A Frasle Mobility (FRAS3) apresentou suas principais estratégias durante o Investor Day realizado em 26 de agosto de 2026, em Extrema, Minas Gerais. O evento incluiu uma visita ao centro de distribuição e à fábrica de amortecedores da companhia, além de apresentações da administração e uma sessão de perguntas e respostas.
Na avaliação do Banco Safra, o encontro trouxe uma visão levemente positiva. A companhia continua ganhando participação no mercado de materiais de fricção no México, enquanto as sinergias da aquisição da Dacomsa avançam acima do planejado.
Por outro lado, o crescimento orgânico ficou mais desafiador devido à escala atual da operação. Além disso, comparações cambiais desfavoráveis e os efeitos temporários da reforma tributária brasileira devem pressionar os resultados no segundo semestre de 2026.
Esses fatores podem dificultar o cumprimento da previsão de receita para o ano. Ainda assim, a administração reiterou que espera alcançar pelo menos o limite inferior da faixa projetada.
Automação amplia produtividade
O centro de distribuição 4Mobility já automatiza cerca de 70% das movimentações da instalação. A operação atende mais de 4.200 produtos com o apoio de aproximadamente 25 robôs.
A produtividade por funcionário é de três a quatro vezes superior à registrada nas operações manuais. Com isso, a Frasle espera reduzir gradualmente o quadro de funcionários por meio da rotatividade natural.
Quatro dos nove portões de operação já estão ativos. Os cinco restantes estão preparados para acompanhar um crescimento anual de volumes entre 15% e 20% até 2029.
A disponibilidade de espaço deve se tornar a principal restrição a partir daquele ano. Até lá, a automação deverá ajudar a reduzir o impacto da escassez de mão de obra, apontada pela administração como o principal gargalo operacional.
Dívida pode abrir espaço para aquisições
A Frasle trabalha para reduzir a relação entre dívida líquida e resultado operacional para uma vez até o fim de 2026. No segundo trimestre, esse indicador estava em 1,3 vez.
A companhia pretende manter a distribuição de dividendos em linha com os níveis históricos. Ao mesmo tempo, a redução do endividamento pode permitir a retomada da agenda de aquisições em 2027.
O foco estará em operações de médio porte, equivalentes a 5% a 10% do valor de mercado da Frasle. A empresa concentra seu mapeamento em oportunidades ligadas a sistemas de transmissão de veículos na América do Norte e na América do Sul, além de componentes de suspensão e conforto no México.
A meta é alcançar 10% do mercado endereçável até 2032. Historicamente, a companhia realizou aquisições por valores equivalentes a cinco a oito vezes o resultado operacional antes das sinergias.
A administração afirmou que pretende manter disciplina financeira e evitar ativos em dificuldades. Dependendo do tamanho da operação e das condições de mercado, o financiamento poderá combinar dívida, caixa, capital estrangeiro e ações mantidas em tesouraria.
Mercado brasileiro perde ritmo
A administração manteve a previsão para 2026 apesar dos efeitos negativos do câmbio. O mercado brasileiro de reposição automotiva cresceu 4% no primeiro semestre, abaixo do ritmo observado nos anos anteriores.
Mesmo assim, as marcas Frasle e Fremax superaram o desempenho do mercado e registraram crescimento de 9%.
A Controil teve alta de 3% na receita. Os volumes, porém, cresceram 7%, impulsionados por iniciativas comerciais.
A Nakata foi o principal ponto de pressão. As vendas ao consumidor foram afetadas pela migração para o sistema de gestão SAP e pelo início das operações do 4Mobility. No segundo trimestre, entretanto, a companhia já registrou recuperação de 4% em relação ao primeiro trimestre.
Reforma tributária traz impacto temporário
A reforma tributária brasileira deve pressionar os resultados da Frasle no segundo semestre de 2026.
A expectativa é que alguns clientes adiem compras até a entrada em vigor do novo regime, prevista para o início de 2027. Produtos adquiridos antes do fim de 2026 estarão sujeitos aos tributos do sistema atual, que não poderão ser totalmente aproveitados como crédito no novo modelo.
