A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados preliminares da primeira semana de março. Os números apontam mais um início sólido para as exportações brasileiras de proteínas em volume. O crescimento ocorreu de forma disseminada entre as principais categorias. A carne suína liderou o avanço, reforçando um cenário de demanda externa construtivo para o setor.
Apesar do desempenho operacional robusto, os preços não acompanharam o ritmo dos embarques. Esse descompasso começa a pressionar os spreads estimados de exportação, principalmente em carne bovina e frango.
Preços pesam sobre os spreads
Os dados indicam queda mensal da diferença entre o preço da compra e o preço da venda (spreads) de exportação de frango e bovinos, de 5% e 3%, respectivamente. Já o spread da carne suína permaneceu estável na comparação mensal, considerando impacto neutro de mix. Esse efeito pode não se confirmar, dado o forte crescimento de volumes observado no período.
Mesmo com a pressão recente, os spreads de frango e suínos ainda operam próximos ao topo da faixa histórica de cinco anos. Esse patamar segue positivo para companhias com maior exposição a essas proteínas, como BRF (MBRF3) e JBS (JBSS32).
Carne bovina mantém demanda firme, mas margens cedem
Na carne bovina, os volumes médios diários cresceram 7% em relação às médias de fevereiro e ficaram 6% acima do mesmo período do ano anterior. O movimento mantém a tendência de demanda externa consistente.
Os preços médios de exportação recuaram 1% na comparação semanal, mas ainda avançaram 1% no mês e 16% em base anual. No entanto, os preços do gado subiram 4% em dólar na comparação anual, superando a evolução dos preços da carne exportada.
Esse cenário resultou em queda de 3% nos spreads mensais da carne bovina, que já acumulam retração de 8% em base anual e operam 6% abaixo da média de cinco anos. Caso os preços não se recuperem nas próximas semanas, os spreads podem atingir o menor nível em cinco anos para o mês, o que acende um sinal de alerta para as margens do segmento no primeiro trimestre.
Exportação de frango cresce, mas preços caem
As exportações de frango também mostraram desempenho sólido na primeira prévia de março. Os volumes médios diários avançaram 21% frente a fevereiro e 15% na comparação anual.
Os preços, por outro lado, caíram 5% na base semanal e 4% no mês, permanecendo estáveis em relação ao ano anterior. A dinâmica pode refletir uma mudança no mix de vendas. Ao mesmo tempo, os custos de ração aumentaram. Os preços médios ponderados dos grãos subiram 2% no mês, com milho em alta de 3% e soja de 1%, ambos em dólar.
Com esse cenário, os spreads de exportação de frango recuaram 5% no mês. Ainda assim, seguem 15% acima da média de cinco anos. Olhando adiante, as margens tendem a permanecer favoráveis, desde que os preços de exportação se mantenham estáveis.
Carne suína mostra melhor desempenho entre as proteínas
A carne suína apresentou o melhor desempenho relativo no início de março. Os volumes médios diários cresceram 37% em relação a fevereiro e 26% na comparação anual.
Os preços médios recuaram 2% na semana, mas ainda avançaram 1% no mês. Assim como nas demais proteínas, uma possível alteração no mix de vendas pode ter influenciado a dinâmica de preços.
Com base nos custos atuais de grãos, os spreads da carne suína seguem próximos ao topo da faixa histórica. Na comparação mensal, permanecem estáveis, embora ainda mostrem queda de 9% em base anual. Em relação à média de cinco anos, operam 13% acima, o que sustenta uma leitura positiva para o segmento no curto prazo.