Os preços de frete no agronegócio seguiram resilientes em maio, sustentados pela forte demanda logística e pelo início antecipado da segunda safra de milho. Os dados foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e indicam manutenção das tarifas em níveis historicamente elevados, mesmo em um período que normalmente apresenta desaceleração sazonal.
Na avaliação do Safra, o cenário favorece empresas de infraestrutura logística como Rumo (RAIL3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3), que podem se beneficiar de maior poder de precificação em um ambiente de capacidade mais apertada.
Frete entre Mato Grosso e Santos segue resiliente
O custo médio do frete entre Mato Grosso e o Porto de Santos subiu 9,6% na comparação anual em maio.
Apesar da leve queda mensal de 0,8%, algumas rotas registraram aumentos expressivos, como Rondonópolis–Santos e Primavera do Leste–Santos.
No Arco Norte, os preços médios avançaram 13,8% em relação ao ano anterior e 2,8% frente a abril.
Segundo a Conab, os valores permaneceram elevados durante todo o mês, contrariando o comportamento tradicional do período entre safras.
Safra de milho reduz espaço para acomodação dos preços
O Safra destaca que o início antecipado da segunda safra de milho ajudou a conectar os ciclos logísticos da soja e do milho.
Com isso, a demanda por transporte permaneceu forte de forma contínua, reduzindo a esperada acomodação das tarifas após o escoamento da soja.
Além disso, produtores demonstraram menor interesse em armazenar soja, priorizando a liberação rápida de espaço para a chegada da nova safra de milho.
Segundo o banco, esse movimento reflete uma mudança no comportamento do setor agrícola, que passou a privilegiar liquidez e eficiência operacional.
Diesel elevado ainda pressiona custos
Os preços do diesel continuam em níveis elevados, embora tenham mostrado maior estabilidade nos últimos meses.
Na avaliação do Safra, esse cenário permite melhor absorção de custos pelos transportadores em comparação ao início do ano, quando a volatilidade era mais intensa.
Mesmo assim, o ambiente ainda exige disciplina operacional das empresas de logística diante das pressões de custos.
Rumo e Hidrovias do Brasil podem ganhar força
O Safra considera a leitura positiva para Rumo e Hidrovias do Brasil.
O banco avalia que a combinação entre forte demanda por transporte, maior restrição de capacidade logística e manutenção dos fretes em níveis elevados tende a favorecer operadores mais eficientes.
A expectativa é que o pico da colheita da segunda safra de milho entre junho e julho mantenha a procura por serviços de transporte aquecida, reduzindo o risco de queda nas tarifas.
Além disso, modais ferroviário e hidroviário podem ampliar vantagem competitiva diante da maior necessidade de eficiência logística no agronegócio brasileiro.