No longo prazo, a administração avalia a reforma de forma positiva. A mudança pode reduzir preços para os clientes e diminuir a informalidade no setor.
Esse cenário tende a favorecer empresas mais estruturadas, como a Frasle, que possuem maior capacidade de cumprir obrigações fiscais e atender às novas exigências operacionais.
Dacomsa supera expectativas
A Frasle identificou US$ 26,7 milhões em potenciais sinergias com a Dacomsa. Desse total, US$ 2,6 milhões já foram capturados no primeiro semestre de 2026.
As vendas médias mensais da Fritec aumentaram oito vezes entre 2025 e 2026. A marca se aproxima de uma participação de 25% no mercado.
Nos Estados Unidos, as vendas cresceram 15% na comparação anual. A administração espera dobrar a receita no país, de US$ 15 milhões para US$ 30 milhões nos próximos três anos.
A companhia também planeja inaugurar um novo centro de distribuição em fevereiro de 2027. A unidade terá o dobro do tamanho da instalação atual.
Motocicletas ampliam oportunidades
O segmento de motocicletas representa cerca de 8% da receita da Nakata. A administração espera crescimento tanto por meio da expansão orgânica quanto de contratos de fabricação para terceiros.
A estratégia ganha relevância diante da fragmentação do mercado e da escassez de empresas atrativas para aquisição.
No Brasil, a produção de motocicletas está concentrada na Zona Franca de Manaus e depende fortemente de componentes importados. Globalmente, a fabricação permanece concentrada principalmente na Índia e na China.
Frenagem lidera expansão
A Frasle estima que o mercado global de reposição automotiva movimente US$ 464,8 bilhões em 2025. A expectativa é que o valor alcance US$ 555,8 bilhões em 2030, o que representa crescimento anual entre 3% e 4%.
Entre as principais oportunidades, o segmento de frenagem se destaca. No México, a participação da companhia no mercado de lonas de freio aumentou de 16% para 50% em apenas três a quatro meses.
O avanço ocorreu principalmente com a captura de volumes anteriormente atendidos pela First Brands. Em São Paulo, a participação nas pastilhas para veículos leves subiu de 6% para 14%.
A empresa lançará 700 produtos de freio no México em setembro. Além disso, planeja abrir um novo centro de engenharia nos Estados Unidos em 2027 e continua avaliando novas aquisições.
América Latina concentra força
O México representa aproximadamente 90% dos negócios da Frasle Mobility (FRAS3) ligados a sistemas de transmissão de veículos. A companhia possui participação de 41% nesse mercado, enquanto sua presença nos Estados Unidos ainda é de apenas 1,6%.
A administração prevê a entrada no Brasil e na Argentina a partir de 2028, provavelmente por meio de aquisições. Também estão em avaliação parcerias com outras empresas e a abertura de um futuro centro de distribuição no Texas.
Nos Estados Unidos, a meta permanece abaixo de 5% de participação de mercado. A administração não considera a eletrificação parcial da frota uma ameaça relevante para o mercado de reposição no curto e médio prazo.
Suspensão terá novos produtos
A Frasle lançará uma nova linha de componentes de suspensão e direção no México em 2027.
No Brasil, a administração avalia que existe espaço para elevar a participação da companhia no mercado de amortecedores para veículos pesados para aproximadamente 40%.
O movimento reforça a estratégia de ampliar a presença em categorias com maior potencial de crescimento e complementar os negócios atuais da companhia.
Safra vê recuperação em 2027
Para o Safra, a Frasle combina perspectivas positivas de médio prazo com desafios relevantes no curto prazo.
O avanço da integração da Dacomsa, os ganhos de participação no México e a automação do centro 4Mobility sustentam a expectativa de melhora operacional.
Além disso, a redução da dívida para aproximadamente uma vez o resultado operacional até o fim de 2026 pode reabrir espaço para aquisições em 2027.
Por outro lado, o câmbio, a reforma tributária e a desaceleração do mercado brasileiro de reposição automotiva podem limitar o desempenho no segundo semestre de 2026.