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Fretes elevados sustentam receitas no setor de logística

Relatório da Conab mostra tarifas estáveis em patamar alto em abril e reforça cenário favorável para operadores ferroviários e hidroviários


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou o relatório logístico referente a abril de 2026 e confirmou a manutenção dos fretes em níveis elevados. O custo médio de transporte entre Mato Grosso e o Porto de Santos subiu 13% na comparação anual e ficou estável frente a março.

O movimento foi puxado principalmente pelas rotas Primavera do Leste–Santos, com alta de 14% em um ano, e Rondonópolis–Santos, com avanço de 17%. A rota Querência–Santos apresentou queda de 2% no mês, o que ajudou a compensar parcialmente as altas.

Arco Norte também registra pressão

No Arco Norte, os preços médios de frete avançaram 11,6% em relação a abril do ano passado e também ficaram estáveis na comparação mensal. Segundo a Conab, as tarifas seguem sustentadas por uma demanda logística intensa.

Volumes recordes de soja, atrasos na colheita e a necessidade de escoar estoques antes do início da segunda safra de milho mantêm o sistema sob pressão. Esse conjunto de fatores tem impedido uma acomodação mais clara dos preços, mesmo após o pico do escoamento.

Leitura positiva para Rumo e Hidrovias

Na avaliação do Safra, o relatório traz uma leitura levemente positiva para a Rumo (RAIL3) e para a Hidrovias do Brasil (HBSA3). A dinâmica recente reforça a resiliência das tarifas em um ambiente de aumento de custos operacionais.

Apesar da alta aproximada de 5% nos preços do diesel no mês, as tarifas de frete permaneceram amplamente estáveis. Isso reflete o fato de que os preços já se encontravam em patamares elevados antes do choque de custos, com altas de 17% em um ano para Santos e de 14% para o Arco Norte, o que limita novos reajustes no curto prazo.

Produtores pressionados limitam repasses

Um ponto central do cenário atual é a situação financeira dos produtores. A rentabilidade segue pressionada, o que reduz a capacidade de absorver custos adicionais de transporte. A demanda logística tem sido impulsionada mais pela necessidade de liquidez e pela gestão de estoques do que por margens confortáveis no campo.

Na prática, muitos produtores vendem a safra para gerar caixa e liberar espaço nos armazéns para o milho. Esse movimento sustenta os volumes transportados, mas limita a disposição para aceitar aumentos adicionais de frete no curto prazo.

Repasse gradual deve ganhar espaço

Nesse contexto, o Safra avalia que há pouco espaço para reajustes imediatos, com operadores absorvendo parte da inflação do diesel. Ainda assim, essa dinâmica tende a ser temporária.

Ao longo dos próximos meses, o banco vê potencial para um repasse gradual dos custos, o que sustenta um viés de alta para as tarifas. Esse cenário também reforça a competitividade relativa de modais mais eficientes, como os sistemas ferroviários e hidroviários operados pela Rumo e pela Hidrovias do Brasil.


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