Segundo notícias na imprensa, um possível processo de fusão com a TIM Brasil foi sugerido pelo acionista controlador da Rede Neutra de Telecomunicações conhecida como V.tal.
Embora atualmente tratado como especulação de mercado, a notícia pode indicar que discussões estão ocorrendo.
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, a transação parece desafiadora para se concretizar.
Com base no ponto médio dos laudos de avaliação apresentados no processo de Recuperação Judicial da Oi sobre a participação da V.tal, o Banco Safra assume um Valor de Empresa implícito para a V.tal de cerca de R$ 45 bilhões e EBITDA de
cerca de R$2 bilhões, representando um múltiplo EV/EBITDA de ~22,5x (um prêmio significativo sobre o múltiplo atual da
TIM de ~5,0x).
Essa diferença de Valuation implica que a transação seria dilutiva para os múltiplos e pareceria cara, exigindo sinergias substanciais para justificar o preço, principalmente por meio de eficiências de OpEx, redução de CapEx e cross-selling comercial.
Operacionalmente, a nova empresa combinada adicionaria instantaneamente 22,4 milhões de homes passed à base
da TIM, alcançando uma base combinada de ~32 milhões de homes passed ao incluir a I-Systems, igualando
efetivamente o alcance da Vivo, e ~4 milhões de clientes de fibra seriam incorporados à base da TIM (market share
implícito de ~7% vs. 2% atual), fortalecendo o posicionamento da TIM no mercado de banda larga fixa.
O Safra vê a probabilidade de esse negócio avançar como baixa, pois não acredita que faria sentido para a Telecom Italia reduzir sua participação para uma posição minoritária ou aumentar a alavancagem (em caso de aquisição) para reforçar seu posicionamento no segmento de banda larga.
Em um cenário de fusão envolvendo troca de ações, dado o estreito gap de Valuation entre V.tal (estimada em R$ 40 bilhões–R$ 50 bilhões) e TIM (valor de mercado de ~R$52 bilhões), a participação da Telecom Italia seria diluída para uma posição minoritária, resultando em perda de controle absoluto.
Alternativamente, uma aquisição direta exigiria uma emissão maciça de dívida, comprometendo o balanço da companhia e seu status como pagadora de dividendos relevante.