O Grupo Casas Bahia (BHIA3) apresentou, em seu encontro com investidores realizado em 23 de março, os principais pilares de sua estratégia para acelerar a recuperação operacional. A administração destacou a força da marca, a ampla presença nacional e os avanços implementados nos últimos anos como bases para sustentar crescimento, rentabilidade e geração de caixa no próximo triênio.
Na abertura do evento, o presidente-executivo Renato Franklin ressaltou que cerca de 95% da população economicamente ativa já integra a base de clientes da companhia. Segundo a empresa, esse alcance reforça a relevância da marca no varejo brasileiro e amplia sua capacidade de capturar demanda em diferentes regiões e canais.
Além disso, a companhia enfatizou a robustez de sua infraestrutura logística. Hoje, o grupo conta com 24 centros de distribuição, que somam 1,1 milhão de metros quadrados. Essa estrutura apoia participações de mercado relevantes, com liderança de 26% nas lojas físicas e 14% nos canais digitais.
Crédito, logística e liderança em categorias seguem como diferenciais
A companhia também reforçou vantagens competitivas que considera centrais para a nova fase da operação. Entre elas, estão a participação de 19% nas categorias principais, a oferta própria de crédito ao consumidor, a capilaridade logística e o reconhecimento da marca, que segue entre as mais lembradas do setor há duas décadas.
Por categoria, o Grupo Casas Bahia mantém posições expressivas em segmentos estratégicos. A empresa detém 28% do mercado de televisores, 26% em linha branca e 17% em telefones celulares. Em móveis, a participação gira em torno de 15%, segundo estimativas da própria companhia.
Outro ponto destacado pela administração foi a capacidade de responder a mudanças no consumo. Nesse contexto, a empresa apontou o avanço dos produtos chineses no mercado brasileiro, cuja penetração cresceu de R$ 2,6 bilhões para R$ 4,9 bilhões entre 2020 e 2025. Com isso, a participação desse grupo de produtos passou de 11% para 21% no período.
Eficiência operacional e menor endividamento ganham espaço
No campo operacional, o Grupo Casas Bahia apresentou indicadores que mostram avanço em eficiência. A companhia informou redução de 22% no quadro de funcionários entre 2023 e 2025, movimento que faz parte do esforço de simplificação da estrutura e de controle de despesas.
Ao mesmo tempo, a empresa destacou a desalavancagem recente. A relação entre dívida líquida e geração operacional de caixa caiu de 1,8 vez para 0,4 vez, em um sinal de fortalecimento do balanço e de maior flexibilidade financeira para os próximos anos.
A conversão de dívida em capital também aparece como um fator de suporte para o caixa no curto prazo. Ainda assim, a leitura do Safra permanece cautelosa. Embora a estratégia apresentada tenha sido recebida de forma positiva, o banco avalia que a mudança de percepção sobre a tese depende de resultados mais consistentes em geração de caixa, sustentados não apenas pela reestruturação financeira, mas também pela execução das alavancas operacionais.
Safra mantém visão cautelosa sobre a ação
Na avaliação do Safra, o investor day trouxe sinais construtivos sobre o direcionamento da companhia e sobre o esforço da gestão para reorganizar a operação. A apresentação mostrou uma empresa com ativos relevantes, escala nacional e espaço para capturar ganhos adicionais de eficiência.
Ainda assim, o banco entende que o caso de investimento exige maior comprovação prática, sobretudo na conversão das iniciativas em fluxo de caixa recorrente. Por isso, o Safra reiterou recomendação Underperform para BHIA3.
Análise dos especialistas
O encontro com investidores reforçou que o Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou em uma nova etapa de sua reestruturação, com foco mais claro em eficiência, disciplina financeira e fortalecimento comercial.
A companhia mostrou ativos competitivos importantes e uma operação de grande escala. No entanto, para uma revisão mais positiva da tese, o mercado ainda deve buscar evidências mais concretas de melhora sustentável na geração de caixa.