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Exportações de proteínas mantêm demanda firme

Volumes de carne bovina e de aves e suínos continuam robustos em abril, porém a alta dos insumos limita o avanço das margens nas exportações e mantém atenção nas ações


Os dados preliminares da segunda semana de abril mostram que a demanda externa por proteínas brasileiras segue sólida. Depois de um início de mês mais forte, os embarques entraram em ritmo mais próximo da normalidade. Ainda assim, o desempenho no acumulado de abril continua positivo para carne bovina, aves e suínos.

Os preços médios de exportação também reagiram na comparação semanal. Mesmo assim, essa melhora não foi suficiente para mudar de forma relevante o quadro de rentabilidade. O avanço dos custos, sobretudo com grãos e boi gordo, continua pressionando as margens das exportações.

Como resultado, os spreads recuaram no mês nas três proteínas. A queda foi de 1% em bovinos, 2% em aves e 1% em suínos. Para a frente, aves e suínos ainda apresentam perspectiva mais favorável, o que sustenta uma leitura positiva para BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3).

Carne bovina mantém força, apesar de ajuste na semana

As exportações de carne bovina perderam fôlego na segunda semana de abril na comparação sequencial. Os volumes médios diários caíram 19% sobre a semana anterior. Ainda assim, o resultado segue forte no acumulado do mês, com alta de 20% na margem e de 6% em relação ao mesmo período do ano passado.

O movimento reforça a avaliação de demanda firme pela carne bovina brasileira no mercado externo. Além disso, os preços médios avançaram 3% na semana e acumulam alta de 6% no mês e de 22% em 12 meses.

Por outro lado, o boi gordo continua subindo mais do que o preço da proteína exportada. Em abril, o avanço do boi gordo em dólar alcança 7% no mês. Com isso, a margem de exportação da carne bovina recuou 1% na comparação mensal, além de ficar 3% abaixo do nível de um ano antes e também 3% abaixo da média dos últimos cinco anos.

Aves sentem mais o peso dos custos

No segmento de aves, a segunda semana de abril trouxe uma desaceleração mais forte dos volumes. A queda foi de 33% sobre a semana anterior. Ainda assim, o acumulado do mês continua positivo, com alta de 6% na margem e de 3% na comparação anual.

O ritmo atual sugere que a demanda segue saudável. Os volumes totais permanecem próximos do topo da faixa observada nos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, os preços médios de exportação avançaram 3% na semana, 2% no mês e 2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo com essa recuperação, a melhora ainda não compensa integralmente a pressão dos insumos. Os preços do milho subiram 1% no mês em dólar, enquanto a soja avançou 2%. Nesse contexto, o spread de exportação de aves caiu 2% no mês. O indicador está 4% abaixo do patamar de um ano atrás, embora ainda permaneça 15% acima da média de cinco anos.

Para os próximos meses, o cenário segue construtivo. Com custos de ração ainda administráveis e preços de exportação estáveis, a tendência indica melhora anual das margens. Esse ambiente continua favorável para BRF e também beneficia JBS.

Suínos mostram maior estabilidade

As exportações de suínos exibiram menor volatilidade do que as demais proteínas. Na segunda semana de abril, os volumes médios diários recuaram 4% frente à semana anterior. No acumulado do mês, no entanto, ainda há crescimento de 2% na margem e de 10% na comparação anual.

Os preços também melhoraram na semana, com alta de 6%. Apesar disso, ainda mostram queda de 2% no mês e de 1% em 12 meses. Mesmo assim, o segmento continua operando com rentabilidade historicamente elevada quando se considera o custo estimado dos grãos.

Pelos níveis atuais, o spread de exportação de suínos recuou 1% no mês e 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, segue 16% acima da média histórica de cinco anos. Em outras palavras, o setor continua em posição confortável, mesmo com alguma acomodação recente.

O que observar daqui para a frente

O quadro de abril combina demanda externa resiliente com rentabilidade mais apertada. Esse equilíbrio ajuda a explicar por que os volumes seguem fortes, mas sem uma melhora mais clara nas margens.

No curto prazo, o principal ponto de atenção continua nos custos de produção. Se grãos e boi gordo seguirem pressionados, a recuperação dos preços de exportação pode não ser suficiente para recompor os spreads.

Ainda assim, aves e suínos partem de uma base mais favorável. Por isso, seguem como os segmentos com melhor perspectiva relativa no setor de proteínas, com impacto positivo sobretudo para BRF e JBS.


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