Os dados preliminares da segunda semana de setembro, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), indicam volumes sólidos nas exportações brasileiras de proteínas.
O desempenho foi mais favorável para carne suína e aves. No entanto, a melhora dos embarques ainda não se traduziu em recuperação das margens operacionais.
Em setembro, a diferença entre os preços de exportação e os custos de produção recuou 1% na comparação mensal. O movimento reflete a pressão dos preços das proteínas, apesar de custos de insumos ainda favoráveis para aves e suínos.
Para o Banco Safra, os dados reforçam uma leitura mais positiva para os volumes exportados. Ainda assim, a evolução das margens será decisiva para sustentar resultados operacionais mais saudáveis no setor.
Carne bovina mostra recuperação gradual
As exportações de carne bovina apresentaram sinais de recuperação após o desempenho mais fraco observado em agosto.
Os volumes médios diários recuaram 4% em relação à semana anterior. Mesmo assim, avançaram 7% frente a agosto. Na comparação anual, porém, permanecem 30% menores.
O resultado sugere que os embarques podem ter atingido o ponto mais baixo em agosto, após o preenchimento da cota chinesa de importação para 2026. Se o ritmo atual for mantido até o fim do mês, setembro deve registrar melhora ante agosto, embora o trimestre ainda tenda a apresentar resultado mais fraco.
Os preços médios da carne bovina subiram 2% na comparação semanal e 1% em relação a agosto. Contudo, os preços do gado avançaram em ritmo superior, o que reduziu a margem da proteína em 1% no mês.
Segundo estimativas do Safra, a margem da carne bovina atingiu o menor nível dos últimos cinco anos. O indicador está 7% abaixo de setembro de 2025 e 10% abaixo da média histórica do período.
Aves mantêm demanda firme
As exportações de carne de frango preservaram um cenário de demanda consistente em setembro.
Os volumes médios diários ficaram estáveis na comparação semanal, mas cresceram 7% em relação a agosto e 12% frente ao mesmo período de 2025. O desempenho também supera a faixa observada nos últimos cinco anos.
Os preços médios, por outro lado, permaneceram praticamente estáveis na semana e recuaram 3% em relação a agosto. Apesar do ambiente ainda favorável para os custos de milho e farelo de soja, a fraqueza dos preços limita a expansão das margens.
A estimativa do Safra aponta para recuo de 1% na margem das exportações de aves em setembro. Ainda assim, o indicador segue 18% acima do nível de um ano antes e 20% superior à média dos últimos cinco anos.
Carne suína ganha força, mas preços recuam
A carne suína registrou a melhora mais relevante entre as proteínas analisadas. Os volumes médios diários cresceram 27% em relação à semana anterior, 30% ante agosto e 16% na comparação anual.
O avanço reflete uma produção doméstica acima da demanda interna, o que direciona mais oferta ao mercado externo. Entretanto, o excesso de produto também pressiona os preços de exportação.
Na segunda semana de setembro, os preços médios da carne suína caíram 4% em relação à semana anterior. A queda foi de 2% ante agosto e de 11% na comparação anual.
Mesmo com custos de insumos favoráveis, a margem das exportações de carne suína deve recuar 1% em setembro, segundo o Safra. Pelos preços atuais, o banco não espera melhora relevante desse indicador nos próximos meses.
Margens definem o próximo passo
O cenário de setembro combina volumes mais fortes e preços ainda pressionados. A dinâmica é mais favorável para aves e carne suína, que sustentam embarques robustos, enquanto a carne bovina começa a mostrar recuperação após o piso de agosto.
No entanto, o aumento do custo do gado limita a rentabilidade da carne bovina. Ao mesmo tempo, os preços mais fracos de aves e suínos reduzem o benefício trazido pelos custos menores de alimentação animal.
Assim, a recuperação das margens será o principal fator a acompanhar nas próximas divulgações de comércio exterior.