A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados preliminares da segunda semana de maio, o principal destaque acerca das proteínas animais ficou com a carne bovina. Os spreads de exportação avançaram 6% na comparação mensal, em um movimento favorecido pela leve queda de 1% no preço do boi e pela alta dos preços médios de exportação.
Na segunda semana do mês, os volumes médios diários recuaram 35% frente à semana anterior, o que indica uma normalização depois de um começo de maio excepcionalmente forte. Ainda assim, o acumulado do mês segue positivo, com alta de 12% em relação a abril e de 36% na comparação anual.
Os preços médios de exportação das proteínas animais também melhoraram. Houve alta de 5% na comparação semanal, além de avanço de 1% no acumulado de maio e de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Como os preços externos tiveram desempenho melhor do que o boi no mercado doméstico, a rentabilidade da exportação mostrou melhora no período.
Para o Safra, esse cenário reforça a leitura de demanda global aquecida, com destaque para os mercados dos Estados Unidos e da China. Por isso, a tendência segue mais construtiva para a carne bovina, com impacto positivo sobretudo para a Minerva (BEEF3).
Aves mantêm números fortes, apesar de pressão nos custos
As exportações de aves também mostraram acomodação na segunda semana de maio. Os volumes médios diários caíram 41% frente à semana anterior, depois de um resultado muito forte na primeira leitura do mês. Mesmo assim, o desempenho acumulado continua sólido.
Até agora, maio registra alta de 8% sobre abril e de 38% na comparação anual. Isso indica que, mesmo com a perda de ritmo semanal, o patamar de embarques segue robusto.
Os preços médios de exportação melhoraram 5% na semana e acumulam alta de 1% no mês e de 5% em um ano. O ponto de atenção está nos custos de produção, já que os insumos avançaram mais do que os preços de exportação no período.
Com isso, os spreads das aves recuaram 1% na comparação mensal. Ainda assim, o nível permanece 12% acima da média dos últimos cinco anos, o que mantém uma leitura favorável para o segmento.
Segundo o Safra, o cenário tende a melhorar nos próximos meses. Se os preços permanecerem estáveis, os spreads devem avançar em junho. Além disso, o segundo semestre de 2026 pode mostrar rentabilidade superior à de um ano antes, à medida que o custo dos grãos carregado para o período favoreça a operação.
Suínos seguem mais fracos entre as proteínas
O segmento de suínos continua com o desempenho mais modesto entre as proteínas exportadas. Os volumes médios diários recuaram 3% na semana e acumulam queda de 8% em relação a abril. Ainda assim, houve alta de 10% na comparação anual.
Apesar da fraqueza sequencial, os embarques seguem próximos do topo da faixa observada nos últimos cinco anos. Isso mostra que o nível atual ainda pode ser considerado robusto, mesmo com menor dinamismo frente a bovinos e aves.
Os preços médios ficaram praticamente estáveis na comparação semanal e mensal, mas ainda mostram recuo de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, os custos de insumos avançaram em maio, o que pressionou a rentabilidade do segmento.
Como resultado, os spreads de exportação dos suínos caíram 3% no mês e 12% em um ano. Ainda assim, permanecem 8% acima da média de cinco anos, o que evita uma leitura mais negativa para o setor.
Spreads mostram quadro misto no curto prazo
O comportamento dos spreads em maio resume bem o momento das proteínas. A carne bovina mostra o melhor sinal de curto prazo, apoiada por preços de exportação mais fortes e custo doméstico mais comportado. Já aves e suínos ainda enfrentam pressão vinda dos insumos, embora em graus diferentes.
No consolidado, os spreads da carne bovina subiram 6% em maio. Em aves, houve recuo de 1%. Em suínos, a queda foi de 3%. Ainda assim, o Safra vê um pano de fundo construtivo para aves e suínos à frente, com expectativa de melhora gradual, sobretudo no segundo semestre.
Demanda externa segue como principal apoio
A força da demanda internacional continua no centro da tese para o setor. No caso da carne bovina, os embarques seguem sustentados pela procura em mercados relevantes, o que ajuda a compensar a volatilidade semanal dos volumes.
Essa dinâmica também contribui para uma leitura mais positiva sobre os preços de exportação. Mesmo com oscilações de curto prazo, o mercado externo continua oferecendo suporte importante para a rentabilidade, em especial para as companhias mais expostas à carne bovina.
O que acompanhar daqui para frente
Nos próximos meses, o investidor deve monitorar três vetores principais. O primeiro é a continuidade da demanda global por carne bovina, especialmente nos Estados Unidos e na China. O segundo é o comportamento dos custos de grãos, que será decisivo para a rentabilidade de aves e suínos. O terceiro é a trajetória dos preços de exportação, que pode reforçar ou limitar a recuperação dos spreads.
Por enquanto, a fotografia de maio indica um setor ainda saudável, com acomodação natural dos embarques após uma abertura de mês muito forte e com sinais de melhora mais nítidos na carne bovina.
Análise dos especialistas
Os dados da segunda semana de maio confirmam uma normalização dos volumes exportados de carne bovina e aves, sem comprometer o bom desempenho acumulado do mês. Ao mesmo tempo, os preços de exportação mostram evolução favorável, sobretudo na carne bovina.
Para o Safra, esse movimento reforça uma visão mais positiva para os spreads da carne bovina no curto prazo, com impacto especialmente favorável para a Minerva (BEEF3). Já aves e suínos seguem com fundamentos positivos, mas ainda dependem de uma melhora gradual da relação entre preços e custos para ampliar a rentabilidade ao longo de 2026.