A receita líquida da Hidrovias do Brasil (HBSA3) somou R$ 507 milhões no 4T25, alta de 115% em relação ao ano anterior e queda de 28% ante o trimestre imediatamente anterior. O número ficou 15% acima da estimativa do Safra e 36% acima do consenso. O desempenho foi puxado pela retomada dos volumes após a normalização da navegabilidade dos rios.
Desempenho por segmento no 4T25
- Corredor Norte: receita de R$ 230 milhões versus R$ 81 milhões no 4T24. Volumes de 1.830 kt, alta de 262% na comparação anual, com o Sistema Integrado em 1.535 kt (345 kt no 4T24) e o Direct Road em 193 kt (47 kt no 4T24).
- Corredor Sul: receita de R$ 205 milhões versus R$ 58 milhões no 4T24. Volumes de 893 kt, alta de 100% na comparação anual, impulsionados por avanço de 227% no minério de ferro transportado.
- Navegação Costeira: receita de R$ 21 milhões, queda de 63% na comparação anual, refletindo retração de 69% nos volumes.
EBITDA ajustado supera projeções
O EBITDA ajustado totalizou R$ 160 milhões, ante R$ 8 milhões negativos no 4T24. O resultado ficou 54% acima da estimativa do Safra e 33% acima do consenso, refletindo a normalização das condições de navegação.
EBITDA por segmento
- Corredor Norte: R$ 123 milhões, ante R$ 8 milhões negativos no 4T24.
- Corredor Sul: R$ 36 milhões, ante R$ 26 milhões negativos no 4T24.
- Santos: R$ 23 milhões, alta de 68% na comparação anual.
- Navegação Costeira: R$ 13 milhões, ante R$ 26 milhões no 4T24.
O EBITDA ajustado exclui perdas não recorrentes: baixa de R$ 123 milhões em ativos da Navegação Costeira vendidos em novembro de 2025, R$ 87 milhões em indenizações e impairment de R$ 16 milhões.
Lucro líquido permanece negativo, mas estrutura financeira melhora
A HBSA3 reportou prejuízo líquido de R$ 361 milhões no 4T25, ante prejuízo de R$ 408 milhões no 4T24. Excluídos os itens não recorrentes, o prejuízo ajustado seria de R$ 135 milhões, levemente acima da projeção do Safra de R$ 126 milhões negativos.
As despesas financeiras líquidas caíram 59% na comparação anual, para R$ 90 milhões, após redução de 45% na dívida líquida, que encerrou o período em R$ 2,2 bilhões.
A alavancagem, medida pela relação dívida líquida sobre EBITDA, recuou para 2,3 vezes, ante 2,9 vezes no 3T25 e 7,0 vezes no 4T24, refletindo navegabilidade normalizada, aumento de capital de 2025 e a venda do negócio de Navegação Costeira.
Apesar da recuperação operacional, a base de comparação de 2024 foi anormalmente fraca por conta da seca severa, o que amplifica as variações anuais. O Safra mantém recomendação Neutra para HBSA3. As ações negociam a 18,1 vezes o P/L 2026 estimado, 42% acima da média histórica de 12,7 vezes, o que sugere preço justo no curto prazo.