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Hapvida pode vender ativos e família controladora amplia participação

A Hapvida (HAPV3) avalia a venda de ativos na Região Sul, em um movimento que pode ajudar a concentrar esforços nas operações mais rentáveis e reduzir a alavancagem


A Hapvida (HAPV3) estuda uma possível descontinuação de ativos na Região Sul, segundo informação publicada no Valor. Entre os ativos avaliados estão a Clinipam, com operação no Paraná e em Santa Catarina, e a CCG/Centro Clínico Gaúcho, no Rio Grande do Sul, além de outros hospitais e clínicas.

Juntas, essas operações somam cerca de 481 mil beneficiários, o equivalente a 5,5% da base total da companhia, que alcança 8,7 milhões de vidas. Até o momento, não há um cronograma formal para a eventual operação.

O movimento ocorre dias depois de a Squadra Investimentos defender, em carta ao conselho, a venda de ativos nas regiões Sul e Sudeste. Além disso, a discussão acontece pouco após a saída do ex-presidente Jorge Pinheiro, que reconheceu que os resultados recentes ficaram abaixo do potencial da empresa.

Movimento é positivo para a tese de investimento

Na avaliação do Safra, a sinalização é positiva do ponto de vista estratégico. A possível venda de ativos ataca um dos principais pontos de atenção da tese de investimento da Hapvida: o desempenho mais fraco das operações nas regiões Sul e Sudeste, com pressão sobre a rentabilidade e impacto sobre o balanço.

Ainda que o efeito financeiro não pareça transformacional, a medida pode abrir espaço para uma operação mais concentrada em ativos com melhor retorno. Além disso, indica uma postura mais pragmática da administração e da família controladora diante de decisões relevantes no curto prazo para sustentar a criação de valor no longo prazo.

Efeito financeiro tende a ser limitado

O impacto financeiro potencial da operação parece restrito. Clinipam e CCG foram adquiridas originalmente pela GNDI por R$ 3,66 bilhões no total, sendo R$ 2,6 bilhões pela Clinipam e R$ 1,06 bilhão pela CCG. Esse valor implica um preço médio ponderado por beneficiário de cerca de R$ 7.200.

Desde dezembro de 2022, as operações da Região Sul perderam 177 mil beneficiários, o que representa uma queda de 27%. No mesmo período, o mercado de saúde suplementar da região avançou, o que reforça a leitura de desempenho abaixo do esperado desses ativos.

Considerando uma avaliação por beneficiário em linha com a da própria Hapvida, de R$ 1.489, o Safra estima que a venda poderia gerar aproximadamente R$ 716 milhões. Nesse cenário, a companhia reconheceria uma baixa contábil próxima de R$ 3 bilhões.

Ainda assim, os recursos poderiam contribuir para reduzir a dívida líquida em cerca de 10%. Com isso, a relação entre dívida líquida ajustada e geração de caixa operacional medida pelo EBITDA, excluindo ativos efetivos, cairia para 2,32 vezes no fim do quarto trimestre de 2025, ante 2,56 vezes.

Família Pinheiro amplia participação na companhia

Além da possível venda de ativos, a HAPV3 informou que a família Pinheiro elevou sua participação para 48,54%, considerando ações, ações emprestadas e derivativos. Excluídas as ações em tesouraria, essa fatia sobe para 51,39%.

O dado mais recente disponível no site de relações com investidores da companhia, com data de 28 de fevereiro de 2026, mostrava participação de 39,3% do capital total, ou 41,6% quando desconsideradas as ações em tesouraria.

O que o mercado deve observar agora

Os próximos passos da Hapvida devem se concentrar em dois pontos. O primeiro é a definição sobre a eventual venda dos ativos no Sul e o potencial de execução dessa estratégia. O segundo é a capacidade da companhia de melhorar rentabilidade e disciplina operacional em suas principais praças.

Para o Safra, a combinação entre possível reciclagem de portfólio e aumento da participação da família controladora sugere uma empresa mais disposta a enfrentar temas sensíveis. Mesmo com efeito financeiro limitado no curto prazo, a sinalização estratégica pode ajudar a sustentar uma percepção mais construtiva para a ação ao longo do tempo.


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