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Fretes agrícolas permanecem estáveis e indicam equilíbrio no setor de logística

Custos de transporte de grãos registraram poucas variações, mesmo durante a colheita do milho, enquanto mudanças estruturais seguem transformando a logística brasileira


Os custos de transporte de grãos permaneceram praticamente estáveis em junho, segundo o mais recente relatório de logística divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O levantamento mostra que o mercado logístico segue equilibrado mesmo durante o período de escoamento da segunda safra de milho, tradicionalmente associado a maior demanda por transporte e pressão sobre os fretes.

Na avaliação do Banco Safra, o cenário é neutro para empresas do setor, mas reforça tendências estruturais positivas para operadores ferroviários e companhias de logística integrada.

Frete para Santos apresenta pouca variação

O custo médio de transporte de Mato Grosso para o Porto de Santos registrou alta de 4,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na comparação mensal, porém, o indicador permaneceu praticamente estável, com leve recuo de 1,3%.

Entre as principais rotas monitoradas, os maiores aumentos ocorreram nos trajetos entre Campo Novo do Parecis e Santos, com alta de 8,3% em 12 meses, e entre Rondonópolis e Santos, que avançou 5,3%.

Já a rota entre Querência e Santos apresentou estabilidade na comparação anual e queda de 2% em relação a maio.

Os dados indicam que o mercado absorveu o aumento da movimentação agrícola sem provocar mudanças significativas nos custos de transporte.

Arco Norte também registra estabilidade

Nas rotas destinadas aos portos do Arco Norte, os fretes apresentaram comportamento semelhante.

O custo médio avançou 3,5% em relação ao ano anterior e recuou apenas 0,7% na comparação mensal.

Segundo a Conab, o comportamento reflete um ambiente de oferta e demanda mais equilibrado, mesmo em um período de intensa movimentação de grãos.

O resultado reforça a percepção de que o sistema logístico brasileiro vem ganhando eficiência e capacidade para absorver os fluxos crescentes da produção agrícola.

O que explica a estabilidade dos fretes

De acordo com a Conab, vários fatores contribuíram para conter pressões sobre os preços do transporte rodoviário em Mato Grosso.

Embora a colheita da segunda safra de milho tenha avançado, os volumes embarcados ficaram abaixo das expectativas do mercado.

Além disso, a comercialização mais lenta por parte dos produtores reduziu a necessidade imediata de transporte.

Outro fator importante foi o crescimento do consumo doméstico de milho pelas usinas de etanol, que diminui a dependência de longas rotas destinadas à exportação.

Ao mesmo tempo, a ampliação da infraestrutura ferroviária vem criando alternativas logísticas mais eficientes para o escoamento da produção agrícola.

Diesel acompanha movimento dos fretes

O relatório também mostra que a leve queda dos fretes ocorreu em linha com a redução dos custos de combustível.

Enquanto o frete médio entre Mato Grosso e Santos recuou 1,3% em junho, o preço do diesel S10 caiu 1,4% no mesmo período.

Na prática, o movimento indica que não houve alteração relevante nas margens ou nos chamados spreads logísticos.

Esse comportamento reforça a avaliação de um mercado de transporte relativamente equilibrado, sem sinais de pressão significativa sobre os custos operacionais.

Infraestrutura ganha importância na logística agrícola

Além do cenário de curto prazo, o relatório destaca mudanças estruturais que vêm transformando a logística de grãos no país.

A expansão da malha ferroviária em Mato Grosso continua aumentando a competitividade do transporte ferroviário em relação às rotas exclusivamente rodoviárias.

Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda doméstica por milho favorece percursos mais curtos, reduzindo a dependência de longas viagens até os portos de exportação.

Esses fatores tendem a aumentar a eficiência logística e a melhorar a integração entre diferentes modais de transporte.

Impacto para empresas do setor

Na avaliação do Safra, os dados têm impacto neutro para empresas como Rumo (RAIL3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3).

A estabilidade observada durante um período sazonalmente forte para o transporte agrícola sugere potencial limitado para aumentos expressivos das tarifas de frete no curto prazo.

Por outro lado, o avanço da infraestrutura ferroviária e a evolução de soluções logísticas integradas seguem representando vetores positivos para operadores com presença relevante nesses segmentos.

Visão do Safra

O Safra considera o relatório de junho consistente com um mercado logístico equilibrado, marcado por estabilidade de preços e menor pressão sobre os custos de transporte.

Embora o cenário limite ganhos adicionais de tarifas no curto prazo, as tendências estruturais permanecem favoráveis para empresas ligadas à expansão ferroviária, à integração logística e ao aumento da eficiência no escoamento da produção agrícola brasileira.


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