A Frasle (FRAS3) registrou receita líquida de R$ 1,39 bilhão no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 1,8% na comparação anual e de 11% em relação ao trimestre anterior.
O desempenho foi pressionado pela valorização de 11% do real frente ao dólar e por exportações mais fracas. Sem o efeito cambial, a receita teria crescido 6,5% na comparação anual.
A receita no mercado brasileiro aumentou 9%, para R$ 684 milhões. O resultado foi sustentado pela demanda resiliente no mercado de reposição, pelo reposicionamento de preços e pela normalização da logística e dos sistemas da Nakata.
A receita internacional caiu 4%, para R$ 700 milhões, equivalente a 51% do total. Em dólares, contudo, houve crescimento de 7,5%.
Mercado internacional
O desempenho internacional da Frasle foi apoiado pela maior atividade de reparação da Dacomsa, no México, e pela recuperação gradual do mercado americano de veículos pesados.
A demanda mais fraca na Europa e a queda de 11% nas exportações brasileiras limitaram o resultado. O desempenho também refletiu a pressão de preços na Argentina e a menor procura em alguns mercados.
Margem atinge recorde
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado da Frasle aumentou 18%, para R$ 282 milhões.
A margem correspondente alcançou 20,4%, o maior nível da história da companhia. O indicador avançou 2,9 pontos percentuais na comparação anual, ficou 1,2 ponto percentual acima da estimativa do Banco Safra e 1,1 ponto percentual acima do consenso do mercado.
O trimestre incluiu R$ 6 milhões em créditos tributários reconhecidos de forma extraordinária nos custos dos produtos vendidos. Desconsiderando esse efeito, a margem teria sido de 20%, ainda com alta de 2,42 pontos percentuais em um ano.
Ganhos de eficiência
Os custos dos produtos vendidos recuaram 4% na comparação anual. A melhora refletiu o câmbio favorável sobre componentes importados, um mix de produtos mais rentável e a otimização da cadeia de suprimentos.
As sinergias de compras da Dacomsa também contribuíram para a redução dos custos. Além disso, ganhos de eficiência operacional ajudaram a elevar a rentabilidade da Frasle.
Ainda não está claro quanto do avanço da margem veio dos efeitos cambiais e quanto resultou de melhorias estruturais na operação. Essa distinção será importante para avaliar a sustentabilidade do desempenho nos próximos trimestres.
As despesas gerais e administrativas aumentaram 4% em um ano. O resultado foi influenciado pelo crescimento de 4% nas despesas comerciais e pelo aumento de outras despesas, que alcançaram R$ 17 milhões, ante R$ 9 milhões no segundo trimestre de 2025.
Lucro dispara
O lucro líquido da Frasle somou aproximadamente R$ 88 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 76% na comparação anual.
O lucro ficou 22% acima da estimativa do Safra e 4% acima do consenso do mercado.
O resultado foi impulsionado pelo avanço operacional, pela redução de 4% na depreciação e pela melhora do resultado financeiro. As despesas financeiras líquidas ficaram em R$ 86 milhões, queda de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A alíquota efetiva de impostos aumentou para 33,3%, ante 29,6% no segundo trimestre de 2025. A alta ocorreu principalmente devido à revisão dos cálculos tributários da Dacomsa.
Visão do Safra
Para o Safra, a Frasle apresentou um trimestre positivo, com crescimento da rentabilidade mesmo diante dos efeitos negativos da conversão cambial sobre a receita.
A margem operacional recorde foi sustentada pelo câmbio favorável sobre componentes importados, pelos ganhos de eficiência, pelas sinergias da Dacomsa e por um mix de produtos mais favorável.
O lucro líquido também superou as expectativas, apoiado pelo desempenho operacional e pela melhora do resultado financeiro.
O Safra avalia, contudo, que será necessário acompanhar os próximos resultados para confirmar quanto do avanço da margem representa uma melhora estrutural e quanto decorre de fatores cambiais ou não recorrentes.