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Grupo Galicia lucra acima do esperado, mas inadimplência preocupa

Resultado do segundo trimestre supera as estimativas, mas a qualidade dos ativos ainda impede uma visão mais positiva para as ações


O Grupo Financiero Galicia (GGAL) registrou lucro líquido de 258,3 bilhões de pesos argentinos no segundo trimestre de 2026. O resultado ficou 117% acima da estimativa do Safra e correspondeu a um retorno sobre o patrimônio líquido de 11,6%.

O desempenho foi impulsionado principalmente por receitas relacionadas ao mercado, que superaram as projeções, e por despesas com provisões abaixo do esperado.

O lucro líquido do Banco Galicia cresceu 211% em relação ao trimestre anterior. Além disso, a Naranja X voltou a registrar resultado positivo, com retorno sobre o patrimônio líquido de 2,7%.

As operações de seguros e os fundos de investimento da companhia também mantiveram desempenho sólido no período.

Inadimplência ainda preocupa

Apesar do resultado positivo, a qualidade dos ativos continua sendo o principal ponto de atenção para o Grupo Galicia.

O crescimento dos empréstimos em atraso perdeu força, mas os indicadores ainda não mostraram um pico claro. Ao mesmo tempo, as provisões continuam abaixo da formação de novos créditos problemáticos.

O índice de empréstimos vencidos há mais de 90 dias chegou a 10,6%, uma alta de 0,99 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

A Naranja X foi a principal responsável pela deterioração. O índice de inadimplência da unidade alcançou 19,7%, avanço de 3,06 pontos percentuais no período.

Margem financeira recua

A margem financeira líquida do Grupo Galicia caiu em relação ao primeiro trimestre. O resultado refletiu a redução dos saldos de crédito e um ambiente de juros em queda.

A carteira de crédito continuou encolhendo em vários segmentos. Cartões de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos imobiliários recuaram 3% cada na comparação trimestral.

Por outro lado, a queda dos juros reduziu o custo de captação do grupo. Esse movimento ajudou a sustentar a recuperação dos resultados e pode melhorar a percepção dos investidores sobre as ações.

Crédito cresce em algumas linhas

A carteira de crédito do Banco Galicia avançou 4% no trimestre. O crescimento foi liderado por operações de capital de giro em conta garantida, pré-financiamento e financiamento de exportações.

O capital de giro em conta garantida cresceu 19% no trimestre e 29% em 12 meses. Já as operações de pré-financiamento e financiamento de exportações avançaram 48% no trimestre e 77% em um ano.

Em sentido oposto, os cartões de crédito, os empréstimos pessoais e as hipotecas recuaram.

Na Naranja X, a quantidade de cartões de crédito caiu 7% no trimestre, para 8,3 milhões.

Capital permanece fortalecido

O índice de capital de nível 1 do Grupo Galicia avançou 0,48 ponto percentual, para 25,9%.

O Banco Galicia foi beneficiado pela atualização monetária do patrimônio e pela geração de resultados positivos. O nível de capital oferece maior capacidade para absorver perdas e manter as operações em um ambiente de crédito mais desafiador.

Safra mantém recomendação neutra

O Safra avalia que a reação das ações dependerá principalmente dos comentários da administração sobre a qualidade dos ativos.

O mercado deve buscar sinais de que o segundo trimestre marcou o pico da inadimplência. Também será importante entender se o Grupo Galicia pretende alterar seu nível de apetite ao risco.

Apesar do lucro acima do esperado e da melhora da rentabilidade, o Safra mantém a recomendação neutra para as ações do Grupo Financiero Galicia.

Na avaliação da instituição, ainda são necessárias evidências mais claras de estabilização da qualidade dos ativos para justificar uma visão mais positiva sobre o papel.


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