A farmacêutica Hypera (HYPE3) registrou receita líquida de R$ 2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 87% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço já era esperado, já que o primeiro trimestre de 2025 havia sido afetado pelo início do plano de reestruturação operacional e por ajustes em recebíveis, em meio ao esforço para melhorar a dinâmica de capital de giro.
Os números vieram em linha com as estimativas do Banco Safra. Além disso, a companhia manteve prazo médio de recebimento de 60 dias no trimestre, o que reforça a leitura de maior disciplina financeira.
Por outro lado, o desempenho das vendas ao consumidor final ficou abaixo do crescimento do mercado. O sell-out da Hypera avançou 9,4% na comparação anual, enquanto os dados da Sindusfarma para medicamentos sem patente apontaram alta de 11% no período.
Margens voltam ao padrão histórico
A rentabilidade da Hypera voltou a níveis mais próximos do histórico da companhia. O lucro bruto somou R$ 1,2 bilhão, com margem bruta de 60%. O resultado reflete melhora do mix de vendas e ganhos de eficiência, após os efeitos negativos dos ajustes de estoques e capital de giro no mesmo trimestre do ano passado.
Na linha operacional, o EBITDA alcançou R$ 586 milhões, ante resultado negativo de R$ 149 milhões no primeiro trimestre de 2025. A margem EBITDA ficou em 29,1%, sustentada pela alavancagem operacional e em linha com os níveis históricos do negócio.
Já o lucro líquido chegou a R$ 347 milhões e superou a estimativa do Safra em 14%. O principal fator por trás desse desempenho foi o reconhecimento de créditos tributários acima do esperado.
Menor dívida melhora a leitura do balanço
A Hypera também mostrou evolução no ciclo de caixa. A companhia reduziu a dívida líquida em R$ 500 milhões no trimestre, desconsiderando os efeitos da oferta subsequente de ações de R$ 1,5 bilhão e os pagamentos de R$ 750 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
Além disso, a geração de fluxo de caixa livre cresceu 6% na comparação anual, para R$ 368 milhões. Esse movimento contou com apoio de uma redução de R$ 70 milhões nos investimentos em capital em relação ao mesmo período do ano passado.
Em base anualizada, o capital de giro encerrou o trimestre em 34% das vendas, bem abaixo dos 58% registrados um ano antes. Ao mesmo tempo, a relação entre dívida líquida e EBITDA ficou em 2,2 vezes, também em base anualizada.
Vendas ainda limitam visão mais positiva
Na avaliação do Safra, o resultado do trimestre foi positivo, principalmente pela melhora do balanço e pela redução da dívida líquida. Ainda assim, o banco mantém postura cautelosa em relação ao papel.
O ponto central dessa visão está no desempenho das vendas ao consumidor final. Embora a operação tenha mostrado recuperação, a Hypera ainda ficou atrás do crescimento do mercado em uma métrica importante para sustentar uma reavaliação mais positiva da ação.
Em outras palavras, uma mudança mais consistente na percepção sobre a companhia dependerá de sinais mais fortes de ganho de tração no sell-out nos próximos trimestres.
O que acompanhar daqui para frente
Os próximos resultados da Hypera (HYPE3) devem ser analisados a partir de três frentes principais:
- A evolução das vendas ao consumidor final, para verificar se a companhia volta a crescer acima ou ao menos em linha com o mercado.
- A manutenção das margens em patamar histórico, mesmo após a normalização da base de comparação.
- A continuidade da desalavancagem e da disciplina na gestão de capital de giro.
Por enquanto, o primeiro trimestre de 2026 mostra uma companhia mais organizada financeiramente e com operação em recuperação. Ainda assim, o mercado deve seguir exigindo sinais mais consistentes de crescimento de vendas para adotar uma visão mais construtiva sobre a ação.