sobretudo por ainda contar com um colchão relevante de economia de custos a ser reconhecido.

Além disso, a ação negocia a um múltiplo considerado atrativo para o fim de 2027. Mesmo em um cenário mais conservador, com surpresa negativa de 2 pontos percentuais na margem bruta, o papel ainda permaneceria em patamar descontado.

O que acompanhar nos próximos meses

A evolução do setor imobiliário deve depender de alguns fatores centrais:

  1. comportamento dos custos de materiais ao longo do segundo trimestre;
  2. efeito integral dos reajustes de mão de obra em junho;
  3. capacidade das construtoras de repassar preços sem perda de demanda;
  4. manutenção da acessibilidade no programa habitacional;
  5. reação das ações diante de um ambiente mais volátil.

Análise dos especialistas

A desaceleração da inflação da construção em maio trouxe um alívio importante para o setor. O dado não elimina as pressões de custo, mas reduz o risco de um agravamento mais forte no curto prazo.

Ao mesmo tempo, o segmento residencial ainda se apoia em fundamentos mais sólidos do que os observados em ciclos anteriores de inflação elevada. Com isso, o setor continua oferecendo oportunidades, sobretudo entre as companhias mais preparadas para navegar em um ambiente de custos mais altos, como Direcional.


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