O Iguatemi (IGTI11) divulgou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, com desempenho operacional saudável e números ligeiramente acima das expectativas do Banco Safra. O destaque ficou para o crescimento do lucro operacional ajustado, impulsionado pela melhora das margens, redução das despesas imobiliárias e menor impacto das despesas financeiras.
A companhia manteve indicadores operacionais consistentes mesmo diante de uma base de comparação mais exigente e de fatores que afetaram o fluxo de consumidores em junho, como a realização da Copa do Mundo.
Crescimento das vendas e alta ocupação sustentam desempenho
As vendas nas mesmas áreas dos shoppings avançaram 4,2% na comparação anual. Já as vendas por metro quadrado cresceram 4,6%, reforçando a resiliência dos ativos da companhia.
A taxa de ocupação dos empreendimentos atingiu 96,9%, alta de 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o custo de ocupação dos lojistas permaneceu controlado, em 10,8%.
Outro indicador positivo foi a inadimplência líquida, que permaneceu em apenas 0,1%, abaixo do registrado um ano antes. Esse cenário tende a favorecer novos reajustes de aluguel nos próximos períodos.
Receita supera expectativas do mercado
A receita líquida alcançou R$ 396 milhões, crescimento de 2% em relação ao segundo trimestre de 2025 e resultado 3% acima da projeção do Safra.
A receita de aluguel somou R$ 279 milhões. Apesar da redução anual, influenciada principalmente pela diminuição da área bruta locável após movimentações no portfólio, a companhia continuou registrando crescimento dos aluguéis em mesmas lojas.
A divisão de varejo teve forte desempenho e registrou expansão de 26% na receita. Esse avanço compensou parcialmente a queda de 10% nas receitas de estacionamento.
Ganho de eficiência amplia margens
A redução dos custos relacionados à vacância e um mix de ativos mais favorável contribuíram para uma queda de 17,2% nas despesas imobiliárias.
Como resultado, o resultado operacional dos ativos imobiliários alcançou R$ 313 milhões, avanço de 3% na comparação anual. A margem dessa operação permaneceu elevada, em 90,8%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado atingiu R$ 291 milhões, crescimento de 1% em relação ao mesmo período de 2025 e desempenho superior às estimativas do Safra.
Apesar do aumento das despesas administrativas, a margem operacional da divisão de varejo apresentou forte evolução, refletindo ganhos de eficiência e maior rentabilidade do segmento.
Lucro operacional cresce mais de 20%
A combinação entre melhora operacional e redução de 33% no resultado financeiro negativo impulsionou o lucro operacional ajustado da companhia.
O indicador alcançou R$ 171 milhões no trimestre, crescimento de 21% na comparação anual e resultado cerca de 3% acima das projeções do Safra.
A margem do lucro operacional ajustado chegou a 43,2%, representando avanço de 6,9 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025.
No encerramento do período, a alavancagem financeira ficou em 1,8 vez a relação entre dívida líquida e EBITDA, nível considerado confortável para o setor.
Perspectivas para Iguatemi seguem favoráveis
Na avaliação do Safra, os resultados foram sólidos, embora próximos das expectativas do mercado, o que tende a limitar uma reação mais significativa das ações no curto prazo.
Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra para Iguatemi. A visão positiva se apoia na qualidade do portfólio da companhia, considerado o mais premium do segmento de shopping centers no Brasil.
Empreendimentos como Iguatemi São Paulo e JK Iguatemi respondem por cerca de 40% das receitas de aluguel e estão entre os ativos com maior volume de vendas por metro quadrado do país.
Além disso, o Safra projeta geração atrativa de caixa nos próximos anos, apoiada pela qualidade dos ativos, elevada ocupação e potencial de crescimento dos aluguéis.