Durante o Investor Day anual da Gerdau (GGBR4), as discussões se concentraram na alocação de capital, incluindo:
- (i) disciplina de capex, com redução ano a ano para 2026 (embora já considerássemos R$4,7 bilhões em nosso modelo);
- (ii) as contribuições esperadas dos projetos em execução; e
- (iii) mensagens construtivas sobre retornos aos acionistas.
A empresa também abordou as condições atuais e expectativas futuras para os mercados de aço no Brasil e na América do Norte. O Banco Safra mantém a recomendação de Compra após elevar as estimativas de EBITDA e introduzir um preço-alvo para o final de 2026 de R$ 20,90/ação (ante R$19,90 no final de 2025).
O Safra continua com visão positiva para a Gerdau, baseada em retornos competitivos aos acionistas, posicionamento leve dos investidores (ações caíram cerca de 5% no ano) e perspectivas de melhora no FCF, sustentadas pela redução de capex, embora os yields ainda sejam tímidos.
O Safra vê cerca de 4% de downside em relação ao consenso de EBITDA para 2026–2027, com EBITDA de R$11,1 bilhões em 2026 e R$11,7 bilhões em 2027. A Gerdau negocia a 3,9x nosso EBITDA estimado para 2026, o que se compara bem à média de cinco anos de 4,1x, mas não tanto à média de dois anos de 3,6x.
Quanto ao FCF yield, o Safra estima uma média de cerca de 9% para 2026–2028, abaixo da estimativa de consenso de cerca de 11%.
Guidance de capex da Gerdau (GGBR4) para 2026 implica queda de 22% em relação a 2025
A Gerdau reafirmou seu guidance de capex de R$ 6 bilhões para 2025. No entanto, a empresa projeta redução dos investimentos em 2026, totalizando R$ 4,7 bilhões, sendo R$ 2,9 bilhões para manutenção e R$1,8 bilhão para projetos de competitividade.
Os projetos prioritários serão:
- (i) expansão de Midlothian – redução de R$300 milhões no desembolso em relação à meta anterior, mas com menor adição de capacidade;
- (ii) centro de reciclagem de Pindamonhangaba – focado em materiais ferrosos e recuperação de não ferrosos;
- (iii) Miguel Burnier – conclusão no final de 2025, com ramp-up no início de 2026.
O custo total do projeto foi revisado de R$ 3,2 bilhões para R$ 3,6 bilhões devido à inflação e câmbio. A gestão também apresentou novo guidance para capex de sustentação nos próximos cinco anos, estimando média de cerca de R$ 3 bilhões, já incluindo grandes reparos em altos-fornos e coquerias.
Alocação disciplinada de capital e mensagem construtiva sobre retornos aos acionistas
A Gerdau mantém forte disciplina financeira, com alavancagem em 0,85x dívida líquida/EBITDA e meta de mantê-la abaixo de 1,5x, o que abre espaço para uma estratégia mais agressiva de retorno ao acionista.
A empresa recomprou 7% das ações em circulação desde o início dos programas de recompra em 2022 e já executou 85% do programa atual até setembro.
Um novo programa deve ser lançado com base na avaliação da gestão sobre o valor justo da companhia. Embora não haja planos concretos para listagem nos EUA, a Gerdau continua monitorando a oportunidade.