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ANÁLISE

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Grupo Galicia tem melhora de margens, mas inadimplência preocupa

Desempenho operacional mostra sinais de recuperação, enquanto deterioração da qualidade dos ativos mantém leitura cautelosa do Safra


O Grupo Galicia (GGAL), companhia financeira argentina, encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados mistos, combinando avanço relevante das margens financeiras com nova deterioração da qualidade dos ativos. O lucro líquido permaneceu negativo em ARS 84 bilhões, o que levou o retorno sobre o patrimônio (ROE) a -4,3%, em linha com as expectativas do Safra.

Na visão do banco, a melhora do resultado financeiro ajudou a compensar parcialmente os prejuízos operacionais do Banco Galicia e da Naranja X, mas não foi suficiente para neutralizar o impacto do aumento da inadimplência e das provisões.

Margens financeiras surpreendem

O principal destaque do trimestre veio do resultado líquido de juros (NII), que cresceu 17% na comparação trimestral, acima da projeção do Safra. O desempenho refletiu a combinação de melhora do yield da carteira de crédito e redução do custo de funding.

No Banco Galicia, a margem financeira avançou 280 pontos-base no trimestre, enquanto a Naranja X apresentou queda de 70 pontos-base. Ainda assim, o efeito líquido favoreceu o resultado consolidado e contribuiu para reduzir a pressão sobre a rentabilidade.

Seguros e gestão de ativos

As operações de seguros e a Fondos Fima, braço de gestão de ativos do grupo, apresentaram desempenho sólido no período. Essas linhas de negócio ajudaram a mitigar o impacto dos prejuízos do Banco Galicia, que registrou ROE de -7%, e da Naranja X, cujo ROE recuou para -19%.

Além disso, as receitas de mercado compensaram parcialmente a piora do resultado da posição monetária líquida, que fechou o trimestre em ARS -450 bilhões, abaixo do esperado.

Inadimplência segue em alta

Apesar da melhora operacional, a qualidade dos ativos permanece como a principal preocupação. O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 8,2%, avanço de 140 pontos-base no trimestre.

A Naranja X concentrou a maior parte da deterioração, com inadimplência chegando a 13,2%, alta de 150 pontos-base no período. O aumento dos NPLs pressionou as provisões, que cresceram 29% trimestre a trimestre, levando o custo de risco para 15%.

Cobertura de crédito

O consumo de provisões reduziu a cobertura de crédito para 100%, nível mais baixo desde 2019. Na avaliação do Safra, esse movimento indica que o banco ainda pode enfrentar pressão adicional nas despesas com provisões, caso a qualidade dos ativos não apresente melhora consistente nos próximos trimestres.

Por outro lado, o capital regulatório apresentou evolução positiva. O índice Tier 1 subiu 190 pontos-base, para 23%, apoiado pela indexação do patrimônio e pelo crescimento de outros resultados abrangentes.

Análise dos especialistas

Para o Safra, a teleconferência com a administração será fundamental para esclarecer dois pontos centrais: o pico esperado da inadimplência no Banco Galicia e na Naranja X, e o momento de inflexão da rentabilidade do grupo.

Enquanto esses sinais não se tornam mais claros, o banco mantém postura cautelosa em relação ao papel.

Os especialistas do Safra reiteram recomendação Neutra para o Grupo Galicia (GGAL). Apesar do avanço das margens financeiras e da melhora do NII, a continuidade da deterioração da qualidade dos ativos e o nível reduzido de cobertura ainda limitam uma leitura mais construtiva sobre o case no curto prazo.


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