A Hidrovias do Brasil (HBSA3) apresentou um conjunto de resultados pouco inspirador no segundo trimestre de 2026.
Apesar do aumento dos volumes transportados, o desempenho operacional continuou pressionado pelos gargalos logísticos no Corredor Norte. O problema reduziu a participação do Sistema Integrado, que concentra cargas de maior margem.
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização recorrente ajustado somou R$ 322 milhões, queda de 7,5% na comparação anual. O valor ficou 4% abaixo da estimativa do Safra, mas 1,8% acima da projeção de consenso.
A margem operacional ajustada recuou 2 pontos percentuais em um ano, para 48,5%.
Sistema Integrado perde força
A operação brasileira foi afetada pela queda dos volumes do Sistema Integrado. O volume transportado pelo sistema recuou 14% na comparação anual, para 1,272 milhão de toneladas.
Os volumes de fertilizantes caíram 70%, para 44 mil toneladas. Ao mesmo tempo, os volumes da Operação Rodoviária Direta, de menor margem, aumentaram 35%, para 777 mil toneladas.
A mudança no perfil das cargas resultou em um mix menos favorável para a companhia. Além disso, os gargalos no Corredor Norte indicam que as dificuldades operacionais ainda não foram totalmente resolvidas.
Receita cresce no Brasil e no Paraguai
A receita líquida da Hidrovias do Brasil recuou 4% em um ano, para R$ 664 milhões. O resultado foi influenciado pela venda do negócio de Navegação Costeira.
Excluindo esse efeito, a receita líquida teria crescido 7% na comparação anual.
No Brasil, a receita aumentou 6%, para R$ 359 milhões. O desempenho foi apoiado pelo crescimento de 35% nos volumes transportados em Santos e pelo reconhecimento de receitas previstas em contratos de fertilizantes no Corredor Norte.
Na operação do Paraguai, a receita avançou 8%, para R$ 305 milhões. Os volumes cresceram 10%, para 1,563 milhão de toneladas, impulsionados principalmente pelo aumento de 38% no transporte de minério de ferro.
Segundo a administração, a receita em dólares cresceu 21% na comparação anual, excluindo os efeitos cambiais. A valorização do real em relação ao dólar, porém, reduziu parte desse avanço nos resultados reportados em reais.
Despesas pressionam margens
O resultado operacional recorrente ajustado no Brasil somou R$ 184 milhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025.
A margem operacional recuou 3 pontos percentuais, para 51%. A queda refletiu o menor volume do Sistema Integrado e a maior participação de operações rodoviárias diretas, que apresentam margens menores.
As despesas operacionais também aumentaram. A companhia não contou com as reversões de provisões de remuneração variável registradas no segundo trimestre de 2025.
Além disso, houve aumento dos gastos com serviços de terceiros relacionados a iniciativas para melhorar o acesso à região portuária de Miritituba. Os investimentos em tecnologia voltados à produtividade e à eficiência operacional também cresceram.
Paraguai tem menor eficiência
O resultado operacional recorrente ajustado da operação paraguaia caiu para R$ 138 milhões, ante R$ 140 milhões no segundo trimestre de 2025.
A margem recuou 4 pontos percentuais, para 45%. O desempenho refletiu a menor eficiência operacional e o aumento dos custos de transporte associados à maior participação do minério de ferro no mix de cargas.
Lucro quase dobra
A Hidrovias do Brasil registrou lucro líquido de R$ 100 milhões no segundo trimestre de 2026, ante R$ 51 milhões no mesmo período do ano anterior.
O resultado ficou praticamente em linha com a estimativa do Safra, de R$ 99 milhões.
Além do desempenho operacional, o lucro foi beneficiado pela queda das despesas financeiras líquidas. Os gastos recuaram 5% em um ano, para R$ 100 milhões.
Dívida líquida diminui
A redução das despesas financeiras refletiu principalmente a menor perda relacionada à atualização dos valores de instrumentos financeiros e a queda da dívida média.
A companhia também avançou na gestão de passivos, incluindo a venda do negócio de Navegação Costeira.
Com isso, a dívida líquida caiu 29% na comparação anual, para R$ 2,2 bilhões. A alavancagem recuou para 2,4 vezes, ante 4 vezes no segundo trimestre de 2025 e 2,7 vezes no primeiro trimestre de 2026.
A melhora refletiu tanto a redução do endividamento quanto a maior geração do resultado operacional acumulado nos últimos 12 meses.
Riscos aumentam no segundo semestre
A menor contribuição do Sistema Integrado sugere que os gargalos operacionais no Corredor Norte ainda podem pressionar os resultados do terceiro trimestre de 2026.
Os riscos podem aumentar no quarto trimestre caso o fenômeno El Niño prejudique as condições de navegabilidade.
Apesar da melhora da dívida e da alavancagem, a Hidrovias do Brasil negocia a 22,8 vezes o lucro projetado para 2026. O múltiplo representa um prêmio de 83% em relação à média histórica de cinco anos, de 12,5 vezes.
Safra mantém recomendação neutra
O Safra mantém a recomendação neutra para as ações da Hidrovias do Brasil.
A melhora do lucro líquido e da estrutura de capital foi compensada pela fraqueza operacional, principalmente no Sistema Integrado. A menor participação de cargas de maior margem e os gargalos no Corredor Norte continuam como os principais pontos de atenção para os próximos trimestres.