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ANÁLISE

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Gerdau vê menor risco em acordo comercial na América do Norte

Análise indica que eventuais ajustes no comércio regional tendem a ter impacto mais limitado nos resultados da companhia do que o previsto pelo consenso


Os especialistas do Banco Safra avaliam que um eventual acordo no âmbito do tratado comercial entre Estados Unidos, México e Canadá tende a reduzir o EBITDA normalizado da operação norte-americana da Gerdau (GGBR4) em algo entre 7% e 9%. O impacto estimado é significativamente inferior ao embutido nas projeções do consenso, que indicam uma queda próxima de 19% no EBITDA de longo prazo.

Na visão do banco, essa diferença abre espaço para revisões positivas dos resultados da Gerdau nos próximos anos. Esse fator segue como um dos pilares da recomendação de compra para as ações da siderúrgica.

Mais flexibilidade pode pressionar preços nos Estados Unidos

O Safra destaca que um acordo mais flexível no comércio regional seria negativo para a Gerdau. A queda nos preços do aço nos Estados Unidos tenderia a mais do que compensar eventuais benefícios capturados no Canadá e no México.

Por esse motivo, o maior potencial de valorização em relação ao consenso ocorreria em um cenário sem acordo formal, no qual o EBITDA normalizado da América do Norte permaneceria estável ao longo do tempo.

Cenário-base prevê acordo enfraquecido

O cenário-base considerado é o de um acordo que permanece formalmente em vigor, mas perde relevância prática. Nesse contexto, negociações bilaterais passariam a ser o principal instrumento para regular o comércio de aço na América do Norte.

O banco avalia que o México deve avançar de forma mais rápida nas tratativas com os Estados Unidos. Já o Canadá tende a enfrentar um processo mais longo, mantendo tarifas elevadas, mas evitando uma ruptura mais severa no comércio regional.

Protecionismo virou política estrutural nos Estados Unidos

Segundo o Safra, a política comercial do aço nos Estados Unidos deixou de ser um conjunto de medidas temporárias e passou a atuar como um instrumento estrutural de política industrial. Esse movimento sustenta preços e margens no mercado doméstico.

Ciclos anteriores de tarifas reduziram a participação de importações e fortaleceram os embarques domésticos. Esse histórico reforça a visão de que o protecionismo se tornou uma característica permanente do mercado siderúrgico americano.

Excesso de oferta global segue como desafio central

A avaliação é que o principal problema estrutural do setor não está na demanda americana, que se mantém relativamente estável desde o fim dos anos 1990. O desafio está no excesso de oferta global, impulsionado pela expansão da capacidade produtiva da China ao longo das últimas décadas.

Enquanto o consumo de aço nos Estados Unidos pouco variou, a participação do país na demanda global caiu de forma relevante diante do avanço da produção e das exportações chinesas.

México aparece melhor posicionado que o Canadá

Nas negociações atuais, o Safra vê o México em posição mais favorável do que o Canadá. Os preços do aço mexicano podem se beneficiar de uma normalização do comércio bilateral com os Estados Unidos.

O Canadá, por sua vez, segue mais exposto. A elevada dependência das exportações e a necessidade de absorver tarifas sobre embarques destinados ao mercado americano aumentam os riscos para o país no curto e médio prazo.


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