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Hapvida perde força no segundo trimestre e adia recuperação

A Hapvida (HAPV3) registra queda expressiva do resultado operacional, aumento das despesas e fluxo de caixa negativo, dificultando a retomada dos lucros


A Hapvida (HAPV3) apresentou um segundo trimestre de 2026 materialmente mais fraco. A deterioração atingiu praticamente todas as principais linhas operacionais e reduziu a visibilidade sobre uma recuperação dos resultados no curto prazo.

A receita líquida alcançou R$ 7,97 bilhões, alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025, mas 2% abaixo da estimativa do Banco Safra.

O resultado operacional ajustado somou R$ 504 milhões, queda de 44% na comparação anual e 17% abaixo da projeção do Safra. A margem operacional ajustada recuou de 10,2% no primeiro trimestre para 6,3% no segundo trimestre.

Base de beneficiários melhora

As adições líquidas de beneficiários dos planos de saúde ficaram negativas em 16 mil vidas. O resultado representa uma melhora em relação à perda de 45 mil beneficiários registrada no primeiro trimestre e à estimativa do Safra, de perda de 55 mil vidas.

A redução permaneceu concentrada no segmento corporativo, que perdeu 26 mil beneficiários. Os planos individuais, por outro lado, adicionaram 11 mil vidas, enquanto o segmento de afinidade cresceu 4 mil. A base de pequenas e médias empresas ficou praticamente estável.

Por região, Norte, Nordeste e Centro-Oeste registraram adição líquida de 6,6 mil beneficiários. A Região Sul, no entanto, perdeu 5,5 mil vidas.

A base de planos de livre escolha encerrou o trimestre com 322,1 mil beneficiários, redução de 3,9 mil no período. Apesar da queda, a trajetória mostra desaceleração das perdas.

Preços continuam avançando

O valor médio dos planos de saúde Hapvida chegou a R$ 305,90, alta de 5,7% em 12 meses e em linha com a projeção do Safra.

O avanço continua explicado principalmente pelos reajustes de preços, e não por uma mudança favorável na composição da carteira.

No segmento odontológico, a companhia adicionou 103,2 mil beneficiários. O valor médio por cliente ficou em R$ 10,40, queda de 5% na comparação anual.

A administração também informou que critérios mais rigorosos de rentabilidade e pagamento passaram a abranger 947 mil beneficiários. Essa base representa 11% dos clientes de planos de saúde e possui valor médio equivalente a aproximadamente metade da média consolidada.

Nas próximas renovações, a companhia poderá reajustar preços ou retirar parte desses beneficiários da carteira.

Custos médicos pressionam

O índice de custos médicos alcançou 75,2% no segundo trimestre. O indicador piorou 3,03 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre e 1,30 ponto percentual na comparação anual.

Além da pressão sazonal, o trimestre foi afetado pelo reconhecimento residual de contas médicas de março e pelo aumento das despesas relacionadas a depósitos judiciais em ações cíveis.

O custo médico por beneficiário avançou 8% em 12 meses, para R$ 230.

As despesas administrativas e gerais, excluindo itens não recorrentes, alcançaram 8,4% da receita. O indicador subiu 1,9 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.

Despesas judiciais aumentam

As contingências e os tributos totalizaram R$ 359 milhões no trimestre, ante R$ 283 milhões no primeiro trimestre.

As provisões para processos cíveis alcançaram R$ 324 milhões, alta de 97% na comparação anual. Essa linha representou 4,5% da receita líquida.

As multas aplicadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar recuaram para R$ 110 milhões, ante R$ 128 milhões no primeiro trimestre. A redução, porém, não foi suficiente para compensar o aumento das provisões judiciais.

A companhia ainda registrou R$ 211 milhões em novos depósitos judiciais em caixa, mais do que o dobro do valor observado no primeiro trimestre.

Prejuízo aumenta

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 344 milhões, embora tenha apresentado melhora de 18% na comparação anual.

A Hapvida registrou prejuízo líquido de R$ 217 milhões, ante prejuízo de R$ 154 milhões no primeiro trimestre e de R$ 206 milhões no segundo trimestre de 2025.

O lucro líquido ajustado somou R$ 12 milhões, queda expressiva em relação aos R$ 300 milhões registrados um ano antes.

Fluxo de caixa fica negativo

O fluxo de caixa antes do pagamento de juros ficou próximo da estabilidade, com resultado negativo de R$ 6 milhões. O cálculo considera o resultado operacional ajustado de R$ 504 milhões, pagamentos de arrendamento, investimentos, tributos e recursos destinados aos depósitos judiciais.

Os juros sobre empréstimos e debêntures consumiram R$ 849 milhões no trimestre, ante R$ 16 milhões no primeiro trimestre.

Como consequência, o fluxo de caixa livre após juros ficou negativo em R$ 855 milhões.

A deterioração do caixa reverteu o alívio observado no trimestre anterior e aumentou a pressão sobre a estrutura financeira da companhia.

Dívida aumenta

A dívida líquida da Hapvida cerrou o segundo trimestre em R$ 5,40 bilhões, alta de R$ 236 milhões em relação ao trimestre anterior.

A relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado subiu de 1,38 vez para 1,61 vez.

O aumento da alavancagem ocorreu em um cenário de menor resultado operacional e fluxo de caixa livre negativo.

Safra mantém visão neutra

Na avaliação do Banco Safra, o segundo trimestre trouxe poucos elementos para sustentar uma recuperação dos resultados no curto prazo.

A queda do resultado operacional, a piora dos custos médicos, o aumento das despesas judiciais e a aceleração dos depósitos judiciais dificultam a definição de uma nova base para os lucros da Hapvida.

O banco espera uma reação negativa das ações e mantém a recomendação neutra para a companhia.

Para uma visão mais construtiva, o Safra considera necessário observar evidências mais consistentes de recuperação estrutural, com melhora dos custos médicos, redução das despesas judiciais e geração recorrente de caixa.


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