A Fleury (FLRY3) apresentou um conjunto de resultados sólidos no quarto trimestre de 2025, com desempenho operacional em linha com as estimativas e lucro acima do esperado. A receita líquida atingiu R$ 2,061 bilhões, avanço de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior e 1% acima das projeções do Safra e do consenso de mercado.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo canal B2C, que avançou 14% na comparação anual, com destaque para a marca Fleury, que registrou alta de 9%. A administração de duas doses de um medicamento de alto custo também contribuiu positivamente para a receita do trimestre.
As operações em São Paulo mantiveram ritmo consistente, com crescimento orgânico de 12%, sustentado por execução sólida em todas as marcas da região, especialmente a+ SP e Pardini São Paulo. No Rio de Janeiro, a companhia ganhou participação de mercado, enquanto Minas Gerais manteve crescimento orgânico de 14%. As marcas regionais avançaram 5% na comparação anual.
No segmento B2B, a receita cresceu 4%, apoiada pelo bom desempenho do modelo Lab-to-Lab, parcialmente compensado pela saída do Hospital Sírio-Libanês da base de clientes.
Margem EBITDA permanece estável
O EBITDA alcançou R$ 456 milhões, crescimento de 12% na comparação anual e 2% acima das estimativas. A margem EBITDA permaneceu praticamente estável, apesar da contração da margem bruta, que recuou 88 pontos-base, para 23,8%.
A pressão sobre a margem bruta refletiu o maior custo de materiais associado ao medicamento de alto custo, além do aumento da depreciação e amortização, em função dos investimentos em tecnologia da informação.
Por outro lado, a Fleury avançou no controle de despesas. As despesas de vendas, gerais e administrativas recuaram 101 pontos-base como proporção da receita líquida, beneficiadas pela redução nominal de 4% nas despesas gerais e administrativas, resultado do programa contínuo de eficiência operacional.
Resultado financeiro e impostos
O principal destaque do trimestre veio do resultado financeiro e da linha de impostos. O resultado financeiro líquido somou R$ 116 milhões, crescimento de 12% na comparação anual e desempenho 15% melhor do que o projetado, impulsionado por despesas financeiras menores do que o esperado.
Além disso, a alíquota efetiva de imposto ficou em apenas 4,3%, bem abaixo da estimativa de 21%, refletindo o reconhecimento de benefícios fiscais da Lei do Bem, considerados recorrentes pelo Safra.
Com isso, o lucro líquido reportado alcançou R$ 96 milhões, alta de 15% em relação ao quarto trimestre de 2024. O lucro líquido ajustado, que desconsidera a amortização de carteiras adquiridas, teria sido de R$ 104 milhões, avanço de 9% na comparação anual, superando em 50% a estimativa do Safra e em 41% o consenso de mercado.
Fluxo de caixa fraco e alavancagem estável
A geração de fluxo de caixa livre foi negativa em R$ 7 milhões no trimestre, frente a R$ 73 milhões positivos no mesmo período do ano anterior. O resultado refletiu principalmente o aumento dos pagamentos de juros e desembolsos de R$ 47 milhões relacionados a operações de M&A.
Apesar disso, a estrutura de capital permaneceu confortável. A dívida líquida subiu 7% no trimestre, para R$ 2,183 bilhões, o que levou a uma alavancagem de 1,0 vez dívida líquida sobre EBITDA ajustado, estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação anual.
Ação segue como opção defensiva de qualidade
Na avaliação do Safra, a Fleury mantém um perfil defensivo atrativo dentro do setor de saúde. A combinação entre marcas fortes, disciplina de custos, previsibilidade operacional e benefícios fiscais recorrentes sustenta a recomendação de Compra para o papel.
Mesmo com margens pressionadas pelo mix de receitas, a capacidade de execução e o controle financeiro reforçam a atratividade da ação em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.