O Banco Safra atualizou suas estimativas para a Hypera (HYPE3) e elevou o preço-alvo da ação para R$ 30 nos próximos 12 meses, ante R$ 29,50 na projeção anterior. O novo valor representa potencial de valorização de 42% em relação à cotação considerada na análise.
A revisão incorporou os resultados do segundo trimestre de 2026, uma redução marginal na margem do resultado operacional e uma melhora no ciclo de caixa da companhia.
No segundo trimestre, o ciclo de caixa da Hypera diminuiu 35 dias na comparação anual. O desempenho ficou acima da estimativa anterior do Safra, que previa estabilidade nesse indicador.
Para o banco, a combinação entre maior eficiência financeira, crescimento das vendas e redução do endividamento fortalece a tese de investimento na companhia.
Três pilares sustentam a tese
A visão construtiva do Safra para a Hypera está baseada em três fatores principais.
O primeiro é o ganho de participação no mercado. A companhia continua crescendo acima do mercado de medicamentos sem patente, segmento em que atua com marcas conhecidas e produtos de grande escala.
O segundo pilar está relacionado ao lançamento de novos produtos. Segundo a análise, essas novidades podem ampliar o mercado potencial da Hypera para R$ 6,2 bilhões, sem considerar os medicamentos à base de semaglutida.
O terceiro fator é a geração de caixa. A melhora no ciclo financeiro deve contribuir para uma redução mais rápida do endividamento. A projeção do Safra indica que a relação entre dívida líquida e resultado operacional pode cair de 2,1 vezes no segundo trimestre de 2026 para 1,5 vez em 2027.
Ação negocia abaixo da média
A Hypera é negociada atualmente a 6,7 vezes o lucro projetado para 2027. O múltiplo está abaixo da média histórica de 7,9 vezes, segundo o Safra.
No preço-alvo de R$ 30, a ação passaria a ser negociada a 9,1 vezes o lucro estimado para 2027. Esse nível está próximo da média observada nos últimos dois anos.
Na avaliação do banco, o desconto atual pode representar uma oportunidade de entrada para investidores que acompanham a recuperação operacional da companhia e a redução gradual de sua alavancagem financeira.
A avaliação considera o método de fluxo de caixa descontado, que estima o valor de uma empresa a partir da capacidade futura de geração de recursos. As principais premissas financeiras foram mantidas na atualização.
Estimativas mudam pouco
O Safra fez ajustes moderados nas projeções operacionais da Hypera para os próximos três anos.
A estimativa para o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, conhecido pela sigla EBITDA, foi reduzida em 2% para 2026. Para 2027 e 2028, a projeção permaneceu praticamente estável.
O banco passou a considerar vendas um pouco maiores em 2027 e 2028. Ao mesmo tempo, incorporou custos e despesas ligeiramente mais elevados.
As estimativas para as despesas financeiras líquidas foram reduzidas em 10% para 2026, 20% para 2027 e 30% para 2028. A revisão reflete a expectativa de um ciclo de caixa mais eficiente e de uma geração de caixa maior.
Mesmo com a melhora financeira, a projeção de lucro líquido recuou 2% em 2026 e 2027. O motivo é a expectativa de que a companhia limite a distribuição de juros sobre capital próprio a R$ 750 milhões, reduzindo o benefício fiscal em relação ao modelo anterior.
Para 2028, a projeção de lucro líquido aumentou 5%. Nesse cenário, o Safra considera a possibilidade de pagamento integral dos juros sobre capital próprio, apoiada por uma posição de dívida mais confortável.
Semaglutida pode ampliar potencial
O cenário-base do Safra não inclui receitas com o Semavy, medicamento à base de semaglutida desenvolvido pela Hypera. O produto ainda depende da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.
Por isso, a análise considera o medicamento como uma possibilidade adicional, e não como parte da projeção principal.
Em um cenário que inclui as vendas do Semavy a partir do terceiro trimestre de 2026, o resultado operacional da Hypera poderia ser 6% maior em 2027 e 2028. O lucro líquido também poderia crescer 7% nos dois anos.
Nesse caso, o preço-alvo estimado pelo Safra subiria para R$ 33 por ação, o que representaria potencial de valorização de 56%.
Riscos permanecem no radar
Apesar da visão positiva, o Safra destaca riscos que podem afetar o desempenho da Hypera.
Entre eles estão uma piora no cenário macroeconômico, o aumento da competição, eventuais dificuldades na execução da estratégia e mudanças na jornada de trabalho.
A análise também ressalta que o desempenho da ação dependerá da capacidade da companhia de manter o crescimento acima do mercado, lançar novos produtos e converter os resultados operacionais em geração de caixa.
Considerando o valuation atual, a melhora do ciclo financeiro e o potencial de expansão do portfólio, o Safra entende que a Hypera apresenta uma relação favorável entre risco e retorno.