A recomendação de compra para a Gerdau (GGBR4) foi reiterada, com elevação do preço-alvo para o fim de 2026 para 30 reais por ação, ante 25,5 reais. A leitura dos especialistas do Banco Safra incorpora recentes aumentos de preços do aço nos Estados Unidos e uma visão mais construtiva sobre a dinâmica do acordo comercial da América do Norte, fatores que mais do que compensam o efeito de um real mais forte.
A tese se apoia no potencial de alta frente ao consenso de 2027 para a operação da Gerdau North America, no posicionamento ainda leve dos investidores e na melhora das perspectivas de geração de fluxo de caixa livre. Esse movimento reflete menor investimento, redução de impostos pagos em caixa e despesas financeiras mais baixas, ainda que os rendimentos se tornem mais relevantes após 2026.
Resultados acima do consenso a partir de 2027
A projeção aponta EBITDA de 12,6 bilhões de reais em 2026 e de 14,5 bilhões de reais em 2027. Para 2026, o potencial de alta em relação ao consenso é marginal, em torno de 1%. Já em 2027, o desvio positivo chega a 14%, impulsionado principalmente pela operação norte-americana.
Em termos de valuation, a Gerdau negocia a 4,1 vezes o valor da firma sobre o EBITDA estimado para 2026 e a 3,3 vezes em 2027. Esses múltiplos seguem atrativos quando comparados à média histórica de cinco anos e aos pares do setor de aço nos Estados Unidos. A estimativa de fluxo de caixa livre médio gira em torno de 11% entre 2026 e 2028, acima do consenso de aproximadamente 9%.
Novo equilíbrio no comércio de aço da América do Norte
A normalização das margens de aço nos Estados Unidos pode estar sendo precificada de forma excessivamente conservadora. As negociações em torno do acordo comercial da região indicam um cenário mais fragmentado, com acordos bilaterais e tarifas estruturalmente mais elevadas substituindo um arranjo trilateral completo.
Nesse contexto, o risco de queda ponderado do EBITDA da Gerdau North America é estimado entre 7% e 9%, bem abaixo da retração próxima de 19% implícita nas projeções do consenso até 2029. A avaliação é de que o mercado superestima a chance de uma normalização total das tarifas e subestima a probabilidade de margens estruturalmente mais altas por mais tempo.
Com a revisão das premissas de preços do aço nos Estados Unidos, a margem EBITDA estimada para a região em 2026 e 2027 sobe para cerca de 24%, enquanto a margem de longo prazo avança para 21%, um a dois pontos percentuais acima do consenso.
Brasil ainda exige cautela
Para a operação brasileira, a visão permanece mais cautelosa. A expectativa é de margem EBITDA de 9,5% em 2026 e de aproximadamente 15,5% no longo prazo. O projeto Miguel Burnier deve contribuir para uma expansão incremental do EBITDA, mas novos aumentos de preços no curto prazo seguem limitados.
A demanda doméstica ainda fraca e os estoques elevados ao longo da cadeia continuam dificultando o repasse de preços. Por outro lado, o cenário pode melhorar caso medidas de defesa comercial avancem, especialmente nas investigações antidumping envolvendo bobinas laminadas a quente e fio-máquina. Esse movimento pode reduzir importações asiáticas, elevar a utilização de capacidade e favorecer os preços.
Principais riscos no radar
Entre os principais riscos estão preços do aço no Brasil e nos Estados Unidos abaixo das estimativas, maior concorrência de produtos importados, atividade econômica diferente do esperado nos dois mercados e um aumento inesperado do nível de investimentos.
Ainda assim, a combinação de valuation atrativo, geração de caixa mais robusta e margens mais sustentáveis na América do Norte sustenta uma leitura construtiva para a Gerdau nos próximos anos.