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Fretes em Mato Grosso resistem com avanço do mercado de milho

Safra recorde e alta dos preços do milho estimulam a comercialização e sustentam a demanda por transporte no Estado


Os fretes rodoviários em Mato Grosso mostraram resiliência em agosto, apoiados pela recuperação dos preços do milho e pelo aumento da comercialização do grão. O movimento ajudou a sustentar a demanda por transporte mesmo durante a janela de colheita.

A tarifa média de frete entre Mato Grosso e o Porto de Santos recuou 2,2% em agosto ante julho. Apesar da queda, permaneceu 4,4% acima do nível registrado em agosto de 2025, segundo o boletim logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) referente a setembro de 2026, com dados de agosto.

Já os fretes no Arco Norte tiveram desempenho mais fraco. As tarifas caíram 5,8% na comparação mensal e 11% ante agosto de 2025. Os números indicam menor demanda por transporte direcionado a esse corredor.

Milho sustenta demanda por fretes

O comportamento dos fretes em Mato Grosso foi considerado atípico pela Conab. Historicamente, as tarifas costumam apresentar uma queda mais acentuada durante a colheita do milho. Nesta temporada, porém, ficaram próximas da estabilidade.

O mercado de milho foi um dos principais responsáveis por esse movimento. Mato Grosso colheu uma safra recorde superior a 57 milhões de toneladas. Além disso, os preços do grão acumularam alta superior a 20% em relação às mínimas registradas durante a colheita.

A recuperação dos preços estimulou os produtores a comercializarem o milho e, consequentemente, aumentou a procura pelo transporte da produção.

Ao mesmo tempo, a demanda pelo grão passa por uma mudança estrutural. O mercado mato-grossense tornou-se menos dependente das exportações diante do crescimento do consumo doméstico.

As usinas de etanol de Mato Grosso devem consumir mais de 16 milhões de toneladas de milho apenas nesta temporada. Paralelamente, a cadeia de proteína animal mantém demanda pelo cereal.

Segundo a Conab, essa diversificação tende a reduzir a volatilidade dos fretes ao longo do tempo.

Arco Norte registra queda maior

As rotas de longa distância concentraram as quedas mais acentuadas em agosto. Na avaliação da Conab, a ampliação das alternativas de transbordo nos últimos anos permitiu aos transportadores direcionar suas frotas para trajetos domésticos mais curtos.

Os dados por rota, entretanto, sustentam essa avaliação apenas parcialmente.

Os fretes para Miritituba e Santarém, no Arco Norte, registraram as maiores quedas. Por outro lado, as rotas ainda mais longas em direção ao Porto de Santos recuaram apenas cerca de 2% na comparação mensal.

Cenário favorece Rumo

Na avaliação do Banco Safra, o cenário traz uma leitura ligeiramente positiva para a Rumo (RAIL3).

Os dados operacionais de agosto indicaram crescimento dos volumes em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, a soja, e não o milho, foi responsável pelo principal destaque.

Os volumes de milho recuaram na Operação Norte da companhia. O movimento reforça a avaliação da Conab de que uma parcela maior da produção de Mato Grosso está sendo absorvida pelas usinas de etanol no mercado doméstico, em vez de seguir para exportação por ferrovia.

Assim, apesar da menor participação do milho no transporte ferroviário destinado às exportações, o desempenho geral dos volumes sustenta uma visão ligeiramente positiva para a Rumo.

Hidrovias tem cenário mais desafiador

Para a Hidrovias do Brasil (HBSA3), o Banco Safra considera o quadro misto, com viés neutro a ligeiramente negativo.

Por um lado, os fretes no Arco Norte recuaram 5,8% em agosto ante julho, contra redução de 2,2% nas rotas para Santos. A diferença sinaliza uma demanda mais fraca pelo transporte através do corredor.

Por outro, as exportações de milho pelo Arco Norte avançaram 9,6% entre janeiro e agosto na comparação anual, lideradas por Barcarena.

Com isso, a participação do corredor nas exportações brasileiras de milho chegou a 49%, ante 41% anteriormente. O avanço ajuda a compensar parte dos sinais negativos observados nas tarifas de frete.

No balanço dos fatores, a avaliação do Banco Safra para a Hidrovias do Brasil (HBSA3) permanece neutra a ligeiramente negativa.

Clima entra no radar

Além da dinâmica dos fretes e do milho, a Conab chamou atenção para a incerteza relacionada ao El Niño e seus possíveis efeitos sobre a safra mundial de soja de 2026/27.

Ainda é cedo para mensurar o potencial impacto. Portanto, o tema permanece como um fator de risco que deve ser acompanhado nos próximos boletins, especialmente diante de seus possíveis reflexos sobre o fluxo de grãos e a demanda por transporte.


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