A inflação do setor de construção acelerou em agosto, após os reajustes salariais sazonais pressionarem os custos de mão de obra. O Índice Nacional de Custo da Construção, calculado pela Fundação Getulio Vargas, subiu 0,85% no mês, uma alta 0,23 ponto percentual maior do que a registrada em julho.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 6,56%, avanço de 0,16 ponto percentual na comparação mensal.
A aceleração ocorreu principalmente nos custos de mão de obra, que representam cerca de 40% do índice. O grupo avançou 1,56% em agosto, ante 0,93% em julho, marcando a terceira alta mensal consecutiva.
Em 12 meses, os custos de mão de obra acumulam alta de 7,81%, 0,75 ponto percentual acima do registrado no mês anterior. O movimento reflete os efeitos persistentes dos reajustes salariais sazonais realizados em maio.
Materiais seguem em desaceleração
Apesar da pressão sobre os salários, os custos de materiais mantiveram a trajetória de desinflação observada nos meses anteriores. O grupo, que representa aproximadamente 55% do índice, subiu 0,33% em agosto, abaixo da alta de 0,42% registrada em julho.
No acumulado em 12 meses, a inflação de materiais desacelerou para 5,88%, ante 6,11% no mês anterior.
O destaque foi o grupo de materiais de acabamento, responsável por cerca de 13% do índice. A alta mensal caiu para 0,13%, ante 0,73% em julho.
O resultado reforça a perspectiva de menor pressão sobre os custos de construção, embora parte desse alívio tenha sido compensada pela aceleração da mão de obra.
Tubos e conexões lideram altas
Entre os principais componentes do índice, tubos e conexões de PVC registraram a maior alta de preços em agosto, com avanço de 2,92%.
Na sequência, apareceram os preços de operadores de máquinas, que subiram 2,86%, e de engenheiros, com alta de 1,89%.
Por outro lado, alguns materiais apresentaram quedas relevantes. Os preços do vidro recuaram 1,93%, enquanto os pisos cerâmicos para revestimento caíram 1,37%. Os eletrodutos de PVC tiveram baixa de 1,29%.
Porto Alegre tem maior alta mensal
Porto Alegre apresentou a maior inflação mensal entre as capitais analisadas, com alta de 1,89% em agosto. Em julho, a variação havia sido de 0,33%.
Brasília veio na sequência, com avanço de 1,70%, alta de 1,48 ponto percentual em relação ao mês anterior. São Paulo registrou aumento de 1,10%, 0,21 ponto percentual acima do resultado de julho.
No acumulado em 12 meses, Brasília e Rio de Janeiro mantiveram as menores taxas de inflação da construção, de 5,28% e 5,32%, respectivamente.
São Paulo apresentou a maior alta acumulada, de 7,37%, seguida por Porto Alegre, com 6,86%, e Salvador, com 6,13%.
Safra mantém visão positiva
Na avaliação do Banco Safra, o resultado de agosto reforça a redução das pressões sobre os custos de materiais. A inflação desse grupo desacelerou pelo quinto mês consecutivo, à medida que perdem força os efeitos do choque de custos provocado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
Ao mesmo tempo, a inflação de mão de obra voltou a acelerar, refletindo os reajustes salariais sazonais ocorridos no primeiro semestre de 2026.
Ainda assim, o índice acumulado em 12 meses encerrou agosto em aproximadamente 6,6%, abaixo das premissas mais conservadoras incorporadas aos orçamentos das construtoras.
Para o Safra, a recente correção das ações do setor criou pontos de entrada atrativos. As principais preferências do banco são Direcional Engenharia (DIRR3) e Cury Construtora e Incorporadora (CURY3), empresas que combinam fundamentos considerados sólidos com potencial de valorização.